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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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Fita completa 10 anos em Florianópolis mostrando a força do teatro de animação

O evento, que ocorre de sábado (14) até o dia 20, traz grupos da Espanha e Colômbia

Karin Barros
Florianópolis
Flávio Tin/ND
A atriz Heloisa Marina em “Poses Para (Não) Esquecer”

 

Uma arte menos reconhecida pela maioria, o teatro de animação vem ganhando força em Florianópolis há pelo menos dez anos. É por causa do Fita (Festival Internacional de Teatro de Animação), idealizado e coordenado pela professora da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Sassá Moretti, que a Capital ganhou visibilidade quando o assunto é teatro de bonecos, e destaque no país pelo interesse dos grupos teatrais em trabalharem com esse foco.

“Com o tempo meus alunos da época da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) foram se encantando pela animação, e hoje dos cinco grupos catarinenses, quatro que estão na grade de programação são compostos por ex-alunos”, comemora a idealizadora.

O evento, que começa neste sábado, e segue até o dia 20 de maio, tem programação intensa nas cidades de Florianópolis, São José, Biguaçu, Balneário Camboriú e Joinville. Serão 36 apresentações de 11 espetáculos ao todo, e para comemorar uma década de trabalho árduo, o primeiro espetáculo que foi apresentado na primeira edição do festival está de volta: “El Avaro de Molière”, da companhia espanhola Tàbola Rassa.

A premiada peça fará parte da abertura do evento, neste sábado (14), às 20h, no Teatro do CIC, em Florianópolis, e também no domingo, às 16h, no mesmo local. Em 2007, ele foi apresentado em espanhol. Agora, e pela primeira vez, o espetáculo será apresentado em português. 

Divulgação/ND
“El Avaro de Molière”, da companhia espanhola Tàbola Rassa, abre o Fita

 

Durante o festival, além e assistir aos espetáculos, o público poderá participar de três oficinas, mesa de conversa e visitar a exposição “Bonecos em cartaz”. Das apresentações, cinco serão de grupos catarinenses, três de outros Estados e três internacionais.

De acordo com Sassá, se comparado a outros anos de festival, o número de companhias do Estado cresceu. Um dos motivos é o fortalecimento do gênero em Santa Catarina devido ao trabalho das universidades UFSC e Udesc, que tem em seus currículos disciplinas de teatro de animação, além do incentivo público do Fita. 

No ano de aniversário do festival, a seleção de espetáculos foi guiada pelo desejo de contemplar o público que já acompanha teatro de animação e atrair novos espectadores. Este ano, porém, quase toda a grade é voltada para as crianças, maior público das edições anteriores. “Já me falaram um termo que achei muito legal: geração Fita. Vejo crianças que tinham dois anos no primeiro Fita perguntando, agora com 12, sobre as novas apresentações. Isso é muito emocionante”, destaca a organizadora. Além disso, o evento é importante para a formação de plateia, de pessoas que passaram a conhecer melhor a arte, e hoje frequentam outros eventos do meio, se tornando cada vez mais criterioso.

Para a classe artística, a importância do festival é indiscutível. “Um festival deve além de tudo chegar a seu povo. Como disse a canção que canta Milton Nascimento: “todo artista deve estar onde o povo está. Se foi assim, assim será”, acredita Sergio Mercúrio, ator, diretor e produtor argentino, que trabalha há mais de 20 anos com a técnica e fechará a programação do Fita, no CIC. Cleber Laguna, da Cia Mevitevendo, de São Paulo, nota o crescimento do evento. “O Fita vem tomando força e se tornou um dos festivais mais importantes do Brasil. Já faz parte parte da rota. É um momento importante para o artista tanto pelo público quanto pela variedade apresentada”, diz. 

Gisele Knutes/Divulgação/ND
“Prólogo Primeiro”, da Caixa do Elefante Teatro de Bonecos (RS)

 

Dedicação à arte 

Entre os catarinenses que estarão presentes no Fita 2016 está o grupo de Florianópolis Teatrando por Aí. Pela primeira vez no evento, eles apresentarão a peça “Tecnópolis: Sem Livro Pra Contar História”, de 2014, com direção de Aline Maya e roteiro de Marina Monteiro. Raquel Stüpp, 32, atriz e produtora da peça, explica que o projeto da Cia sempre foi voltado para as escolas, e que o momento marca uma nova etapa do grupo, que existe desde 2008. “Já fizemos mais de cem apresentações, em lugares como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e interior do Estado, agora queremos expandir”, diz.

A peça, que será apresentada nos dias 16, 19 e 20, tem o uso de fantoches, manipulação de bonecos a vista, além da atuação dos atores Marina Monteiro, Éber Schmidt, Paulo Soares, Taís Trindade e Guilherme Freitas. Para acontecer, “Tecnópolis” contou ainda com uma direção especial para os bonecos, assunto que ficou por conta de Roberto Gorgati.

Ele fez workshops com os participantes para ensino de manipulação, técnica de atuação com um boneco. “As crianças bem pequenas não entendem a muito a história em si, mas os bonecos prendem a atenção delas, e elas ficam fascinadas, olham com admiração. Elas não enxergam o ator, só os bonecos”, reflete Raquel, afirmando que preciso dedicação para o uso de bonecos. 

Após observarem a reação dos pequenos espectadores nas diversas apresentações, o grupo percebeu que a diferença na faixa etária é que os maiores têm mais interesse em entender como funciona o teatro de bonecos. Por isso, o Teatrando por Aí passou a fazer uma abertura no final da peça para que eles conheçam melhor o trabalho artístico, possam tocar nos bonecos feitos de material reciclado pelo bonequeiro Marcos Oliveira e conheçam com calma os bastidores.  

Jacobo Libreros Duque/Divulgação/ND
Em “Clownti Jabru Teatro de Títeres”, da Colômbia, menino orfão procura pistas de seu passado

 

Menos valorizados 

Mesmo sendo uma técnica milenar e que começou sendo para adultos com temas direcionados, a arte do teatro de animação é rodeada de um preconceito escondido por trás de expressões, como “teatrinho de bonecos”, “teatrinho para criança”. Cleber Laguna, da Cia Mevitevendo, de São Paulo, diz que já viu a técnica ser considerada até como uma iniciação de teatro.

Apesar de parecer infantilizado, o teatro de animação nem sempre é voltado para crianças, e muito menos necessita de menos técnica, investimento e dedicação que uma super produção em que apenas atores atuam. Prova disso é a peça “Poses para (não) esquecer”, da atriz Heloísa Marina, 31, de Florianópolis, que será apresentada neste domingo e na segunda-feira, no Teatro da Igrejinha da UFSC, voltada para adultos.

Também pela primeira vez no Fita, a atriz traz uma peça com a técnica Bocón, em que boneco tem praticamente o tamanho de uma pessoa, e a manipulação é realizada à vista. Formada há sete anos pela Udesc, mas atuando em espetáculos há dez, a apresentação conta ainda com direção de Elisza Peressoni Ribeiro e dramaturgia de André Felipe. 

A história é baseada no confronto de lembranças das histórias de guerra contadas pela avó imigrante polonesa, moradora de Blumenau, com suas diversas versões, fundindo os fatos e fábulas de sua família com questões íntimas e coletivas. A peça propõe repensar a relação com as histórias dos antepassados e o que isso reverbera ainda na vida de cada um.

Para Raquel Stüpp, do Teatrando por Aí, o teatro de bonecos sofre há muito tempo com preconceito e é “um paradigma que demorou para ser quebrado”. “É teatro para infância, mas é teatro. Tem figurino, direção, o boneco tem que ser bem feito. Para isso tudo, não interessa o público. Esse preconceito acontece no país inteiro, parece que o incentivo é menor para teatro para infância”, pontua.

Mesmo assim, para o argentino Sergio Mercúrio, o Brasil cresceu nesses últimos dez anos no âmbito do teatro de animação. “O país chegou a ocupar um lugar muito importante na cena de animação e mesmo cultural. Criou espaços novos, políticas culturais inovadoras, colocou o foco na cultura. Isso teve uma repercussão para aqueles que tem a possibilidade de conhecer o país”, afirma.

Pablo Gonzales/Divulgação/ND
Viejos de Mi...”, do ator argentino Sergio Mercurio, fala sobre perda da memória na velhice e amizade


Serviço

O quê: 10º FITA
Quando: de 14 a 20/5, diversos horário
Quanto: gratuito (espetáculos no Centro de Cultura e Eventos da UFSC,Teatro da UFSC,Sesc Prainha e os que compõem a itinerância - Ingressos deverão ser retirados uma hora antes do espetáculo); gratuito também para organizações sem fins lucrativo, ONGs e instituições de ensino, mediante reserva de vagas através de agendamento prévio (todos os espetáculos); R$20 e R$10 (meia) (Teatro Ademir Rosa (CIC) e Teatro Álvaro de Carvalho)
Onde: Florianópolis, São José, Biguaçu, Balneário Camboriu e Joinville
Informações e programação completa

Programação do final de semana

14/5
“Histórias de Mauro”, da Tisser Produções (Florianópolis/SC), 9h30, Praça Nereu Ramos, Biguaçu, gratuito
“Os Cabeções”, do Grupo de Teatro Expresso (Florianópolis/SC), 19h30, CIC, avenida Irineu Bornhausen, Agronômica, Fpolis, R$ 20 e R$ 10 (meia)

“El Avaro, de Molière”, da Tábola Rassa (Espanha), 20h, CIC, avenida Irineu Bornhausen, Agronômica, Fpolis, R$ 20 e R$ 10 (meia)

15/5

“El Avaro, de Molière”, da Tábola Rassa (Espanha), 16h, CIC, avenida Irineu Bornhausen, Agronômica, Fpolis, R$ 20 e R$ 10 (meia)

“Poses para não esquecer”, de Heloísa Marina (Florianópolis/SC), 20h, teatro da Igrejinha UFSC, gratuito

Confira também

16/5
“Tecnópolis – Sem livro pra contar história”, do Grupo Teatrando por aí (Florianópolis/SC), 10h/15h, Teatro Sesc da Prainha, avenida Atherino Syriaco, Prainha, Fpolis, gratuito

17/5

“Prólogo Primeiro”, Caixa do Elefante Teatro de Bonecos (Porto Alegre/RS), 15h/19h30, TAC, rua Marechal Guilherme, Centro, R$ 20 e R$ 10 

18/5

“O buraco do muro”, Maracujá Laboratório de Artes (São Paulo/SP), 15h, CIC, avenida Irineu Bornhausen, Agronômica, Fpolis, R$ 20 e R$ 10 (meia)

19/5
“Clownti”, Jabrú Títeres (Bogotá/Colômbia), 10h/15h, Teatro Sesc da Prainha, avenida Atherino Syriaco, Prainha, Fpolis, gratuito

20/5

“Viejos de mi...”, Sérgio Mercúrio (Argentina), 20h, CIC, avenida Irineu Bornhausen, Agronômica, Fpolis, R$ 20 e R$ 10 (meia)

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