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Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
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Escola do Teatro Bolshoi de Joinville inicia ano letivo com 63 novos alunos

Futuros bailarinos dividem a carga horária da escola tradicional com as aulas na escola de dança

Windson Prado
Joinville
Fabrício Porto/ND
Olhares alegres e impressionados em meio ao novo desafio, no primeiro dia de aula

 

Eles são pequenos, a maioria tem entre 9 e 11 anos. Como todas as crianças que chegam a uma nova escola, a garotada está animada, ansiosa, um tanto nervosa com as novidades e os desafios que os aguardam. Muitos vieram de longe. Tem até gente do Paraguai. Em comum, em meio à bagagem, o sonho de se tornar bailarino profissional. Todo início de ano na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil é assim. Divididos em duas turmas, uma de meninos e outra de meninas, os principiantes na arte do balé conhecem a escola, os professores, as normas e a rotina que irão enfrentar pelos próximos oito anos. Em 2016, são 63 novos alunos selecionados, destes 40 compõe a primeira série.

Para muitos, estar tão pertinho dos mestres e ícones nacionais e internacionais da dança é um sonho antigo. Este é o caso da paulista Maria Eduarda Rodrigues Sicheirolli, de 9 anos. Por dois anos ela praticava balé e capoeira na cidade de Campo Limpo Paulista (SP). O sonho de frequentar a única escola do famoso Teatro Bolshoi fora da Rússia era antigo. Esforçada, ela foi pré-indicada para fazer a seletiva em Joinville. “É um sonho realizado. Para chegar aqui, contei com muito esforço e a ajuda de amigos. Juntos, arrecadamos dinheiro para a viagem. A notícia da aprovação veio no caminho de volta à São Paulo. Pensa na minha alegria”, brinca a nova integrante da Escola. “Estou começando uma fase única na minha vida. Adorei o Bolshoi e este primeiro contato com os professores. Esta é a minha nova casa quero aprender muito aqui”, disse Maria com os olhos brilhantes.

O pai da menina é mecânico, a mãe é dona de casa. A aprovação na seleção fez com que a família toda mudasse para Joinville. “Primeiro veio meu pai, que procurou uma casa para gente morar e um novo trabalho. Hoje ele é funcionário da GM. Há um mês veio eu, minha mãe e minha irmã. É uma nova vida que começamos juntos aqui”, finaliza a garota.

Fabrício Porto/ND
Maria Eduarda Rodrigues Sicheirolli, 9 anos, veio de Campo Limpo Paulista

 

De Rio do Sul, aluno precisou enfrentar enchente para fazer seletiva

Já Ítalo Batista Riboski, 10, nunca tinha sonhado em dançar. Subir aos palcos, ou fazer parte do Bolshoi em Joinville jamais passou pela cabeça do menino. Ele morava com mãe e a irmã em Rio do Sul, e veio fazer o teste para a Escola do Teatro Bolshoi meio que por acaso. E não é que o rapazinho passou na disputada seleção. “Foi minha flexibilidade. Consigo fazer isso, isso e isso”, mostra animado o novo aluno fazendo gestos de alongamento com mães e braços. “Minha mãe viu na televisão que iria ter o teste e me mostrou. Achei bacana, resolvi tentar. O difícil foi chegar aqui, porque na época dos testes, minha cidade passava por uma enchente. Não dava nem para sair de casa. Amigos nos ajudaram e com muito esforço e desvios conseguimos chegar a Joinville. Aqui fiquei apaixonado pela Escola e consegui ser aprovado”, lembra Ítalo.

Há poucas semanas em Joinville, o espontâneo garoto diz estar animado com os novos desafios. “Estou gostando de tudo isso, sei que estudar no Bolshoi será um diferencial muito grande na minha vida. Aqui terei muitas oportunidades e vou começar uma carreira de sucesso”, finaliza o garoto que é filho de policial civil e uma dona de casa.

 

Rotina, benefícios e família

Fabrício Porto/ND
No Bolshoi, os alunos não pagam nada para estudar e ainda recebem benefícios

 

Os alunos do Bolshoi têm uma rotina agitada. Eles dividem a carga horária da escola tradicional com as aulas na escola de dança. Tudo é gratuito. Os alunos recebem benefícios como alimentação, transporte, uniformes, figurinos, assistência social, orientação pedagógica, assistência odontológica preventiva, atendimento fisioterápico, nutricional e assistência médica de emergência/urgência pré-hospitalar. Mas os gastos com moradia e alimentação fora da escola precisam ser custeados pela família.

Os alunos recebem educação, aprendem uma profissão, exercitam responsabilidade e constroem cidadania. Se dentro da Escola eles começam a dar seus primeiros passos no Bolshoi, do lado de fora, algumas mães aflitas e orgulhosas acompanhavam o primeiro dia de aula dos filhos. Márcia da Cruz, 50 anos, era uma delas. Mãe de seis filhos, a empregada doméstica deixou os mais velhos com parentes em São Paulo para realizar o sonho do caçula, Kaique Cunha da Cruz, 10. “Ele sempre foi apaixonado pela dança. Eu não dava muita bola para isso, até porque passava o dia fora de casa, fazendo faxina na casa dos outros e, à noite, estudando. Estou fazendo faculdade de Enfermagem. Mas os diretores de um projeto social em que ele participava me procuraram e falaram que deveríamos investir. Viemos para cá, juntando dinheiro de amigos e doações das minhas patroas. Ele foi aprovado. Hoje chegamos de mudança, com a fé e vontade de fazer este sonho do meu filho virar realidade”, diz emocionada.

Ao lado dela, Antônia Nogueira, 50 anos, também acompanhava o primeiro dia de aula do filho. “Hoje vim ver como é, meu menino vai ficar aqui com uma mãe social, porque não temos condições de nos mudar. Vai ser difícil ficar longe dele, mas vai ser bom para o futuro. Este é o sonho dele, este virou meu sonho”, completa. 

Fabrício Porto/ND
Mães aguardam o primeiro dia de aula dos filhos aflitas e emocionadas, do lado de fora da Escola Bolshoi
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