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Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018
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Exposição em Florianópolis revela o cotidiano de periferias no Nordeste com traços de quadrinhos

“Brésils – regards croisés” é uma parceria entre o brasileiro Ricardo Manhães e o francês Jean-David Morvan

Karin Barros
Florianópolis
Flavio Tin/ND

Ilustrador Ricardo Manhães e a idealizadora da mostra Carolina Coral com uma das obras


Da amizade entre o ilustrador cuiabano Ricardo Manhães, morador de Florianópolis há duas décadas, e o roteirista francês Jean-David Morvan, nasceu a mostra “Brésils – regards croisés”, que fica em exposição no shopping Iguatemi, na Capital, até o dia 30 deste mês. As conversas começaram após um encontro de quadrinistas em Curitiba no ano passado, e continuou via rede social. Ambos são reconhecidos no universo dos quadrinhos franco-belgas.

Morvan tem a prática de viajar pelo mundo sozinho, descobrindo locais diferenciados e os fotografando. De maneira intimista e descontraída, ele registrou o cotidiano das pessoas das periferias nordestinas e enviava para Manhães opinar. Daí surgiu a ideia de uma exposição que casasse as duas artes: a fotografia e a ilustração.

Manhães olhava as imagens e criava novas ilustração de forma gráfica sobre o olhar do estrangeiro. Para Carolina Coral, idealizadora da mostra e mulher do brasileiro, quando Ricardo faz essa interferência, cria outra obra, enfatizando certas coisas que na foto talvez estejam diluídas. “Ricardo coloca a energia e a potência dele nas fotos”, explica ela.

Esta não é a primeira vez que eles trabalham juntos, e de certa forma “Brésils – regards croisés” dá continuidade a outra mostra feita por eles anteriormente, também sobre comunidades. Os olhares cruzados desses artistas convidam a brindar a alegria do homem comum e a valorizar o modo de ser e de viver do povo brasileiro.

A exposição tem a pretensão de passar por outras cidades onde existe a Aliança Francesa, apoiadora do projeto. Na mostra, são dez painéis de Manhães acompanhados por dez fotos de Morvan, onde é possível distinguir bem a interpretação de cada artista sobre o momento registrado.

O local da mostra também foi escolhido como contraponto social do que é apresentado pela dupla. Localizada entre uma famosa loja de chocolates e uma loja de joias, a mostra traz inquietação para quem dificilmente vive situações como as apresentadas nos cliques de Morvan.

Divulgação/ND


Voltado ao social

Ricardo Manhães, 42, trabalha há 14 anos com o mercado europeu de HQ, sempre voltando suas artes para a área do humor, com quadrinhos que lembram o belga “Tintim” e o francês “Asterix e Obelix”, por exemplo. O artista lembra que na Europa, sua obra é muito mais valorizada, assim como a música é no Brasil. Lá, os quadrinhos são bem acessíveis, estão disponíveis em diversas lojas, e são utilizados muito também em ações de comunicação e campanhas publicitárias.

Momento importante da carreira de Manhães é ainda a versão que fez da “Turma da Mônica”, em estilo franco-belga de humor, para o álbum “MSP+50” em homenagem aos 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa, lançado em 2010.

Atualmente, Manhães está voltado a temas sociais e culturais, onde ele vê uma nova perspectiva de retratar o país onde nasceu. “A área do humor para mim já era uma assunto dominado, e eu sempre tive o desejo do humor voltado para o realismo. É um contraponto do registro das tristezas que vemos nas comunidades e o humor e a alegria que esse povo vive lá tem”, explica.

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