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Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
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Entusiastas do folclore brasileiro celebram em 31 de outubro o Dia do Saci-Pererê

Já viu algum? Dizem que nascem no bambuzal, depois de sete anos de gestação, já pernetas e prontos para brincar

Carol Macário
Florianópolis

Mendes / ND
Guardião da floresta, o saci nasce no bambuzal e vive por aí "atentando" a vida dos outros

Toda vez que bate o vento no bambuzal e de lá vem aquele barulho “quéc-quéc” é um saci que nasce. É assim mesmo que eles vêm ao mundo, de dentro dos caniços, depois de sete anos de gestação (depois que vêm ao mundo vivem 77 anos “atentando” a vida dos outros). Florianópolis está cheio deles. Onde tem bambuzal, lá tem saci. “No Campeche, ali perto da rua da Capela, já vi muitos”, garante a jornalista Elaine Tavares. Dizem que já nascem pernetas – há inclusive estudos sobre a predominância genética dos sacis de perna esquerda ou perna direita – e prontos para fazer estripulias. Se hoje você ver algum por aí não se espante, afinal é o Dia do Saci, e se eles já são brincalhões por natureza, não é hoje que vão se comportar.

A data não é oficialmente celebrada em todo o Brasil, mas entusiastas do folclore e da cultura nacional comemoram o dia 31 de outubro como sendo o Dia Nacional do Saci-Pererê, em contraposição ao Halloween, o Dia das Bruxas, tradição herdada dos Estados Unidos e Irlanda. Hoje, na Capital, a Esquina Democrática (calçadão das ruas Felipe Schmidt e Deodoro) sedia uma festa de saci, onde serão contadas histórias do moleque perneta. Haverá distribuição de botons e informações sobre a simbologia do saci, que além de brincalhão é também um guardião da floresta.

O evento é realizado desde 2004 em Florianópolis, promovido pelo Sintrajusc (Sindicato dos Trabalhadores no Poder Judiciário Federal do Estado de Santa Catarina) e apoio do Sintufsc (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Santa Catarina) e da revista Pobres e Nojentas. “O Saci-Pererê é a própria rebeldia, a alegria, a liberdade”, define Elaine Tavares.

Para a professora de língua portuguesa Eliane Vandresen, 43, o Brasil vem ao longo dos anos se autoafirmando em termos de cultura nacional e ter uma data para celebrar um mito brasileiro é fundamental. “Não é menosprezar a cultura estrangeira, mas valorizar o Brasil. E acho que temos dívidas com os grupos étnicos que já viviam no Brasil antes da colonização portuguesa, de quem herdamos muitos mitos – alguns que para nós são alegorias, mas que têm significado de crença forte para eles”, diz.

Monteiro Lobato difundiu o mito

Monteiro Lobato (1882 – 1942) foi quem ajudou a difundir o folclore brasileiro com as histórias passadas no “Sítio do Pica-pau Amarelo”.  É do Tio Barnabé, personagem criado pelo escritor, uma das melhores descrições das estripulias do saci: “é um diabinho de uma perna só que anda solto pelo mundo, armando reinações de toda sorte: azeda o leite, quebra pontas das agulhas, esconde as tesourinhas de unha, embaraça os novelos de linha, bota moscas na sopa, queima o feijão que está no fogo. O saci não faz maldade grande, mas não há maldade pequenina que não faça.”

As origens e nomes do saci variam de acordo com a região do Brasil, basicamente são três: o Pererê, que é pretinho; o Trique, moreno e brincalhão; e o Saçurá, que tem olhos vermelhos. A lenda data do fim do século 18, quando as amas-secas e caboclos-velhos assustavam as crianças com os relatos das travessuras dele.

Segundo a história, saci nasceu índio, era guardião da floresta, encantador de crianças e adultos que perturbava o silêncio das matas. Quando os negros africanos vieram para o Brasil, trazidos como escravos e carregando consigo suas próprias crenças, juntando ainda a superstição dos brancos, o saci tornou-se negro, ganhou um gorro vermelho e um cachimbo na boca.

Já viu um saci?
Na página da Sociedade dos Observadores de Saci é possível contar suas histórias de visões do saci: http://www.sosaci.org/

Saiba mais:

O Dia do Saci consta do projeto de lei federal nº 2.762, de 2003 (apensado ao projeto de lei federal nº 2.479, de 2003), elaborado por Aldo rebelo (PCdoB-SP) e Ângela Guadagnin (PT -SP), com o objetivo de resgatar figuras do folclore brasileiro.

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