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Segunda-Feira, 24 de Setembro de 2018
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Fernando Weber abre nesta quinta a exposição “(Des)montar paisagens” na Fundação Badesc

Artista mostra 13 obras com a temática da paisagem

Carol Macário
Florianópolis
Rosane Lima / ND
Artista rearranja e remonta paisagens, por meio de colagens e desenhos

 

Paisagens estão sempre em construção. É assim que Fernando Weber gosta de pensá-las, relacionar-se com elas, as paisagens, perceber seus movimentos e como elas manifestam-se na arte e na nossa vida. Na exposição “(Des)montar paisagens”, que abre hoje na Fundação Cultural Badesc, na Capital, o artista de 23 anos mostra obras cuja temática são as paisagens formadas pela natureza e os elementos que se aglutinam a ela ou desligam-se dela.

“Não tenho interesse no humano, mas na relação do homem com a paisagem”, afirma. As 13 obras que Weber apresenta a partir de hoje, entre desenhos, colagens sobre papel e sobre magnético, vídeo e uma instalação, são desdobramentos de outros trabalhos seus, iniciados em 2007. “Estou sempre observando lugares em transformação”, diz. Antes dos recortes e colagens dos seus trabalhos mais recentes, o artista fazia intervenções nas paisagens por onde circulava. “Levava objetos e compunha instalações. Eram coisas que eu levava de um lugar para o outro”, conta. E então ele mesmo fotografava.

Agora ele trabalha com as imagens das paisagens, não mais com a paisagem em si – quando ele ia pessoalmente fotografar. Mas no processo de recorte e colagem, ele continua deslocando elementos, ora aglutinando-os, ora removendo-os. “A colagem carrega muitas imagens de vários lugares. Agrega informações de muitos ambientes. Eles não convivem juntos, mas quando reunidos numa outra paisagem trazem um novo simbolismo”, diz.

 Em uma das obras, por exemplo, chamada “Paisagem-Montagem”, uma tela de metal tem grudadas fotografias magnetizadas de paisagens e alguns elementos, como fauna e flora. “As pessoas podem modificar a paisagem. O que me atrai é o fato de as pessoas construírem junto”, diz ele, refletindo sobre “ser” artista na contemporaneidade: “Hoje já não somos mais artistas, somos proponentes.”

Homem versus paisagem

Para Fernando Weber, já não é mais possível separar o homem do ambiente. “O corpo também é paisagem e as sensações que têm no ambiente o modificam”, afirma. Nas obras expostas, ele lida com lugares onde o homem ainda não se sobrepôs. Segundo o artista, que se relaciona com paisagens em suas caminhadas, trajetos e lugares de sua rotina, muitas delas estão ligadas à memória e à sensação. Na obra “Cidades Sitiadas” (título inspirado em livro de Clarice Lispector), por exemplo, ele mostra desenhos seus de paisagens de sua memória, dos lugares que visitava na infância. “São desenhos isolados do contexto, em molduras feitas com madeira de demolição (outra maneira de relação com paisagem)”, diz. As molduras foram criadas pelo arquiteto Gabriel Scapinelli.

Também isoladas do contexto, com um branco gritante ao redor, estão outros trabalhos, como “Lugares Flutuantes”, que tem fotos de arquitetura e figuras humanas flutuando em cima de asas de pássaros. Já em “Anunciação”, obra composta três telas, ele apresenta ambientes desérticos ou não habitados que de repente começam a se deslocar. O resultado são cenas surrealistas, até porque, quando começou nas artes, aos 17 anos, por meio do projeto Pretextos, do Sesc, com fotografia, seu foco não eram os eventos cotidianos. “Gosto de uma invenção, do que é fora do comum.” Por isso se vê, em algumas obras, seres flutuantes, isolados e cenas do surreal.

Serviço

O quê: Exposição “(Des)montar Paisagens”, de Fernando Weber
Quando: Hoje, 19h (abertura). Visitação até 7/6, segunda a sexta-feira, das 12 às 19h
Onde: Fundação Cultural Badesc, rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis, tel. 3224-8846
Quanto: Gratuito

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