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Figura bíblica Maria Madalena é interpretada em monólogo em Florianópolis

Atriz Margarida Baiard, que tem 55 anos de carreira, dá vida a mulher que foi apedrejada e discípula de Jesus

Karin Barros
Florianópolis
07/03/2018 às 13H54

A história que a maioria das pessoas cristãs cresceu ouvindo é a versão bíblica de que Maria Madalena foi uma prostituta que encontrou Jesus Cristo e, arrependida de seus pecados, pediu perdão e passou a segui-lo de forma fiel. Porém, há algum tempo essa interpretação vem sendo discutida, inclusive o filme “Maria Madalena”, que estreia na próxima semana em todo o país, deve levantar o assunto.

Atriz com 55 anos de carreira leva ao palco
Atriz com 55 anos de carreira leva ao palco "Maria, a Madalena", baseado em obra de Marguerite Yourcenar - Massashi Murahara/Agência Conecta/Divulgação/ND


Contudo, em Florianópolis, neste dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, tem outra estreia, e é nos palcos do teatro. Margarida Baiard vai interpretar Maria Madalena no monólogo “Maria, a Madalena”, no Círculo Artístico Teodoro, no Sul da Ilha, até sábado, e também entre os dias 15 e 17 de março, sempre às 21h.

Foi praticamente por uma questão intuitiva que a atriz tirou do papel novamente o texto da escritora francesa Marguerite Yourcenar. A história é de uma das personagens bíblicas mais controversas, que foi de alvo de apedrejamentos a discípula de Jesus.

Uma sequência de coincidências (ou não) levou Margarida a insistir no assunto. Primeiro foram dois sonhos com amigos que já morreram e que a traziam a tona o nome de Maria Madalena. Depois, uma viagem à Inglaterra no ano passado com resíduos importantes sobre a história bíblica. 

O texto foi reencontrado por Margarida, que em outra oportunidade, há muitos anos atrás, ia dirigir a peça. Desta vez, o trabalho ficou sob direção de Brígida Miranda, professora da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), com 30 anos de experiência na área. “Comecei a achar que Brígida devia entrar, porque é especialista em teatro feminino”, contou Margarida.

Para a atriz, depois do retorno ao Brasil, houve o desejo de conhecer quem foi aquela mulher que conseguiu há dois milênios sobreviver. Foram três meses de estudos, lendo diversas versões da história, das tradicionais, cristãs às heréticas. “Ela está no inconsciente coletivo, é uma potência. Fico muito honrada de estar fazendo esse monólogo, sendo que sei que o texto foi feito baseado na lenda dourada, em que ela era prostituta”, salienta a atriz, que tem 55 anos de carreira. 

Margarida vê a figura de Maria Madalena como uma mulher renegada, não tinha espaço por causa das regras impostas pela igreja, “tudo sempre acabou sendo dominado por homens”. “Chega de uma terra desequilibrada pela falta da potência feminina”, levanta. 

Ajuda coletiva 

O texto da francesa Yourcenas foi retirado da coletânea de contos “Fogos”, em que fala da dor de uma mulher abandonada, e que, segundo Margarida, tem uma visão interessante sobre o homem Jesus. Nos 50 minutos do espetáculo, que tem censura para 16 anos, o público poderá conferir toda a força cênica que a história de Maria Madalena exige. 

Pela internet, no site Catarse, está acontecendo uma arrecadação coletiva de R$ 12 mil para ajudar a colocar a história no palco. “Queremos despertar no espectador a reflexão de que o papel das mulheres na Igreja primitiva e na sociedade era importante e esta visão precisa ser recuperada,” opina a protagonista. O valor da vaquinha pode ser coletado até o dia 26 deste mês. 

Serviço 

O quê: “Maria, a Madalena”
Quando: de 8 a 10/3 e de 15 a 17/3, às 21h
Onde: Círculo Artístico Teodora, servidão do Cravo Branco, 236, Campeche, Florianópolis
Quanto: R$ 40

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