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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Escritor Salim Miguel é internado em estado grave em Brasília

Aos 92 anos, autor de mais de 30 livros chegou para fazer exames na quarta-feira e foi parar na UTI

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis

O escritor Salim Miguel, autor de mais de 30 livros, está internado em estado grave no hospital Santa Luzia, em Brasília (DF). De acordo com a família, ele deu entrada na noite de quarta-feira (6) na casa de saúde para um exame, já que apresentava sintomas de pneumonia.

Algumas horas depois, na madrugada de quinta-feira, o hospital se negou a dar alta, alegando a situação de debilidade do paciente. Segundo Eglê Malheiros, mulher de Salim, enquanto os familiares tentavam resolver o impasse, os enfermeiros o entubaram e ele foi conduzido à UTI (Unidade de Terapia Intensiva), onde se encontra até o momento.

Taciana Iizuka/ND
Salim tem 92 anos e atualmente está morando em Brasília

 

“Queríamos que Salim fosse tratado em casa, por médicos e enfermeiros, com a atenção da família”, disse Eglê, ao telefone. Agora, ele tem direito a apenas uma visita diária de 15 minutos, o que revoltou os familiares. Aos 92 anos, o escritor reside na capital federal, onde moram três de seus quatro filhos, desde o início de 2014. Há quatro anos, ele teve um acidente vascular cerebral e sofreu uma queda em sua casa, em Florianópolis, foi internado e chegou a entrar em coma, mas recuperou-se, embora com sequelas.

Salim nasceu em Kfarsouroun, no Líbano, em janeiro de 1924 e veio para o Brasil com três anos. Seus pais se instalaram em Biguaçu, na Grande Florianópolis, onde o filho cresceu – e onde ambientou uma boa parte de sua obra literária. O primeiro livro, “Velhice e outros contos”, foi publicado em 1951. Ao lado de Eglê Malheiros, professora, ensaísta e escritora, e de um grupo de intelectuais da Ilha de Santa Catarina, criou o Grupo Sul, que revolucionou o meio cultural local com ideias que os modernistas já haviam disseminado nos anos de 1920 no centro do país.

Salim Miguel também fez roteiros para o cinema e participou da realização de “O preço da ilusão”, o primeiro longa-metragem catarinense, na década de 50. Como jornalista, trabalhou na revista “Manchete”, foi crítico literário do “Jornal do Brasil” e militou ao lado de grandes nomes da imprensa e da literatura na edição de suplementos culturais cariocas. Antes de se mudar para o Rio, ele foi preso em Florianópolis em abril de 1964, sob alegação de ter vínculos com opositores ligados ao Partido Comunista.

De volta a Santa Catarina, a partir de 1979, dirigiu a editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC) e a Fundação Franklin Cascaes, braço cultural da Prefeitura Municipal de Florianópolis. A trajetória e a produção de Salim Miguel valeram-lhe distinções como o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (2010), pelo conjunto da obra, o título de Doutor Honoris Causa da UFSC (2002) e o Prêmio Juca Pato – intelectual do ano, da União Brasileira de Escritores (2002), entre outras.

Também foi premiado pelos livros “Nur na escuridão” e “Primeiro de abril – Narrativas da cadeia” – este, traduzido para o francês por Luciana Rassier e Jean-José Mesguen em 2007. O último livro que publicou foi “Nós”, série de narrativas policiais, que a EdUFSC lançou em 2015.

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