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Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
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Youtuber Christian Figueiredo é sucesso em produção de vídeos e lança novo livro

O blumenauense se prepara para chegar ao cinema com a adaptação de "Eu Fico Loko", seu primeiro livro

Gustavo Bruning
Florianópolis
Divulgação/ND
Christian diz que se sente mais confortável para falar sobre determinados assuntos nos livros

 

Com 21 anos, o blumenauense Christian Figueiredo é um dos youtubers (paralelamente chamados de vlogueiros) nacionais que mais vêm ganhando espaço na mídia nos últimos meses. E com razão: o criador do canal Eu Fico Loko – que acumula mais de 3,8 milhões de inscritos e 250 milhões de visualizações – foi além da produção de vídeos para a internet. Ele mora em São Paulo desde os três anos e já lançou dois livros, inspirados nas aventuras vividas na infância e adolescência, e em breve estrelará uma adaptação para o cinema do primeiro volume.

Em novembro, Christian veio a Florianópolis divulgar seu livro mais recente, “Eu Fico Loko 2: As histórias que tive medo de contar”. Após passar por Blumenau e Joinville, o jovem foi recebido na Livrarias Catarinense do Continente Shopping por uma multidão de fãs em euforia – a maioria, garotas pré-adolescentes –, que esgotaram as 400 senhas da sessão de autógrafos antes mesmo do início do evento. O Plural entrevistou o fenômeno da internet e conversou sobre a produção dos vídeos.

Plural – Quando criança, você costumava pegar a câmera de vídeo da sua mãe e imitar cenas de filmes. O que impulsionou o seu contato inicial com os vídeos?

Christian Figueiredo – Foi a criatividade e o acesso ao equipamento. Acho que a minha mãe ter a câmera digital naquela época foi essencial. A câmera, com a criatividade, resultou no que eu sou hoje. Se não tivesse aquele treino no começo, hoje eu não estaria preparado para fazer o que faço.

Plural – Quais foram as suas motivações para criar o canal em 2010?

Christian - Foram os amigos próximos. O resto falava mal e a classe zoava, mas eu tinha uns três amigos próximos que me ajudavam e atuavam nos vídeos. Eu gostava de fazer curtas e esquetes de ação com 11, 12 anos, e um filmava e o outro editava. Era uma colaboração de amigos. E a minha mãe também. Ela falava “Nossa, Chris. Olha isso! Você vira outra pessoa atuando nos vídeos!” e eu me empolgava.

Plural – Em quem você se espelhou para produzir os primeiros vídeos do canal?

Christian – Em uns gringos que eu acompanhava na época. O YouTube brasileiro ainda era crescente, não tinha um boom ainda. O YouTube americano já estava estourando e eu assistia Ray William Johnson e Shane Dawson.

Plural – Como funcionou o trabalho de elaboração do livro “Eu Fico Loko”?

Christian –O primeiro livro foi a realização de um sonho. Eu já gostava de escrever – sempre escrevi em diário –, então o primeiro é a junção dos meus diários. Quando tive a mídia de internet percebi que poderia realizar aquele sonho da mídia tradicional. Um amigo, que tinha o contato do marketing da editora Novas Páginas, estava indo apresentar um projeto e me convidou para apresentar o meu. Consegui um horário na agenda do cara, na Bienal, mas ele não conseguiu ir. Eu havia avisado ao público que estaria lá, aí invadiram o estande da editora e virou um caos. Por causa daquele tumulto, eles falaram: “vamos lançar o livro desses caras.”

Plural – Qual a diferença entre dialogar com o seu público por meio dos vídeos e das páginas dos livros?

Christian –No livro me sinto mais aberto para falar coisas que teria vergonha de falar em vídeo. O livro acaba sendo um diário, que eu escrevo tomando uma xícara de café, de pijama. Já os vídeos não, são um negócio mais falado, que terá mais acesso e milhões de views (visualizações).

Plural – Você vê youtubercomo uma profissão?

Christian – Sim. A sociedade não vê porque é algo muito novo, mas quem se dedica inteiramente e trabalha com isso pode se considerar um youtuber. Você ganha para fazer uma coisa que agora está se tornando popular.

Plural – Como é o planejamento da sua rotina de gravação?

Christian –De segunda a quarta eu gravo e roteirizo. De quinta a sexta eu reservo para sair, fazer entrevistas e reuniões, porque sempre tem compromissos em que eu preciso ir com o meu assessor e empresário. 

Plural – Há alguém que trabalha com você no canal?

Christian –Sim, há um editor. A única parte criativa que eu divido no canal é a edição, porque não tenho mais tempo para editar. De resto, eu faço tudo.

Plural – Como você foge do padrão e aborda temas constrangedores dos quais outros youtubers passariam longe?

Christian –Como nos vídeos eu já abro muito a minha vida, quando entrou no lance do livro eu a abri mais ainda e acabei perdendo a vergonha de tudo. Uma coisa muito legal para se aceitar é você se zoar. Quando você se zoa por completo e não liga, fica mais feliz.

Plural – Como você imagina o cenário do YouTube daqui a alguns anos?

Christian –Acho que o YouTube, assim como as outras plataformas de vídeo, vai virar algo como o Netflix. Um dia essa linha vai cruzar a TV, mas a curto prazo vai virar algo com programas mais interativos. Eu vejo um formato de TV para internet. Um negócio comercial, com TV a hora que você quer, sem ter mais que esperar.

Plural - Um filme inspirado no seu primeiro livro, que trata de histórias dos 13 aos 18 anos, já está em pré-produção. Como está sendo desenvolvido esse projeto?

Christian – O filme está no estágio de roteirização. Depois vem a escolha de elenco e a procura por locações. É feito pela mesma produtora de “Chico Xavier” e “S.O.S Mulheres ao Mar 2”, e a gente vai começar a rodá-lo em maio. Eu estou envolvido como consultor do roteiro e também atuarei como o Christian de 18 anos.

Plural – Qual o desafio que faz você quebrar a cabeça atualmente?

Christian –Acho que é inovar. Eu penso: “tenho que fazer dois vídeos por semana, já lancei dois livros e aí vem o filme”. Da onde vão sair mais coisas? É muita pressão, mas é uma pressão boa. É melhor do que aquela pressão no escritório, com o chefe falando “cadê o relatório?”.

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