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Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
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Espaços de dança em São José e Florianópolis atraem público que curte dançar samba e forró a dois

Com pouca divulgação, esses bares, restaurantes e salões são divulgados no clássico e barato "boca a boca"

Karin Barros
Florianópolis
Marco Santiago/ND
No Bar DeRaiz, localizado na passagem que leva à praia da Joaquina, o pessoal que curte forró costuma ir às terças e quem prefere o samba vai aos domingos


A dança traz flexibilidade para quem pratica, melhora do condicionamento aeróbico, aprimora a coordenação motora e auxilia na perda de peso, além de ter benefícios psicológicos, como trazer alegria e combater a timidez. Se a dança sozinha já é cheia de pontos positivos, dançar a dois pode ser ainda mais prazeroso.

Em Florianópolis, diversos espaços de dança são direcionados para um bailar a dois; para um momento em que os corpos são capazes de seguir o mesmo ritmo, na mesma batida. Para o professor de dança, Fabiano Silveira, na área há 16 anos, a dança é como um ritual. “Em baladas “normais”, as pessoas não se aproximam, não se comunicam e não entretém os corpos. Falta relação interpessoal. Com a dança a dois podemos conhecer o parceiro por outros sentidos, como o cheiro e o toque. Se você dança, não precisa falar nada”, explica o professor.

Esses espaços de dança, que se dividem entre bar, restaurante e salões, quase não investem em divulgação – característica que ocorre em outros Estados do país, como se fossem locais “secretos”. Além das redes sociais, em que utilizam fanpages e grupos fechados para aviso das bandas da semana, o esquema funciona bem no tradicional e barato “boca a boca”. No Bar DeRaiz, localizado na passagem que leva à praia da Joaquina, o pessoal que curte forró costuma ir às terças e quem prefere o samba vai aos domingos. Outros lugares bem lembrados pelos adoradores da dança à dois são: São Jorge Bar e Eventos, no Itacorubi, Rancho do Neco e a Casa do Sambaqui, no Sambaqui.

Todos os lugares têm basicamente a mesma coisa: bebida gelada, som de qualidade, um palco para a banda e, claro, um bom espaço para dançar por todo o salão. No Bar DeRaiz, a estudante de biologia Bruna Gomes de Barros, 24, na última terça-feira foi pela primeira vez e não ficou muito tempo sentada. “Frequento outros lugares de dança a dois. O clima é sempre legal, e não espero ninguém me puxar para a pista. Aqui ninguém fica parado”, brinca ela.

Marco Santiago/ND
O sanfoneiro Marcos Lelê e a mulher Looren Danna. Antes de tocar, uma dança

 

Zabumba, triângulo e sanfona

O forró da Joaquina - que abre às 23h, mas começa a encher mesmo 0h30 - é conhecido pela boa música, e pelo ritmo gostoso que entoa da zabumba, triângulo e sanfona, instrumentos nada tradicionais do Sul do país, mas típicos no forró. A casa recebe até 500 pessoas por noite no verão. A banda Erva Rasteira, uma das mais antigas da Capital, com 16 anos de existência, é uma das que atraem os admiradores do ritmo nas casas que trazem a proposta. “Venho com a minha mulher tocar, danço um pouco com ela antes de ir para o palco, e depois ela dança com outras pessoas. O forró é muito tranquilo. As pessoas bebem pouco e quase não brigam nesses tipos de festas. O público é pequeno, mas participativo”, observa Marcos Lelê, sanfoneiro do grupo.

Marco Santiago/ND
A estudante Bruna Gomes de Barros chegou e foi rapidamente tirada para dançar


Quem procura pelo Bar DeRaiz é porque realmente quer curtir o local. “Nós saímos da Osni Ortiga [na Lagoa da Conceição] há 12 anos, onde tínhamos outra casa. Ficamos com medo de vir para cá e ser muito recluso. Mas para esse público que gosta de forró e samba, esse nunca foi o problema”, comemora Mirela Karpes, 54, uma das três sócias do local, e cantora da banda de samba de casa.

De acordo com Thiago Bonadio Alves, 36, também sócio, o número de bandas de forró aumentou significativamente depois da criação das casas. “A gente não consegue mais colocar todas em um mês só. Falta espaço agora”, conta ele, explicando que a maioria é formada por estudantes e pessoas que migram de outros Estados. O músico Rodrigo Basílio, 33, está em todos os forrós da cidade. Se não for para tocar, é para dançar. “Tem muita alegria nesses lugares. É uma energia compartilhada”, conta.

Flávio Tin/ND
Juliana Figueredo e o professor e bailarino Fabiano Silveira. Na sua escola de dança, ele criou uma noite para dançar samba


De portas abertas

Um dos estilos de samba tocados em Florianópolis é no formato de roda, onde diversos músicos, independente de banda, se reúnem com apenas um intuito: relembrar lendas do ritmo, como Noel Rosa, Beth Carvalho e Dorival Caymmi. Isso acontece, por exemplo, no Essencial Choperia, em Santo Antônio de Lisboa, e na Casa de Verônica, no Saco dos Limões.

Em ambos os locais, a alegria toma conta quando puxam uma cadeira, uma cavaco, um pandeiro e um rebolo. Na Casa de Verônica, é ela mesma, a Verônica Kimura, que também é sambista, que se responsabiliza pelos vocais na companhia de seus “oficineiros”. A casa funciona durante a semana com educação musical, e faz eventos pontuais, cerca de duas vezes ao mês para dar vazão as atividades promovidas. “É uma oportunidade dada aos alunos de apresentarem o que aprenderam nas oficinas. Vem muita gente de fora, além dos familiares. É um público que conhece bem o repertório e sempre canta e dança junto”, diz Verônica sobre o espaço que cabe até 130 pessoas e que fica anexo a sua casa.

Para a cantora, existe grande público para o samba, embora ele se repita na maioria das casas. “Tem pequenas variações de um local para o outro, mas os que vão apreciam muito o ritmo e vão mesmo para dançar, porque é um ritmo de se dançar junto”, ressalta Verônica. O músico Luiz Sebastião, 39, que também faz parte das rodas de samba que acontecem na cidade, acredita que é junção do espaço e do ritmo que transforma a energia do lugar. “O samba é um ritmo altamente dançante, mas acredito que se for samba, bolero, forró ou baião, o local não importa tanto, mas sim o gênero musical”, afirma. 

Democráticos e atrativos

O samba tem vez ainda no Praça 11, em São José,  e também no São Jorge, no Itacorubi, na Casa de Noca, na Lagoa da Conceição, no Centro Cultural Fabiano Silveira, no Centro, e no Racho do Neco, ponta do Sambaqui.

O Praça 11, com 13 anos de existência, é hoje considerado um dos redutos do samba no país, de acordo com Amarildo Soares Silveira, 47, proprietário do espaço e do Confraria Musical.com, que também tem noites de samba no município, além do sertanejo e músicas dos anos 1980. Pessoas de todos os Estados vão até o Praça 11, inserido em um casarão centenário tombado, conhecer o autêntico samba de raiz, que é tocado por bandas da “velha guarda”, como o Número Baixo, Novos Bambas e Bom Partido. No local cabem até 1.500 pessoas.

“O Praça 11 é bem democrático. Funciona como restaurante durante a semana, e nos finais de semana abre das 14h às 21h. É um horário familiar, por isso atrai tanta gente. Florianópolis tem muita qualidade musical no samba. Estamos bem servidos”, diz Amarildo.

No Centro Cultural Fabiano Silveira, são as quartas-feiras que são dedicadas ao samba, com o Boteco de Quarta. No evento é oferecido cerveja, caipirinha e choripan (pão com linguiça). O samba corre solto a partir das 19h, e não precisa ser profissional para isso.

Apesar do Centro Cultural funcionar também como escola de dança, Fabiano alerta que não fica em cima dos clientes para que dancem conforme as “normas”. “Deixo as pessoas livres para curtirem a noite. Não é uma aula, é diversão mesmo. Ultimamente tem ido muitas pessoas que nunca fizeram aula”, lembra ele. A casa pode receber até 500 pessoas e abre também para festas organizadas por Fabiano em um domingo por mês, para tango e bolero, e uma vez por mês aos sábados, para um bailinho de diversos ritmos.

 

Marco Santiago/ND
Rodrigo Basílio e Juliana Prats dançam juntos no forró da Joaquina


Confira lugares para dançar a dois:

Casa da Verônica - Espaço de Cultura Afro-brasileira, rua Aldo Alves, 125, Saco dos Limões, Florianópolis, datas pontuais, R$ 15

Casa do SambAqui,  rodovia Rafael Rocha Pires, 2.737, Sambaqui, Florianópolis, de sexta a domingo, R$ 15 

Rancho do Neco, rua Gilson da Costa Xavier, 2.919, domingo, R$ 25

Bar DeRaiz, avenida Prefeito Acácio Garibaldi San Thiago, Praia da Joaquina, Florianópolis, terça, sexta, sábado e domingo, R$ 15 (fem) e R$ 20 (masc) (até 0h)

Centro Cultural Fabiano Silveira, travessa Albertina Ganzo, 33, Centro, Florianópolis, toda quarta, um domingo e uma sexta por mês, R$ 10 

São Jorge Bar e Eventos, rod. Admar Gonzaga, 2.589, Itacorubi, Florianópolis, sexta e sábado, R$ 17 (até a 1h)

Confraria da Música.com, rua Constâncio Krummel, 1.010, Praia Comprida, São José, de quinta a sábado, R$ 10 (fem) e R$ 15 (masc)

Essencial Choperia, rod. José Carlos Daux, 9.090, Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis, sexta e sábado, gratuito até as 22h, após R$ 20

Casa de Noca, avenida das Rendeiras, 1.176, Lagoa da Conceição, Florianópolis, de quarta a domingo, a partir de R$ 20 

Praça 11, rua Constâncio Krumel, 1.894, Praia Comprida, São José, sábado e domingo, valor de acordo com o show

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