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Florianópolis Audiovisual Mercosul completa 20 anos dedicados ao cinema em Santa Catarina

20º FAM teve abertura na noite de sexta-feira (17) e acontece até a próxima sexta (24) em Florianópolis com mostras de filmes, oficinas e debates

Marciano Diogo
Florianópolis
Daniel Queiroz/ND
Na sala de cinema: Marilha Naccari, Tiago Santos (centro) e Antonio Celso dos Santos organizam o Florianópolis Audiovisual Mercosul


Durante os últimos 20 anos o cinema catarinense teve mais espaço para exibição de seus filmes com o FAM (Florianópolis Audiovisual Mercosul), evento que começou na sexta (17/6) e segue em sua vigésima edição até  o dia 24 em Florianópolis. Tendo como objetivos principais a formação de público, difundir obras inéditas e viabilizar o debate em torno do mercado das produções cinematográficas latinas, o maior festival e fórum do audiovisual em Santa Catarina segue impulsionando com continuidade o trabalho de cineastas, diretores, produtores, atores e outros profissionais da sétima arte.

“Em 1997 notamos que havia uma deficiência grande em relação às discussões em torno do audiovisual. Não só reflexões sobre mercado, mas como o audiovisual também fundamental para desenvolvimento da história e cultura de uma nação. Então decidimos iniciar esse seminário que visava agregar as pessoas interessadas para ampliar a discussão e debater formas de viabilizar as políticas voltadas para o cinema em desenvolvimento nos países latinos. Iniciamos timidamente e o evento foi ganhando força no decorrer dos anos, até se tornar o mais representativo festival do cinema do Estado”, conta Antônio Celso dos Santos, 60, idealizador e coordenador do FAM.  

Atualmente, Celso organiza o FAM junto de seus filhos produtores Marilha Naccari, 31, e Tiago Santos, 36. A família está à frente da Associação Cultural Panvision, que produz o festival internacional. Marilha, que também é professora do curso de Cinema e Audiovisual da UNISUL (Universidade do SUL de Santa Catarina), ressalta que o evento promove a reflexão com as mostras e também fomenta a produção com os fóruns, oficinas e premiações. “Amplia o acesso à obra cinematográfica e também o acesso ao artista produtor da obra. Seja para formação técnica ou intelectual do conhecimento, as oficinas do FAM, promovidas desde 2003 no festival, são uma demanda e necessidade. Temos duas graduações de cinema no Estado e dezenas de produtoras audiovisuais catarinenses, e com o evento quem mora aqui consegue ter aulas com profissionais capacitados de fora que estão à disposição para ensinar e trocar experiências” observa a diretora de programação do FAM.

Tiago Santos acrescenta que o festival de cinema possibilita o networking. Ele conta que diversos filmes tiveram sua gênese no festival. “Artistas se conhecem e as ideias surgem. Além da aproximação do público catarinense, que consegue se ver na tela com filmes que são daqui”, pontua. Sobre as premiações do FAM, Tiago afirma que os diretores vencedores das mostras competitivas já têm pelo menos 30% da pós-produção do próximo filme garantido. “Ganham preparação de elenco, locação de equipamentos de iluminação e maquinaria, correção de cor da imagem e mixagem de áudio. Além do Prêmio Aquisição do Canal Brasil, em que o vencedor recebe R$ 15 mil e tem o licenciamento de seu filme comprado para exibição no canal televisivo”, conclui.

Produtores falam sobre os 20 anos do festival de cinema:


Foco no cinema catarina
O 20º FAM teve abertura na noite de sexta-feira (17) e segue até a próxima sexta (24) em Florianópolis com mostras, oficinas e debates. Neste ano, o festival exibe 29 filmes do Brasil, Argentina, Peru, Chile e Colômbia em quatro mostras competitivas: Mostra DOC FAM, Mostra Curtas Mercosul, Mostra Infantojuvenil e Mostra Curtas Catarinenses, sendo que está última exibe sete filmes produzidos em Santa Catarina.  

Além dos filmes exibidos na Mostra de Curtas Catarinenses, pelo menos outras quatro produções audiovisuais de Santa Catarina também estreiam no festival em 2016: “O Demônio e As Margaridas”, curta de Ronaldo dos Anjos baseado em conto homônimo de Péricles Prade, “Crisálida”, piloto de seriado escrito por Alessandra da Rosa e dirigido por Serginho Melo que apresenta jovens surdos que enfrentam as dificuldades cotidianas em uma sociedade desenhada apenas para ouvintes, “Angelus Novus”, longa experimental de Cláudia Cárdenas e Rafael Schlichting, e o documentário “Ao Som do Chamamé”, filme dirigido por Lucas de Barros que conta a história e origem do ritmo musical “chamamé”, gênero de raízes fronteiriças presente na Bacia do Rio da Prata, no Sul da América Latina.

Divulgação/ND
O ator Paulo Vasilescu vive o tatuador Jerônimo no filme "O Demônio e As Margaridas"


“É o meu primeiro longa-metragem como diretor. Foi um grande aprendizado percorrer o interior do continente para rodar o filme. O FAM não só fortalece o mercado do audiovisual, mas também impulsiona descobertas de cinemas tão próximos e tão desconhecidos com a versatilidade de suas mostras”, afirma o diretor Lucas de Barros.

Intercâmbio do audiovisual latino
Assim como nas edições anteriores, em 2016 o FAM também promove a Mostra de Longas Mercosul, que não é competitiva e exibe neste ano nove filmes latino-americanos. Além dos brasileiros “Boi Neon”, “Campo Grande”, “Angelus Novus” e “Ponto Zero”, três filmes argentinos serão exibidos pela primeira vez no Brasil com o festival: “Paulina”, refilmagem de Santiago Mitre de um clássico do cinema argentino de 1960 que fala sobre abuso sexual; “Zanjas”, western rodado na Patagônia dirigido por Francisco Paparella; e “El Movimiento”, filme em preto e branco dirigido por Benjamin Naishtat que retrata a ditadura argentina em 1835.

Os outros dois longas-metragens que completam a mostra não competitiva são o chileno “Vida Sexual de las Plantas”, ficção do diretor Sebastián Brahm, que explora temas como amor e paciência, e o paraguaio “Mangoré, Por Amor Al Arte”, cinebiografia do violonista Agustín Pío Barrios com roteiro e direção do chileno Luis Vera.  

Divulgação/ND
O longa "Angelus Novus", filme de Cláudia Cárdenas e Rafael Schlichting, é uma das produções exibidas no FAM em 2016


Neste ano o festival também traz para Florianópolis o presidente do RECAM (Reunião Especializada de Autoridades do Audiovisual do Mercosul), Martin Papich, que chega na sexta-feira (24) para  reconhecer o FAM pelo trabalho realizado nas últimas duas décadas com um prêmio especial – na última década, o próprio festival também auxiliou com fóruns, reuniões e debates para que houvesse a consolidação do RECAM, órgão consultor de audiovisual formado pelo Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Chile, Equador e Peru. O FAM 2016 conta com patrocínio da Petrobras e apoio financeiro do Funcultural, do Governo do Estado de Santa Catarina.

Confira a programação completa e os horários de exibições de filmes do FAM 2016 em www.famdetodos.com.br.

O quê: 20º Florianópolis Audiovisual Mercosul
Quando:
De 17 a 24/6, diferentes horários
Onde:
Centro de Cultura e Eventos da UFSC, rua Eng. Agronômico Cristian Ferreira, s/n, Trindade, Florianópolis, tel. 48 37219000
Quanto:
Gratuito

20 anos de história – saiba quais foram as edições mais marcantes do Florianópolis Audiovisual Mercosul:

1997 – O FAM começou como seminário sobre cinema promovido com o apoio da Cinemateca Catarinense, UFSC e Funcine. Era o 1º Seminário de Cinema e Televisão do Mercosul, criado para discutir legislação e distribuição dos produtos audiovisuais. O evento inicia timidamente, naquele ano foram exibidos cerca de 20 filmes. Os debates aconteciam na sede da Fiesc e exibições no Cinema do CIC. Foram 600 espectadores em três dias de evento.

1999 – Na terceira edição o evento foi rebatizado e passou a se chamar FAM, nome que se tornou definitivo. A programação foi significativamente ampliada, somando 11 eventos paralelos que incluíam seis mostras de filmes. Entre os presentes nessa edição estava José Álvaro Moisés, na época secretário para o Desenvolvimento do Audiovisual do Brasil.

2003 – O público do FAM se amplia e o festival é transferido integralmente para o CIC por questões de espaço físico. Na época, o fórum do evento debateu a necessidade de uma aliança entre a TV e o Cinema com efeitos práticos e a regionalização do mercado com vistas ao mercado.

2005 – Surgem as premiações do FAM, fundamentais para reconhecimento das produções audiovisuais exibidas no festival. O público também elege os melhores filmes do evento com o Júri Popular. Inicia-se também neste ano o Circuito FAM, que leva os filmes do festival para serem exibidos em diferentes cidades catarinenses. Com o tempo, o número de cidades visitadas pela mostra cresce – na edição de 2016, o circuito passou por 23 cidades de Santa Catarina.

2007 – O festival se consolida e começa a trazer convidados de peso, entre eles o secretário do Audiovisual do MinC na época, Orlando Senna. A partir daí, artistas reconhecidos nacionalmente viriam a freqüentar o FAM nas edições futuras, entre eles Caio Blat e Letícia Sabatella. Nesse ano o FAM também fecha parceria com o Canal Brasil para o prêmio Aquisição. Nessa edição, o evento teve um público de 21 mil pessoas e exibiu ao todo 122 produções audiovisuais.

2009 – A partir de 2008, o festival conta com verba do Governo do Estado via Funcultural para sua concretização. Acontece a transição tecnológica da forma de exibição dos filmes, que começam a ser exibidos de forma digital. O FAM tem seu recorde de público com 30 mil pessoas e exibe 200 filmes de 12  países.

2010 – O FAM inclui na programação a mostra universitária, que viria a se tornar a mostra catarinense e ter uma premiação própria na edição de 2012. Filmes produzidos em Santa Catarina ganham mais reconhecimento no Estado com o prêmio. O evento já acontece integralmente no campus da UFSC no bairro Trindade, em Florianópolis e segue reunindo milhares de profissionais do mercado do audiovisual.

2014 – Durante oito dias, mais de 20 mil pessoas assistem 78 filmes do Brasil, Argentina, Colômbia e Venezuela. O DOC-FAM, mostra de documentários do festival, se torna uma das mais frequentadas pelo público.

2015 – O festival é integrado por cinco mostras, quatro delas competitivas. Exibe 50 filmes de oito países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Uruguai. Documentários catarinenses engajados com os anseios da sociedade civil, entre eles “Desculpe pelo transtorno: A história do Bar do Chico”, se destacam nessa edição do evento, que também teve o lançamento do filme “Das Profundezas“, do diretor catarinense morto no mesmo ano, Penna Filho.

A relevância do FAM – diretores de cinema de Santa Catarina dão suas impressões sobre o evento:

Já fui jurada e lancei filmes no FAM, como o ‘Sem Perder a Ternura’. Para mim o FAM mais marcante foi o de 2004, o segundo que eu participei, quando o curta produzido pelo meu estúdio Plural, ‘Clandestinidade’, levou o prêmio de melhor ator para o Augusto Madeira. Sou um pouco saudosista, gostava quando o FAM acontecia no CIC e era menos acadêmico e mais cultural, o saudoso café Matisse bombava nas discussões pós e pré-exibição. Era um espaço que nos acolhia. Mas mesmo com a mudança pra UFSC, o festival continua sendo um marco para o cinema brasileiro e, especialmente, uma referência para o cinema catarinense - produzimos bastante aqui, pois temos duas universidades de cinema”, Márcia Paraíso.

O evento impulsiona a indústria local por que é a única janela para filmes de Santa Catarina. Eu já trouxe meus filmes para o FAM em algumas ocasiões, entre eles a ficção ‘Muamba’,  e nessa edição apresento o documentário ‘Deserto Verde’, filme que produzi com Juliana Kroeger”, Chico Faganello.

Lembro do 18º FAM, em que adorei a diversidade de narrativas e de culturas dos filmes. Mas, na verdade todos os FAM são importantes, cada um com seu colorido, sua marca. O festival impulsiona o audiovisual não só no mercado catarinense, como também no Brasil e internacionalmente. O FAM é muito importante para quem é da área também e não apenas para os espectadores. Além disso, esse contato com os nossos mais próximos, os latino-americanos, é de uma grandeza visionária, pois fomos educados a virar as costas para esses irmãos”, Zeca Pires.

O FAM é extremamente relevante para difusão do cinema latinoamericano, especialmente do Mercosul, pois é o único festival com esse recorte específico. Além de atuar na formação de público através das exibições, o evento sempre buscou promover discussões em seus fóruns e debates, contribuído para uma reflexão sobre nosso setor desde questões de mercado até conceitos estéticos e narrativos. Além disso, cabe citar que não há cidade melhor para receber um festival desse porte, pois Florianópolis é muito estimada e querida pelos países ali representados. Estou há três anos consecutivos com curtas na Mostra Curtas do FAM, e já exibi diversos filmes no festival, entre eles ‘Aquário’, ‘O Tempo Que Leva’ e ‘O Segredo da Família Urso’. Nesse ano apresento ‘Quem Não Tem Cão’”, Cíntia Domit Bittar.

O ano de 2004 foi marcante porque me impressionou a quantidade de público que o FAM trouxe para cidade. Já tive filmes exibidos e premiados no festival, entre eles ‘Hora do Galo’ e ‘Vaqueiros Encantados’. O evento é reconhecido como formador de público e de crítica, e sempre procura criar oportunidades para os produtores do audiovisual. Nesses últimos anos observo que o FAM ganhou mais força com coproduções e parcerias”, Ralf Tambke.

O FAM é muito importante para consolidação do cinema catarinense. Acompanho o festival desde quando cursava a faculdade de cinema em 1999, e já tive um curta lançado no evento em 2009, o ‘Se Eu Morresse Amanhã’, foi muito emocionante ver o filme naquele telão com a sala completamente lotada. Uma sessão do festival, dentre tantas que me marcaram, foi em 2003 com o filme brasileiro ‘Narradores de Javé’, lembro que a sala toda ria e curtia. Em 2011 também dirigi o making of do FAM, foi uma escola o convívio com os cineastas e produtores”, Ricardo Weschenfelder.

O que considero mais relevante para o público local é a aproximação com a obra de cineastas do Mercosul e da América Latina. Com os anos o FAM foi abraçando outros países, como a Colômbia e a Venezuela. Particularmente, um dos momentos mais marcantes do evento foi a participação de Fernando Solanas, da Argentina, na edição de 2002, que nos deu uma aula de ativismo e senso político no cinema argentino, expressões presentes na filmografia deste cineasta.Entre os filmes que dirigi e foram exibidos no festival estão ‘Sem Palavras’, ‘A pandorga e o peixe’ e ‘De Mitos a Bichos - Xeramoî Omebe’u Vi Kaxlo’, que estreou no FAM do ano passado. O festival ajuda a ativar o mercado em vários sentidos. A cada edição recria o espaço para a discussão dos assuntos emergentes da área, aproxima os profissionais com uma programação que une troca de conhecimento, debate sobre políticas para o audiovisual e questões técnicas importantes para a renovação no setor. O FAM sempre foi um festival de portas abertas e parceiro de ideias, principalmente aquelas que fomentam as políticas para o crescimento do audiovisual como mercado e arte”, Kátia Klock.

“É um festival sempre aguardado com muita expectativa por quem realmente gosta de assistir a filmes na tela grande. Há vários filmes importantes em que trabalhei como diretor de fotografia lançados no FAM. Nesta edição de 2016, por exemplo, serão lançados quatro títulos em que fui diretor de fotografia. Acredito que o FAM tem impulsionado a área no mercado catarinense por promover o debate das políticas de incentivos às produções locais. O evento também instiga a percepção estética e a linguagem do cinema catarinense com a participação dos estudantes de audiovisual e realizadores em todas as mostras. O FAM oferece esta aproximação imediata entre quem assiste e quem realiza. E há um crescente público com apurado e enorme senso crítico nas exibições de nossos filmes”, Marx Varmelatti.

Confira a programação do 20º FAM para este sábado (18) e domingo (19):

Sábado, 18/6
15h Fórum painel “Avanços no Mercosul Audiovisual”, com Orlando Senna e Eva Piwowarski, sala Pitangueira
16h30 Mostra DOC FAM, “A Noite Escura da Alma”, de Henrique Dantas, Auditório Guarapuvu
18h30 Apresentação musical Arroyo e os Afluentes, hall do Centro de Cultura e Eventos UFSC
19h Mostra Curtas Mercosul, Auditório Guarapuvu
“Estokolmo”, de Santana Nicolas-Klein
“Quem Matou Eloá?”, de Lívia Perez
“Castillo y El Armado”, de Pedro Harres
“O Demônio e as Margaridas”, de Ronaldo dos Anjos
20h
Apresentação musical Arroyo e os Afluentes, hall do Centro de Cultura e Eventos UFSC
20h30 Mostra Longas Mercosul, “Zanjas”, de Francisco J. Paparella

Domingo, 19/6
12h30 Sessão Itapema FM com os mais votados no Júri Popular de Mostra de Curtas
15h Fórum painel “Me Deixa Jogar?”, com Márcia Regina Battistella, sala Pitangueira
16h30 Mostra DOC FAM,“Zebras”, de Javier Zevallos, Auditório Guarapuvu
18h30 Apresentação musical de Leandro Fortes, hall do Centro de Cultura e Eventos UFSC
19h Mostra Curtas Mercosul, Auditório Guarapuvu
“Las Musas de Poque”, de Germán Arango
“D.E.U.S.”, de Rafael Costa
“Lux”, de Alvaro Luque
“Quem Não Tem Cão”, de Cíntia Domit Bittar
20h Apresentação musical de Leandro Fortes, hall do Centro de Cultura e Eventos UFSC
20h30 Mostra Longas Mercosul, “Ponto Zero”, de José Pedro Goulart, Auditório Guarapuvu

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