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Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
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Fotógrafo expõe obra com objetos encontrados no mar

Orlando Azevedo inaugura nesta quinta-feira (6) a exposição "Marinhas - Arqueologias da Morte" na Capital.

Pedro Santos
Florianópolis
Débora Klempous/ND
Orlando Azevedo encontra na praia os fósseis em transformação

 

No início dos anos 90, o fotógrafo Orlando Azevedo estava em uma praia no Sul do Brasil quando encontrou uma mesinha de bar corroída pela ferrugem. Depois disso, Orlando teve a ideia de fotografar objetos trazidos pelo mar, usando a mesa como fundo. Em seu estúdio particular, em Curitiba, ele produziu fotos com quase tudo o que encontrou na praia: de estrelas do mar até o cadáver de uma galinha morta. Uma seleção desse trabalho entra em exposição nesta quinta-feira, no Palácio Cruz e Sousa, no Centro de Florianópolis, no pré-lançamento do festival Floripa na Foto.

Aos 62 anos, Orlando Azevedo segue exibindo uma personalidade forte de quem não acredita no ensino tradicional de fotografia. “Hoje todo mundo dá aula, tem pós e acha que pode tudo. Cursos de fotografia estão todos lotados, mas fotógrafo tem que estudar poesia, filosofia e antropologia. O resto é técnica e transpiração”, diz.

Foi aplicando diferentes técnicas de fotografia em estúdio que Orlando selecionou as fotos da exposição “Marinhas – Arqueologias da Morte”, todas registradas com um diafragma super fechado para valorizar o máximo de foco possível e as texturas dos objetos.

Ao todo são 36 fotografias impressas em papel Canson e expostas em telas cobertas com acrílico reflexivo, já que ele fez questão de não usar vidro. “Vidro antirreflexo mata a fotografia”, decreta Orlando, que também expõe a máquina fotográfica analógica com que fez os retratos. Apontando para o tripé e a câmera exatamente sobre a mesinha corroída pela ferrugem de 20 anos atrás, Orlando afasta qualquer glamour da profissão de fotógrafo. “É isso aí que as pessoas podem ver, não tem nada demais, arte e criação estão ligadas. Fotografia é o que eu sou, o que eu vejo e o modo como eu vejo. Mesmo assim é um trabalho de operário. Sou um operário da minha paixão.”

***

Fotojornalismo

Além do trabalho dedicado à reflexão sobre a memória dos objetos trazidos pelo oceano, a noção da proximidade da morte interessa o fotógrafo. Não é a toa que um dos textos expostos na galeria é do filósofo Immanuel Kant: “Se vale a pena viver,/E se a morte faz parte da vida,/ Então morrer também vale a pena”.

Orlando Azevedo também tem outra vertente de trabalho, mais ligada ao fotojornalismo. Ele desenvolve o projeto Expedição Coração do Brasil, que já rendeu três livros e exposições itinerantes. Conduzindo um jipe e equipado com tripés, lentes e diferentes câmeras fotográficas, Orlando registra a vida natural e humana pelo interior do Brasil. “É um projeto eterno. Já rodei 90 mil quilômetros e a riqueza de temas e imagens pelo país não se esgota nunca.”

Serviço

O quê: Pré-lançamento do festival Floripa na Foto com a exposição “Marinhas – Arqueologias da Morte”
Quando: 7/10, 20h
Onde: Museu Histórico de Santa Catarina - Palácio Cruz e Sousa, Praça 15 de Novembro, 227, Florianópolis, tel.: 3028-8091
Quanto: gratuito

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