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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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Escritor Júlio de Queiroz morre em Florianópolis aos 90 anos

O corpo será velado na Academia Catarinense de Letras na tarde desta segunda-feira

Redação ND
Florianópolis
Flavio Tin/Arquivo/ND
Ele produzia e refletia temas atuais e da Igreja

 

O escritor, filósofo e tradutor Julio de Queiroz, de 90 anos, morreu na manhã desta segunda-feira (30), no Hospital de Caridade, em Florianópolis. De acordo com informações da Academia Catarinense de Letras, ao qual fazia parte, ele teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) há duas semanas e ficou muito fraco.

"Foi uma grande perda como pessoa e como escritor. Queríamos ficar com ele até os 120 anos", disse Ana Bessa, secretária da Academia. Ele escreveu livros, como “Morrer para principiantes e remetentes” (EdUFSC, 2008) e “Amor e morte – Os dançarinos da vida” (Edifurb, 2013), além de outros 23, e teve pelo menos 15 premiações na carreira.

O velório de Júlio ocorre das 13h às 17h, na Academia Catarinense de Letras, avenida Hercílio Luz, 523, Centro da Capital. Em seguida, o corpo será levado ao crematório de Balneário Camboriú.

Confira depoimentos sobre a vida e obra de Julio de Queiroz:

Convivemos durante muitos anos, era uma relação de respeito e admiração. Estamos tristes com a perda, porém confortados com o exemplo do ser humano que foi o Julio. Ele ocupava a cadeira de número 10 da ACL, era um dos membros mais antigos, e mesmo na velhice, participou ativamente da vida acadêmica, chegando a ser recentemente secretário e vice-presidente da entidade. Era um profissional atuante e humilde, de grande acuidade intelectual. Sua maior riqueza era esse jeito de escrever”,

Lélia Pereira Nunes, escritora e secretária-geral da Academia Catarinense de Letras

Tínhamos uma afinidade intelectual muito grande. Julio integrava a ACL há cerca de 30 anos. Era um homem muito doce, afável e inteligente. Era uma das pessoas de Santa Catarina que melhor conhecia as obras de Shakespeare, um especialista do escritor. Recentemente li dois livros dele, que tratavam sobre a morte e o Alzheimer, duas obras fantásticas. Era um homem de uma cultura muito vasta. Também foi secretário particular do governador Colombo Salles em Brasília, era responsável por escrever os discursos dele”,

Salomão Ribas Jr, escritor e atual presidente Academia Catarinense de Letras

Tínhamos uma amizade no plano afetivo e intelectual. Julio foi um escritor primoroso, um contista de primeiro plano e um dos grandes tradutores dos poemas de Shakespeare no Brasil. Era um homem devotado à cultura, extremamente gentil e doce. Ele chegou a ser padre durante muitos anos, pertencia à ordem de beneditinos. Chegou a passar anos em um convento, mas deixou a ordem há um bom tempo. Além de dominar o inglês, dominava também o alemão. Publicou mais de 30 livros em sua vida, entre contos, crônicas e poemas. Nessa fase terminal de vida, chegou a fazer ensaios sobre a morte, ele tinha um lado humano muito forte nele. Era humanista e cristão, mas ainda sim tinha um espírito critico muito forte. Possuía um texto impecável conhecia profundamente a língua portuguesa. É uma perda lastimável para a cultura e literatura não só de Santa Catarina, mas nacional”,

Péricles Prade, escritor e integrante da Academia Catarinense de Letras

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