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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Gerson King Combo se apresenta no melhor momento do movimento Black de Florianópolis

O Funk Brother Soul estará na Capital no sábado

Fábio Bispo
Florianópolis
Divulgação/Sociedade Soul/ND
King Combo em show durante lançamento do CD da Sociedade Soul em 2010

Navegando pela internet, Drika Coelho não resistiu ao ver uma publicação na página do facebook de Renato Magrini. Era um vídeo de um dos principais nomes do Jazz Fusion moderno: Stanton Moore, baterista de New Orleans e líder de alguns reconhecidos projetos musicais. Como de costume quando se gosta de publicações alheias, Drika curtiu. Depois disso vieram novas trocas musicais, funk, soul, R&B, afrobeat e boogaloo. Foi quando Drika Coelho perguntou, em tom de brincadeira séria: "Vamos organizar uma festa de funk?", o trocadilho surgiu na hora: “WhataFunk? Floripa!.”.

Foi então que cena ganhou um dos maiores incentivadores do movimento Black na cidade, a festa “Whatafunk?”, em meados de 2011. Com pouco mais de uma dezena de edições, por onde passaram cerca de 400 pessoas em cada uma delas, a festa ganha um tom especial neste sábado quando levará ao palco do Green Park, na Praia da Joaquina, o grande percussor da soul music no Brasil, Gerson King Combo, o James Brown brasileiro, ao lado dos representantes do estilo na Ilha, a Sociedade Soul. Esta a segunda vez que o músico carioca se apresenta na cidade.

E 2012 é um ano especial para Gerson King Combo. Ele completa 50 anos de carreira artística com o lançamento de um documentário e um DVD gravado ao vivo. Drika, organizadora, não esconde a alegria. “A gente acredita que estamos criando um movimento na Ilha. Um movimento que visa resgatar uma cultura já vivida, mas que esta voltando com tudo e nós temos a honra de estar fazendo parte desse momento”, conta. Quando começou, o “Whatafunk?” contava com uma banda exclusiva, a Funk You Too, composta por músicos da Ilha. O sucesso estonteante das primeiras edições, por onde passaram também bandas internacionais, como a Pollerapantalon de Buenos Aires, Argentina, deve alcançar seu ponto mais alto nesta noite de sábado, e quem diz isso é o próprio Gerson King Combo. "Eu sou pé quente hein, quando eu apareço eu levanto tudo.”

Rap, grafite, dança, malabares e groove

No último ano, o cenário de Florianópolis ganhou novos contornos. Além da Whatafunk, eventos como o Lagoa Black, coletivos de grafite e grupos de dança de rua têm ganhando um impulso até então nunca visto na Ilha. Em plena Lagoa da Conceição, um dos locais mais badalados, foi que os cantores de rap puderam ver o eco de suas rimas para além da periferia. Dj Kalango, organizador da festa Lagoa Black e integrante do grupo Fonte Natural, que trouxe artistas como o americano Afrika Bambatta, fundador do hip-hop, diz que Florianópolis é a bola da vez . “O rap e o hip-hop têm muito pra falar, e sabemos que as pessoas querem ouvir. Este é o momento certo para o movimento se unir e crescer”, explica DJ Kalango, que também comanda a rádio Rap Nacional.

No embalo do groove, o movimento parece ganhar forma e adeptos a cada dia. Geralmente, durante os eventos ocorrem intervenções de outros artistas, como dançarinos, grafiteiros e malabaristas, por exemplo, indo além da música, mantendo vivas raízes culturais da mistura afro-americana iniciada nos anos 1950, vivas até hoje.

O Rei

Numa bela manhã de novembro de 1944, em Madureira, bairro do Rio de Janeiro, nascia o rei da soul music brasileira. Gerson Cortês, que mais tarde virou Gerson King Combo, chegou ao auge da carreira nos anos 1970, com o lançamento de dois volumes da série de LPs, lançados naquela década, que sobreviveram ao tempo e se mantêm atuais até os dias de hoje. Suas falas improvisadas sobre a base funk lhe deram também o status de grande incentivador do rap nacional. Desde então, a cultura black brasileira, marginalizada, tinha um rei. Seu nome: Gerson King Combo.

Serviço

'WhataFunk?'
Sociedade Soul + Gerson King Combo
Discotecagem: Renato Magrini convida Max Tommasi e Gustavo Monteiro

Quando: sábado (12)
Onde: Green Park (Estrada Geral da Joaquina, 1303)
Quanto: R$ 25, sujeito a alteração.


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