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Estudante de design de moda se inspira em video game para coleção apresentada no Octa

Evento de moda da Udesc acontece no dia 12, no Norte da Ilha, e levará 38 alunos

Karin Barros
Florianópolis
04/11/2016 às 15H33
Natalia Hoegen - Vinicius Borges/Divulgação/ND
Coleção de Natalia Hoegen é inspirada nos fazendeiros da décade de 1920 - Vinicius Borges/Divulgação/ND



Vendo os editoriais de moda criados, você nem imagina, mas todos os modelos foram feitos por alunos que estão se formando no curso de design de moda pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), em Florianópolis. As três coleções apresentadas aqui e outras 35 fazem parte do OCTA (Observatório de Culturas e Tendências Antecipadas da Universidade) 2016, que será realizado no dia 12 deste mês, no Oceania Convention Center, no Norte da Ilha.

O evento, que acontece há 13 anos como forma de finalização do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), está no formato atual desde 2011, e ganha cada vez mais visibilidade no mercado da moda catarinense. “O evento é um conjunto de ações, com documentário, revista, catálogo e o desfile, que servem como referência para termos o OCTA, e começa a ser produzido um ano antes com base nos erros do ano anterior, assim a gente vai refinando e aprimorando para melhorar o próximo”, explica Balbinete Silveira, professora e uma das coordenadora do observatório.

 Atualmente, o segmento da moda brasileira totaliza mais de 365 mil empresas de varejo e é detentor de mais de 679 mil postos de trabalho, movimentando quase R$ 10 bilhões em salários. O varejo de moda no Brasil nunca vendeu tanto como nos últimos dez anos. Prova disso é o que o país saltou da sétima para a quinta posição no ranking dos maiores consumidores mundiais de roupas.

Entre os motivos para esse crescimento estão o aumento do varejo de rua, shoppings novos, e-commerce e a agilidade das empresas no lançamento de roupas que são tendências. Nos últimos 10 anos foram erguidos 160 shoppings no país, e, segundo a Conferência ONDM (O Negócio da Moda), que ocorre de 7 a 9 de novembro em Balneário Camboriú, o número de redes de franquias de moda avançou 259% no mesmo período.

No Octa, diversos empresários do ramo acompanham o evento, e a coordenadora afirma que, por uma pesquisa informal, pelo menos 90% dos alunos saem da Udesc e se encaixam no mercado de trabalho com o portfólio do evento. “O curso dá ênfase em criação, e a gente oferece para os alunos capacitação na área de comunicação de moda. Então ele sai apto para trabalhar em uma assessoria de imprensa, publicidade, camarim, produção de moda e beleza, por exemplo. Para que o evento aconteça são necessário 13 grupos de trabalho”, diz Balbinete. 

Todo ano o observatório tem um tema, e esse ano é “sincronicidade”. Uma teoria gerada por Carl Jung, que se comunicava com Einstein por causa da teoria da relatividade, sendo um princípio de ligação não-causal, que liga o mundo psíquico e material.

O OCTA acaba sendo benéfico para pelo menos três nichos: a cidade, a universidade e o aluno. “O aluno sai daqui com um portfólio e uma experiência agregada extracurricular. Com isso, ele é empregado mais fácil, e a universidade já considera o evento como algo institucional, que não está mais no interesse só do departamento de moda. Muitos alunos de outros Estados procuram a Udesc por causa do OCTA”, pontua a professora. O retorno para a comunidade vem por meio da pesquisa de tendências, a oportunidade de ofertar profissionais na área de moda e como um evento de moda que o Estado é carente. O projeto é hoje o maior evento acadêmico de moda nesse formato no país.  

Uma gamer designer

Antoniette Luiza - Daniel Queiroz/ND
Antoniette Luiza, de Ascurra, teve inspiração nos videos games - Daniel Queiroz/ND


A história da coleção de Antoniette Luiza, 27, vem de muito antes da faculdade. Desde pequena, a menina natural de Ascurra era vítima de preconceito por adorar video games e sofria por não ter acesso as novidades dos jogos na cidade pequena do Sul de Santa Catarina. A costura fazia parte da sua vida por ser algo tradicional em sua família, mas sabia fazer apenas o básico.

Casada e morando em Balneário Camboriú atualmente, Antoniette entrou no curso de design de moda destinada a fazer roupas para apaixonados por games como ela. Queria algo que fugisse do que se pode encontrar hoje nas lojas de varejo, como roupas da Marvel e DC Comics. Antoniette queria ter uma roupa para ir trabalhar, participar de uma reunião ou de uma festa com referências dos seus jogos preferidos, e que fosse reconhecível por outro amante dos games nas ruas.

Assim nasce a coleção baseada no jogo “Assassin’s Creed Unity” (2014), uma franquia de nove jogos, que se passa em Paris no século 18 em plena Revolução Francesa, e que no final do ano vai parar nas telas de cinema. “Eu enloqueci com esse jogo, porque adoro a Revolução Francesa, foi um marco em vestuário e comportamento muito grande, uma mudança de pensamento do antigo regime para a liberdade que temos agora”, explicou ela.

Antoniette começou a escrever o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) tentando entender como funcionava a mente do jogador em relação ao vestuário. “Eu precisava passar essa barreira: como um jogador poderia se sentir imerso naquele jogo, mas que pudesse andar normalmente na rua sem sofrer preconceito?”, pensou. Por um momento a coleção seria masculina, até que ela chegou a um dado que dizia que 45% dos jogadores de “Assassin’s” eram mulheres. Por isso, a ideia é que homens possam usar um casaco acinturado e saias, e mulheres roupas mais soltas e menos sexualizadas.

Entre os materiais utilizados estão algodão, elastano, lã e couro, nas cores azul marinho, vermelho marsala e preto. “Modelagem, confecção e achar os tecidos foi desafiador. Aqui no Brasil é muito fraco para tecido de inverno, até que achei em Brusque um tecido 100% algodão que parecia uma flanela, mas isso depois de quase três meses de procura”, conta ela.

“O Octa é um grande evento que a gente sempre espera, e em 2014 eu trabalhei como staff do camarim e foi muito legal. Eu tive a certeza do que queria fazer. É a minha crianção que está indo para as passarelas para as pessoas verem”, afirma ela.  

Coleções que inspiram

Bethania Rezek - Guilherme Dimatos/Divulgação/ND
Bethania Rezek utiliza da tapeçaria em suas peças - Guilherme Dimatos/Divulgação/ND


Para gerar a coleção que vai para passarela, cada aluno faz 150 desenhos, para filtrar 20 que vão para o book de coleção, para só então expor na passarela três modelos, que é chamado de minicoleção. Mas calma, tudo que vai para o OCTA é pensado no fator econômico, no público-alvo e no meio ambiente, fazendo a roupa sair do “fantasia” e ser “usável”. “Na passarela colocamos coisas a mais, para ganhar destaque, brilho, mas tudo pode ser usado tranquilamente”, sintetiza a coordenadora Balbinete Silveira.

A estudante Natalia Hoegen, 23, de Ituporanga, traz sua coleção masculina inspirada em fazendeiros do século 20, principalmente dos Estados Unidos e da Escócia. Entre os tecidos usados está o algodão, lã acrílica e malha. A coleção Formentaos traz ainda a discussão de roupas tabus para homens, como as saias e shorts curtos, misturando o universo feminino e masculino com a estética rural.

Natália optou por cores que também remetem à delicadeza da mulher, como o rosa, azul claro, verde árvore, off-white e o cinza. “O OCTA está sendo um estágio geral, porque a gente não fica só costurando, aprende como faz de tudo um pouco”, diz Natália, que pretende seguir profissionalmente com produção de moda e figurino.

A coleção de Bethânia Rezek, 22, de São José dos Campos, mas moradora de Florianópolis desde 2012, teve como base o festival de arte e cultura Assilah, que acontece no Marrocos, desde a década de 1970, quando a cidade estava declarando falência. As roupas são destinadas a mulheres e tem como ponto alto a inovação textil. Bethânia mistura tapeçaria, ponto cruz e um ponto criado por ela. “A cidade se pinta de branco antes do festival e os artistas repintam. Na minha coleção, usei a tapeçaria com pontos bem largos como se tivesse inacabado que você pode puxar e fazer de novo, como um recomeço, assim com a história do lugarejo”, explicou a estudante.

Nada foi estampado na coleção, são usados apenas os pontos e a textura dos tecidos, que se resumem em cores primárias, rosa, verde, laranja e cinza.

Serviço 

O quê: Octa Fashion 2016
Quando: 12/11, 18h
Onde: Oceania Convention Center,  rua do Marisco, 550, Ingleses do Rio Vermelho, Fpolis
Quanto: gratuito mediante a convite, que pode ser adquirido na secretaria do curso na Udesc

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