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Sábado, 17 de Novembro de 2018
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Filme “Ensaio” estreia nesta sexta e une a dança ao cinema catarinense

A diretora Tânia Lamarca fez questão de fazer o filme no inverno, com vento sul soprando e com referências como os quadros de Caravaggio

Roberta Ávila
Florianópolis
Divulgação/Imagem Filmes
A bailarina Lavinia Bizzotto em cena do filme

 

Nesta sexta entra em cartaz um filme catarinense que quer causar um bafo no cinema nacional. Bafo, escândalo, evento, aquela coisa sobre a qual todo mundo vai falar. Esse é o objetivo da diretora Tânia Lamarca com o filme “Ensaio – o amor não diz se é para sempre”, que une ao cinema a manifestação artística de maior força no Estado: a dança. Filmado em Florianópolis, Laguna e Buenos Aires, o filme conta a história de uma companhia de dança contemporânea que se prepara para estrear o espetáculo “Amores Raros” sobre Anita e Giuseppe Garibaldi.

“O filme desconstrói o amor, não trabalha com essa coisa de “seremos felizes para sempre”. A ideia do amor da Anita por Garibaldi introduz o romantismo na história, mas não é um filme romântico. Tanto que mudamos o nome do filme, que antes era “Amores Raros” para não dar a entender que era uma love story. E aí no fim o Abrão Scherer, da Imagem Filmes, nossa distribuidora, escolheu esse: Ensaio – O amor não diz se é para sempre”, conta Tânia Lamarca que acredita que a palavra “ensaio” reflete toda a toda estrutura do filme: tanto narrativa como musical.

“Extrapola a questão do ensaio da companhia, vai para o nível dos relacionamentos, que estão sempre no nível do ensaio, é um ensaio de vida” afirma Antônio Cunha, que interpreta o produtor do espetáculo.

“O amor é para sempre, ou a gente está sempre ensaiando?”, complementa Chico Caprario, que interpreta o diretor Caio.

“Como diz o John Lennon em “Beautiful Boy”: a vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo planos. É meio por aí. É uma narrativa em que os personagens muitas vezes não se falam. Isso é o existencialismo, assim que é viver”, relata a diretora que conquistou mais de dez prêmios nacionais e internacionais com “Tainá – Uma Aventura na Amazônia” em 2000.

O amor não diz, dança

Se o subtítulo do filme traz à tona aquilo que não é dito, a dificuldade de comunicação entre os personagens ou mesmo a ausência dela, essas conversas são complementadas pela dança. 

 “Dança é diálogo no filme. A gente corria o grande risco das duas coisas ficarem separadas, mas isso não aconteceu, a dança faz parte da história e os fãs de dança vão gostar do filme também. As cenas com a Lavinia Bizzotto e o Bruno Cezario, que são os bailarinos ficaram lindas”, afirma Tânia.

Para brigar com os grandes

“Venham assistir nosso filme e venham logo, para que ele fique em cartaz mais tempo”, pede a diretora que destaca a força dos blockbusters no Brasil em relação ao cinema nacional. “Temos 2500 salas de cinema em todo o país e em apenas um fim de semana estrearam oito filmes estrangeiros. Thor entrou no país com 1100 cópias, ou seja, pegou metade das salas de cinema do Brasil. Nós queremos ficar em cartaz porque filme brasileiro você pensa em ir assistir e ele já saiu dos cinemas”, constata Tânia.

De SC e das artes

O longa tem elementos característicos de Santa Catarina. Tânia fez questão de filmar com vento sul soprando e apenas no inverno.

“Tenho um amor profundo pelo inverno de Florianópolis. Quando me mudei daqui a coisa de que mais sentia falta era a sensação física do friozinho, aquele ventinho... E a gente queria esse clima invernal no filme, não era para ser a Floripa dos turistas, cheia de gente passando”, explica a diretora.

“O verão tem uma coisa da cidade ser menos nossa e mais dos turistas. O inverno sim é nosso, a gente se apropria mais da cidade”, reflete Renato Turnes, que interpreta Baldina.

Outra inspiração para dar o tom do filme foram as obras do artista barroco Caravaggio, que pode ser percebida nas escolhas feitas para iluminar as cenas. 

“Buscamos deixar tudo neutro nas cores, mas na coreografia da morte da Anita a gente foi beber no Caravaggio: a luz está no personagem, não existe cenário”, analisa a diretora. A blusa vermelha que Bruno Cezario usa na também foi uma referência às cores dramáticas usadas pelo pintor italiano.

Mais imagem, menos palavra

Quando o cineasta britânico Peter Greenaway esteve em Florianópolis ano passado, disse em uma palestra: o cinema é feito quase da mesma forma desde a sua invenção, e sempre tendo como base a palavra. Greenaway defende um cinema mais imagético, que a imagem ocupe o lugar de destaque, e não a palavra. Tânia Lamarca conseguiu atingir essa meta com “Ensaio”. É um filme de imagens, de movimento, e não de palavras.

Eventualmente o filme tem semelhanças com “Cisne Negro”, filme que arrebatou multidões aos cinemas em 2011 com uma história sobre balé e Natalie Portman como protagonista. Quem sabe Lavinia Bizzotto faça o mesmo. A bailarina e protagonista de “Ensaio” é apaixonante. Como é dito pelos personagens em mais de uma cena do filme, a moça dança como uma deusa.  

Serviço

O quê: Estreia de “Ensaio – o amor não diz se é para sempre”
Quando: 29 de novembro
Onde: Cinespaço Beiramar e Cinesystem Iguatemi

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