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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Espetáculo “Aratemiolé” mescla danças com raízes africanas à estética contemporânea

Apresentação de dança estreia quarta no Célula Dança, em Florianópolis

Carol Macário
Florianópolis

Rosane Lima / ND
Trabalho do teatro Alkmico mescla dança, música e teatro

A cultura afro-brasileira transcende a cor da pele. No espetáculo de dança “Aratemiolé”, que estreia de hoje no Célula Dança, na Capital, quatro atores-bailarinos propõem um diálogo entre as danças tradicionais africanas e afro-brasileiras com a estética contemporânea, e mostram como a cultura pode ir além da raça. O projeto foi idealizado pelo ator, dançarino e músico Luiz Canoa, 43, e tem direção da especialista em dança contemporânea Marta Cesar. A produção é do grupo Teatro Alkmico.

O “Aratemiolé” (da expressão "ara temi olé" que, em yorubá, significa meu corpo vai bem) surgiu a partir da pesquisa sobre as danças tradicionais africanas e afro-brasileiras. São manifestações artístico-culturais que contribuem para a construção da cultura nacional, como capoeira, maracatu, malinkê, cavalo marinho, samba e jongo.

“Juntamos pessoas que já trabalham nessa linha de pesquisa há muito tempo”, afirma Luiz Canoa. E assim se reuniram estudiosos da cultura afro de Florianópolis, entre eles integrantes do grupo de maracatu de baque virado Arrasta Ilha, e do Abayomi, que pesquisa música de matriz africana e afro-brasileira, em especial a cultura Malinkê, presente na Guiné, no Senegal e em Burkina.

O projeto do espetáculo foi contemplado com o 2º Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras, uma parceria entre a Fundação Cultural Palmares e o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves, com o apoio do MinC (Mistério da Cultura) e patrocínio da Petrobras. O resultado do prêmio saiu em abril passado e os ensaios começaram em maio.

Cultura além da raça

Há algum tempo o Teatro Alkmico vem realizando projetos que propõem uma apropriação, um diálogo entre a tradição e a contemporaneidade. Em “Aratemiolé”, quatro atores-bailarinos compõem a cena mesclando elementos de dança, música e teatro. “O desafio não é folclorizar, e sim entender como danças tradicionais podem oferecer uma linguagem contemporânea no palco”, afirma Luiz Canoa, que também atua no espetáculo.

Segundo ele, apresentar no palco danças com raízes africanas também é um desafio, porque são concebidas para apresentações em terreiros, por exemplo. “A tradição popular traz matizes expressivas, que podem ser deslocadas de sua raiz sem perder a identidade e dialogar com a estética contemporânea.”

Dos quatro artistas em cena, três são brancos, um é negro. “A cultura afro-brasileira transcende o tom da pele. É uma cultura indo além da raça. Quando essa cultura pode responder os mistérios da vida é porque tem força”, diz Canoa, para explicar que a identificação com uma cultura ou tradição não tem a ver com pele. O elenco é composto por Alexandra Alencar, Ivan Vendemiatti, Luiz Canoa e Simone Fortes

Projeto pedagógico

O projeto vai além do espetáculo e tem uma proposta pedagógica, com a realização de oficinas e palestras sobre a cultura afro.

Ficha técnica

Concepção: Luiz Canoa
Realização: Teatro Alkmico  
Elenco: Alexandra Alencar, Ivan Vendemiatti, Luiz Canoa e Simone Fortes
Direção: Marta César
Trilha sonora: Leandro Fortes
Cenografia: Ana Pi
Figurino: Suzana de Souza Silvestre
Iluminação: Marcello Serra


Serviço
O quê: Espetáculo de dança “Aratemiolé”
Quando: 12 a 15/9, 20h
Onde: Dias 12 e 13/9 no Célula Dança, rod. João Paulo, 75, João Paulo, Florianópolis, tel. 3209-7819. Dias 14 e 15/9 na Casa das Máquinas, rua Henrique Veras Nascimento, 50, Lagoa da Conceição, tel. 3232-1514
Quanto: R$ 20 / R$ 10 (meia)

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