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Gaia Wilmer retorna ao Brasil para shows em homenagem a Egberto Gismonti

Com sua big band, a musicista passa por Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo

Karin Barros
Florianópolis
24/07/2018 às 22H56

Gaia Wilmer, que passou sua infância em Florianópolis e atualmente vive em Boston (EUA), está de passagem pelo Brasil para os shows “Egberto 70”, projeto em homenagem ao compositor e multi-instrumentista carioca Egberto Gismonti. Com apresentações marcadas para o final de julho em Brasília (de 26 a 28/7), Belo Horizonte (3 a 5/8), Rio de Janeiro (17 a 19/8) e São Paulo (22, 24 e 25/8), Gaia reuniu 19 músicos - muitos deles amigos e ligados à história e à música de Egberto - para juntos darem vida a seus arranjos e apresentarem uma nova perspectiva sobre a música do compositor.

Gaia, que já morou em Florianópolis, é talento da música instrumental - Leo Aversa/Divulgação/ND
Gaia, que já morou em Florianópolis, é talento da música instrumental - Leo Aversa/Divulgação/ND


Somados à banda, André Mehmari, Gabriel Grossi, Jaques Morelenbaum, Mauro Senise, Ricardo Herz, Yamandu Costa e o próprio Egberto Gismonti fazem desse projeto mais uma festa de comemoração, integrando diferentes gerações da música brasileira. Formada pela Berklee College of Music e com mestrado pelo New England Conservatory, Gaia é uma voz emergente da cena do jazz contemporâneo e da música instrumental brasileira.

Em 2014 ela criou seu grupo autoral, o Gaia Wilmer Octeto. Seu primeiro álbum, “Migrations”, foi lançado pelo selo americano de jazz Red Piano Records e co-produzido pelo pianista e compositor Frank Carlberg, introduz a música da saxofonista e compositora. Para este ano, ela está organizando shows de lançamento de seu disco no Brasil em um projeto com a participação especial da cantora Mônica Salmaso, com composições instrumentais e canções escolhidas numa parceria entre as duas musicistas. 

Contudo, o projeto que a traz novamente ao Brasil é relacionado a sua big band, formada por 20 músicos e regida pela própria Gaia. O projeto “Egberto 70” surgiu em 2016, e já ganhou o prêmio Downbeat Award 2017 na categoria Melhor Arranjo para Big Band com seu arranjo de “7 Anéis” e foi aprovada no edital do CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) para 12 shows no ano de 2018. 

Confira a entrevista com Gaia: 

ND - Mesmo morando fora por tanto tempo, em sua big band você homenageia um carioca de renome.

Gaia - Estou morando fora do Brasil há cerca de cinco anos, mas nunca perdi meu amor e minha ligação com a música e a cultura brasileira, muito pelo contrário. O contato com a música americana e de várias partes do mundo, apesar de ser maravilhoso, só me faz ter sempre certeza de que minhas raízes são latino americanas. Por isso, apesar de eu gostar, ouvir e estudar muita coisa, apesar do meu trabalho ter muitas pitadas de jazz, de escrita para big band no formato americano, sempre tem, no fundo, quem eu sou e minhas raízes brasileiras. E as músicas do Egberto sempre me remetem a essa sensação de pertencimento ao Brasil, a essa relação profunda com a cultura brasileira. Ele sempre esteve presente na minha vida desde quando eu nem sabia quem ele era e hoje em dia é uma das maiores referências que tenho, tanto como compositor quanto como instrumentista.

ND - Como surgiu essa ideia? Desde quando vocês trabalham esse assunto?

Gaia - Essa ideia surgiu há pouco mais de dois anos quando escrevi um arranjo de “7 Anéis”, música do Egberto, para big band e resolvi gravar com amigos do Rio. Nessa época essa edital do Centro Cultural Banco do Brasil estava aberto e eu sabia que o Egberto faria 70 anos na sequência, então tudo pareceu se encaixar. Escrevi o projeto em 2016, foi aprovado no início de 2017 e desde então venho escrevendo e me dedicando a esse trabalho. 

ND - O Egberto é um dos convidados do show, acredito que a responsabilidade fique ainda maior para homenageá-lo. Como você vê esse momento?

Gaia - Com certeza ter o Egberto como convidado é uma grande responsabilidade pelo fato de ele ser um artista com uma visão muito clara de como ele vê sua obra sendo apresentada. Tenho um profundo respeito por ele e por sua música e é sempre um desafio saber medir o quanto posso colocar de mim na sua obra, o quanto posso mexer, desconstruir e modificar elementos e o quanto devo manter para respeitar a essência. Com ele tocando então, fica ainda mais delicado, pois além de respeitá-lo como compositor, tenho que respeitá-lo e deixá-lo à vontade como instrumentista. Estou aprendendo muito e o contato com ele é maravilhoso. 

ND - Com um octeto e uma big band, como você vê a musicista Gaia daqui uns anos?  

Gaia - O octeto e a big band são projetos muito importantes pra mim, pois são trabalhos autorais que levam meu nome e onde posso me expressar artisticamente da maneira que eu achar importante mas, além deles, faço parte de dois grupos no Rio de Janeiro que, apesar de tocar muito pouco pelo fato de eu estar longe, são grupos que gosto muito: o Tungo e o Rama Trio. O Tungo é um grupo de choro que tem um disco lançado pela Biscoito Fino em 2014 e com o Rama (Elodie Bouny no violão e Mayo Pamplona no contrabaixo) acabamos de gravar nosso primeiro disco. E, fora esses grupos que amo tanto, terminei meu mestrado em composição e tenho trabalhado como free lancer entre Boston, Nova York e Rio tocando saxofone e escrevendo para formações diversas. Os próximos planos são continuar esses trabalhos, continuar escrevendo e fazendo música que amo e me dá satisfação e fazer um doutorado nos Estados Unidos. Mais que isso… Vamos vendo! 

ND - Algum novo projeto deles inclui o retorno a residência brasileira? 

Gaia - Sinto muita falta do Brasil e sempre tenho na cabeça que quero voltar, mas no momento tenho coisas boas acontecendo nos Estados Unidos que me fazem querer ficar mais um tanto.

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