Publicidade
Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 26º C
  • 18º C

Escritor Altair Martins fala sobre a carreira de contista e seus prêmios na literatura

Ele é um dos convidados no Festival Nacional do Conto, que acontece no Sesc, em Florianópolis

Karin Barros
Florianópolis
Rosane Lima/ND
Altair Martins tem nove livros publicados, além de traduções e participações em outras obras

Aos 19 anos, com o prêmio do primeiro concurso internacional que participou, o escritor Altair Martins comprou o primeiro computador. Desde então, nove livros, entre romance e conto, já foram escritos. A lista de prêmios é imensa, e entre eles estão Prêmio Luiz Vilela, Prêmio Jabuti, Prêmio Açorianos e Prêmio Moacyr Scliar, um dos mais importantes do gênero. Além disso, o porto-alegrense de 40 anos é professor de literatura, escreve peças teatrais, é mestre em literatura brasileira, e, atualmente, graduando em história da arte.


Martins é um dos convidados do Festival Nacional do Conto, que ocorre em Florianópolis desde terça-feira e segue até este domingo (24). O autor está na programação como entrevistado e mediador de bate-papos, e amanhã, sábado e domingo ministra uma oficina de conto gratuita. O exercício
busca promover o estudo teórico e prático do conto, ampliando as possibilidades de criação da narrativa em prosa, passando por elementos como narrador e personagem.

O autor é completamente entregue aos estudos, e quando perguntado como se vê dentro de 30 anos, ele diz que espera estar estudando e aprendendo muito ainda. O amor pela literatura, segundo ele, começou no segundo ano do colégio estadual Cândido José Godói, no Rio Grande do Sul, nas aulas do professor Oliveira Ferreira da Silveira, responsável pelo Dia da Consciência Negra no Brasil. “Ele [o professor] lendo um texto parecia que mudava completamente o mundo, e até então professores que
não tiveram aquela competência faziam a literatura ser algo sem graça”, contou Martins.

A cada graduação que o escritor alcançava, um livro era escrito. O primeiro foi durante a faculdade de letras, em que escreveu “Como se moessem Ferro”, em 1999. Em seguida veio “Dentro do olho dentro”, em 2001, que foi publicado depois de ter vencido, como conto inédito, o Prêmio Luiz Vilela de 2001, sob o formato de livrinho de bolso. Mas apenas depois do conto “Se choverem pássaros”, de 2002, veio o primeiro romance, “A parede no escuro”, em 2008. O livro obteve os prêmios São Paulo, Açorianos, AGES (Associação Gaúcha de Escritores), além de ser finalista do Jabuti.

“Acho fundamental intercalar romance e conto. Porque pra mim o romance é uma maratona, e o conto é prova de 100 metros rasos. Sair de um ritmo para o outro higieniza a cabeça da gente”, definiu o escritor.

Sobre o festival

O Festival Nacional do Conto é o único dedicado às narrativas breves da América Latina e este ano homenageia o Nordeste, por meio do baiano Hélio Pólvora, que morreu no dia 26 de março deste ano. O conto é um dos gêneros literários mais populares do mundo, conhecido pela brevidade e profundidade. “Esse ineditismo chama atenção de todos os escritores. Frequentemente, no Uruguai e na Argentina, as pessoas falam de Santa Catarina por causa do festival”, conta Altair Martins, convidado do evento.

Altair explica ainda que o gênero conto foi muito forte nos anos 1970, mas foi perdendo força, e atualmente, prêmios importantes como o Moacyr Scliar, estão deixando de acontecer por falta de investimento. A maioria hoje em dia é para o romance, as narrativas longas. Para o escritor, um dos maiores teóricos de conto é Charles Kiefer, que esteve na quarta-feira participando do festival. Ele é professor da PUC-RS, e analisa e discute a história do gênero, fazendo uma mescla das teorias possíveis. “Nós temos notado que muita gente está interessada em saber os meandros do conto, porque o conto é muito difícil de ler. Eu costumo dizer que a poesia fala com os deuses, depois vem o conto. O leitor de conto é bem mais sofisticado, pois se exige dele uma sutileza de leitura”, finalizou Altair Martins.

O quê: 5º Festival Nacional do Conto

Quando: de 19 a 24/5
Onde: Teatro Sesc Prainha, travessa Siryaco Atherino, 100, Centro, Florianópolis 
Quanto: gratuito
Saiba mais: www.festivalnacionaldoconto.com.br

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade