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Segunda-Feira, 12 de Novembro de 2018
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Espetáculo apresentado em Florianópolis faz ponte entre música portuguesa e discussões atuais

O show "Fados, Cravos e Rosas", que ocorre sexta-feira, será interpretado por Jana Gularte

Karin Barros
Florianópolis
Flavio Tin/ND
Luiz, Jana, Pedro e Larissa se uniram para a apresentação


Em resumo, o fado está para Portugal assim como o samba está para o Brasil. A música, considerada patrimônio da humanidade pela Unesco desde 2011, foi uma canção de resistência durante o período salazarista. Tudo sobre o assunto é muito lendário, teoria, nada é comprovado, mas sabe-se que nasceu nos locais mais pobres do país europeu. O fado, datado do século 19, passou por vários processos, e falava do cotidiano do povo, das paixões, dos ciúmes, reclamações da vida e do governo.

Foi vendo essa semelhança histórica, a relação atual de preconceito, discussão de gênero, e de pobreza que nasceu o espetáculo “Fados, Cravos e Rosas”, com Jana Gularte nos vocais, sob direção de Tatiana Cobbett. O show, que acontece nesta sexta-feira, no Teatro Álvaro de Carvalho, em Florianópolis, reúne ainda os músicos Pedro Loch (violão de aço), Luiz Sebastião (violão sete cordas) e Larissa Galvão (flauta), tudo para fugir do convencional. “Quando as pessoas pensam em um fado, imaginam uma mulher cantando, uma guitarra portuguesa e no máximo um bandolim. Algo melancólico. Nós teremos duas mulheres no palco e essa junção de instrumentos, além da declamação que não é usual no universo fadista, que também implicam no atual momento histórico”, explica a diretora Tatiana, sobre a os poemas de Elisa Lucinda, que atentam para o preconceito à mulher, e Álvaro de Campos, que serão apresentados.

“Cravos”, no título do show, segundo Tatiana, vem para remeter à Revolução dos Cravos, que foi um momento em que o fado foi muito usado. Já a palavra “Rosas”, traz a ideia de romantismo, além de ser uma flor universal, que todos conhecem. A cantora Jana, 36, enfatiza que o fado dá muito destaque à voz do intérprete. “Existe uma grande valorização da voz por conta da linha harmônica muito simples, além da melodia, por isso é mais fácil prestar atenção no que está sendo falado”, atenta ela ao show de 12 músicas, com 70 minutos de duração.

Jana já tinha em sua carreira uma ligação com Portugal, quando passou três meses no país, cantando, na adolescência. “A referência está nela. Ninguém teve uma ideia e escolheu o fado aleatoriamente, tudo aconteceu a partir do processo dela, da interpretação”, diz a diretora. De volta ao Brasil, esta nova bagagem musical resultou em shows de fado e música folclórica portuguesa em várias cidades no sul do país. Entretanto, com a música brasileira seu contato é mais intenso. Já realizou tributos a Elis Regina, Marisa Monte, Rita Lee, Tom Jobim e Vinícius de Moraes, além da experiência em várias bandas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Em 2015, em sua estreia no Carnaval de Florianópolis, conquistou o prêmio de melhor intérprete e o primeiro lugar no Concurso Municipal de Marchinhas com a marcha-rancho “Carnaval da transformação”. Sobre a reunião de músicos, o projeto acabou dando vida ao coletivo Força Tarefa. “Não é fácil encontrar um grupo de músicos dispostos a essa entrega, pesquisar a melodia, arranjos, a rítmica, e entender que cada nota tem uma razão de ser”, conta Tatiana, feliz com o resultado.

Serviço

• O quê: “Fados, Cravos e Rosas”, com Jana Gularte
• Quando: 29/4, 20h30
• Onde: TAC, rua Marechal Guilherme, Centro, Fpolis
• Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia)

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