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Quinta-Feira, 13 de Dezembro de 2018
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Moradora de São José concorre a MBPS Miss Brasil Plus Size

Com 38 anos, fora dos padrões das passarelas, dos outdoors de moda, e fora da faixa etária dos concursos de beleza tradicionais, ela foi incentivada pelo pai e o marido

Karin Barros
Florianópolis
Daniel Queiroz/ND
Leticia foi incentivada pelo pai e pelo marido para procurar concursos de beleza


Via Facebook, em sua página pessoal, Leticia de Assis de 38 anos, 1,69m e 98 quilos, moradora de São José, anunciou para amigos, família e colegas de trabalho que havia sido selecionada pra representar a Grande Florianópolis no concurso de beleza MBPS - Miss Brasil Plus Size Oficial 2015. Fora dos padrões das passarelas, dos outdoors de moda, e fora da faixa etária dos concursos de beleza tradicionais, ela resolveu se inscrever graças ao incentivo do marido e do pai. Com mais de 300 curtidas e 100 comentários, a foto clicada pelo companheiro fotógrafo Tiago Lautert teve grande repercussão nas redes sociais.

No dia 24 de outubro, em Imbituba, no Sul do Estado, ocorre a etapa que vai escolher a representante de Santa Catarina no concurso que tem como objetivo eleger a mulher plus size que reúna beleza, simpatia, fotogenia e desenvoltura.

Podem participar quaisquer pessoas do sexo feminino, indiferente o estado civil, assim como independentemente se possuem ou não filhos. É preciso ter mais de 1,65m, serem residentes em território nacional e que tenham no mínimo 18 anos e no máximo 36 anos, na categoria Normal, além de usar manequim acima de 44. Na categoria Sênior podem candidatas acima de 36 anos. Porém, em Santa Catarina, as duas categorias vão desfilar juntas por falta de inscritas. A organização informou que houve um problema no projeto deste ano, mas que o Estado não poderia ficar fora do concurso nacional, segundo Letícia.

Os desfiles acontecem com roupa casual (calça jeans e camiseta oficial do concurso), traje de banho, e na etapa nacional, o desfile em traje de gala clássico, que precisa ser vestido longo preto. “Me inscrevi há quase um ano, e já não esperava mais que alguém retornasse com alguma resposta, e confesso que fiquei surpresa. Falei pra organizadora: eu tenho 38 anos, e tô vendo que as meninas que estão concorrendo comigo têm 22 ou 25”, contou ela preocupada no começo. 

Filha de dono de agência de modelos em Caxias do Sul (RS), sua adolescência inteira foi cercada por pedidos do pai para que participasse de qualquer concurso, nem que fosse para ser a rainha da Festa da Uva, festa tradicional da região. Mas Leticia nunca gostou desse mundo, para ela não fazia sentido, e por trás das câmeras, encontrou o que hoje tem como profissão: jornalista. “Quando eu era adolescente, eu até tinha um corpo legal, e era uma frustração pra ele (o pai) porque eu não queria entrar em concurso nenhum. Não achava que aquilo agregaria alguma coisa na minha vida”, explicou ela, que diz que hoje vê concursos de beleza de outra forma. 

Para participar do concurso, Leticia enfatiza: “não tenho feito nenhum tratamento”. “Pra não dizer que não faço nada, eu tenho usado bastante filtro solar, e a noite passo creme anti-idade. Não passo maquiagem durante o dia, não vou ao salão, então é por isso que alguns amigos riem da minha participação”, diz ela sobre a falta de perfil para miss. No grande dia, a família e os amigos da candidata da Grande Florianópolis estarão presentes. “Já tenho chefe de torcida e meus amigos querem fazer pompons”, finaliza Leticia, que hoje está se divertindo com a brincadeira.

Passarela de todos

O Miss Plus Size, por exemplo, pode ser uma escada para aquelas que nunca se imaginaram na passarela. A jovem joaçabense Raphaella Tratsk Lancini, de 20 anos, é exemplo disso. Ela ganhou o título de  “A mais bela gordinha do Brasil” em 2013 e hoje faz sucesso em campanhas publicitárias e em desfiles de moda para tamanhos grandes.

Além disso, após muita luta no meio da moda por belezas sem estereótipos na passarela, mulheres com Síndrome de Down, albinismo e vitiligo ganham espaço, como no recente Fashion Week de Nova York. A indústria da moda parece ter sacado que pega bem incluir exceções, como a canadense Chantelle Winnie, que tem vitiligo, Melanie Gaydos, com displasia ectodérmica e Fifi Modiselle, que é albina. Jovens amputadas, paralíticas e plus size passaram a caminhar entre uma maioria de meni­nas ditas como feitas para passarela, e as grifes não per­dem a chance de saírem como politicamente corretas.

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