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Grupo de catarinenses fará documentário sobre aborígenes australianos

Filme começa a ser gravado em janeiro e conta a história de uma das vítimas da segregação racial contra a população indígena australiana

Edinara Kley
Florianópolis

A história de uma aborígene australiana que aos oito anos foi retirada à força de sua família para ser educada em uma instituição religiosa e 40 anos depois se reencontra com sua cultura ancestral será contada um documentário gravado por oito brasileiros. Os idealizadores do projeto, a jornalista catarinense Anita Martins e o fotógrafo Eduardo Cavalcanti, acabam de regressar à Austrália, por onde passaram em abril de 2012 e fizeram o primeiro contato com a ativista Lorna Kelly.

 

Divulgação/Alex Ribeiro
Em janeiro, Anita Martins e Eduardo Cavalcanti, na tela, deixam o Skype e se encontram pessoalmente com o grupo de catarinenses

 

Nascida na cidade de Broome, estado da Austrália Ocidental, de uma mistura dos povos Nungbal e Jabba Jabba, a personagem é um símbolo do impacto da invasão europeia ao país e da luta pela garantia de manutenção da sua terra e sua cultura. Integrante da chamada “Geração Roubada, uma operação do governo australiano para tentar pôr fim aos aborígenes e internar seus descendentes em centro educativos onde eram forçados a aprender a cultura ocidental, Kelly será a ponte entre a produção e os povos indígenas.

“Estamos combinando pequenas viagens pelos arredores de Broome. Vamos visitar comunidades em que a cultura aborígene que a Lorna vivenciou quando criança ainda sobrevive. Porque queremos contar a história dela e, ao mesmo tempo, mostrar o valor da cultura do povo dela”, lembra Anita. Esta jornada em busca de suas raízes, acompanhada de sabedorias aborígenes, de práticas diárias, códigos de comportamento, músicas, danças e cerimônias é o que pretende retratar o vídeo

As gravações começam em janeiro de 2014, quando o restante do grupo chega à Austrália para pôr em prática o projeto Originals, criado pelo Coletivo Chamas. Esta será a primeira reunião em que todos os integrantes irão participar pessoalmente, até agora, os encontros aconteceram pelo Skype, ferramenta pela qual foi alinhavado todo o projeto.

Com previsão de um orçamento de R$ 70 mil, o projeto fará uma série de vídeos sobre populações nativas de vários lugares do mundo. Ao mostrar suas formas distintas de encarar a existência humana, a gravação pretende questionar o que podemos aprender com estes povos e conscientizar sobre o respeito a essas culturas.

Projeto conta com financiamento coletivo

Como o custo de gravação, deslocamento e hospedagem é alto, e a maior parte dos recursos investidos no projeto sai do bolso dos integrantes, o grupo começou uma campanha de financiamento coletivo no Catarse do projeto Originals. A meta é arrecadar R$ 26 mil reais e, até ontem, havia R$ 7.645 em doações. O valor total ou superior precisa ser atingido até o dia 1º de janeiro de 2014. Caso não seja atingido, o projeto não recebe nada e o valor volta ao doador.


“Essa é a primeira experiência de todos nós com financiamento coletivo. E não é fácil, principalmente porque as pessoas ainda não estão acostumadas com essa ferramenta no Brasil. Então, estamos trabalhando duro na captação de recursos e nos surpreendendo com a vontade das pessoas em ajudar”, comenta Anita. Segundo ela, R$ 26 é o mínimo necessário para pagar o transporte e acomodação. “É tudo muito simples. A ideia é alugar duas vans, que vão ser tanto o transporte quanto a acomodação”, complementa.

Começar o projeto com os aborígenes da Austrália, segundo a jornalista, é resultado de um processo fluído e reflexivo. Um dos motivos é o fato de serem apontados por diversos estudos como formadores da cultura contínua mais antiga do mundo. Outro, diz ela, é que foi a temática aborígene que uniu inesperadamente os integrantes do Chama, levando à formação do mesmo e o terceiro,  é a reflexão sobre a contribuição positiva que pode ter o distanciamento, defendido pelo antropólogo e etnólogo francês Claude Lévi-Strauss como condição para o exercício da antropologia, que estará tão presente nesse trabalho.

A escolha desses povos originários também foi influenciada pela metodologia de trabalho escolhida para criação do projeto, chamada Dragon Dreaming. Desenvolvida por um australiano com base na cultura aborígene, na Teoria dos Sistemas Vivos e na Ecologia Profunda. “Decidimos começar pela Austrália porque foi esse o tema que nos uniu. Mas também vamos fazer na Nova Zelândia e no Brasil”, revela.

Saiba mais sobre o projeto ou apóie pelo site: catarse.me/pt/originalsaustralia

 

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