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Escritor Augusto Cury fala sobre ansiedade, gestão de emoção e psiquiatria

Com mais de 25 milhões de livros vendidos no Brasil, o psiquiatra vem a Florianópolis neste sábado, para apresentar um seminário

Gustavo Bruning
Florianópolis
13/10/2017 às 10H29

Com três décadas de carreira e mais de 25 milhões de exemplares de suas 47 obras vendidos no Brasil, o psiquiatra e escritor Augusto Cury tem um nome conhecido por grande parte dos brasileiros. Pós-graduado na PUC de São Paulo e em universidades da França e Espanha, suas obras tratam de inteligência emocional, autoconhecimento e doenças contemporâneas, como a ansiedade. Por telefone, o pesquisador conversou com a reportagem do Notícias do Dia na última sexta-feira (6), uma semana antes de desembarcar em Florianópolis para apresentar um seminário. Neste sábado (14), Cury trás à capital catarinense “O Código da Inteligência – Desenvolvendo a Excelência Emocional”. A apresentação será realizada no Centrosul, a partir das 9h30, e reunirá conhecimentos para o desenvolvimento de uma carreira de sucesso e uma vida mais saudável.

Aos 59 anos, o psiquiatra paulista já teve seus livros publicados em mais de 70 países e recebeu o prêmio de Melhor Ficção de 2009 da Academia Chinesa de Literatura. Bastante requisitado para palestras, esteve nos Estados Unidos em julho, onde realizou uma conferência para líderes no Vale do Silício, um dos mais respeitáveis polos tecnológicos do mundo. O convite, explica Cury, reforça o quanto o autoconhecimento é fundamental para o sucesso em quaisquer áreas. “É importante entender os bastidores da mente humana e os fenômenos que podem produzir as armadilhas da mente e os cárceres do cérebro”, conta.

Escritor diz que o ser humano precisa passar da era da informação para a era do ‘eu’ como gestor da mente - Divulgação/ND
Escritor diz que o ser humano precisa passar da era da informação para a era do ‘eu’ como gestor da mente - Divulgação/ND



Confira a entrevista:

ND – Em seus livros e palestras você afirma que, para exercer o autocontrole e o autoconhecimento, é imprescindível decifrar a própria mente. Qual é a porta de entrada para isso?

Augusto Cury – No seminário eu trabalho com o treinamento de gestão da emoção, que lida com as ferramentas que estão ligadas ao processo de construção do pensamento e a formação do “eu” como administrador da própria mente. A inteligência emocional é como se fosse uma montanha – ela é difusa e qualquer ser humano a tem. Gestão da emoção é como se você implodisse essa montanha, pegasse os blocos de pedra e construísse vários edifícios, para que o nosso “eu”, que representa a capacidade de escolha, possa ser o autor da própria história.

ND – No livro “Ansiedade - Como Enfrentar o Mal do Século” você aborda uma das doenças mais comuns dos últimos anos. Qual o impacto desse problema no dia a dia e o que contribuiu para que ele afetasse cerca de 80% da população mundial?

Augusto Cury  A ansiedade é uma doença que vem afetando pessoas de todas as idades, sem precedentes. Crianças de sete anos, hoje em dia, têm mais informações que um imperador romano. Isso estimula os copilotos da mente, que são fenômenos inconscientes que leem a nossa memória, a construir pensamentos em uma velocidade jamais vista. Tudo isso gera a SPA (Síndrome do Pensamento Acelerado), que tive o privilégio de descobrir e a infelicidade de conhecer. Alguns dos sintomas são as dores de cabeça e musculares, cansaço ao acordar, queda de cabelo, sofrimento por antecipação, dificuldade de conviver com pessoas lentas e esquecimento. Tudo isso ocasiona no esgotamento do cérebro, e a gestão da emoção é importante para aliviar o estresse, liberar o imaginário e aumentar a produtividade.

ND – O que mudou quanto à abordagem da psiquiatria em suas obras ao longo de sua carreira? De que maneira a visão sobre as doenças da mente evoluiu nos últimos anos?

Augusto Cury  Infelizmente a humanidade tomou o caminho errado. Temos uma indústria de lazer tão poderosa, mas nunca tivemos uma geração tão triste. A educação tem que mudar, as empresas têm que mudar. Temos que passar da era da informação para a era do “eu” como gestor da mente humana. Há décadas eu venho acompanhando que, dentro da mente, alguns fenômenos saudáveis, como as janelas da memória, podem perder a funcionalidade natural e desenvolver cárceres mentais. Uma pessoa com glossofobia [medo de falar público], por exemplo, pode saber tudo que precisa falar diante da plateia, mas, quando fica diante de todos, o gatilho dispara. Ao invés de encontrar as janelas das informações, ela encontra as janelas killer ou traumáticas, que fecham o circuito da memória e trazem o medo de falhar, do vexame e da crítica. Antigamente nós não sabíamos sobre essa síndrome de predador e vítima, que pode afetar pais e filhos, conjugues e colegas de trabalho. Hoje entendemos que o ser humano pode reagir sem controle nos momentos de tensão, machucando as pessoas que mais ama e se autopunindo.

ND – Você acredita que ainda existe uma dificuldade em debater transtornos mentais e psicológicos? Como as pessoas podem derrubar essas barreiras?

Augusto Cury  Muitas pessoas que me procuram nunca tinham visto esses temas sendo abordados e contam que vão reconstruir as relações em casa. [O debate sobre esses temas] é algo muito novo, e eles serão vistos ainda mais nas próximas décadas. Infelizmente o ser humano é deselegante, agressivo, e tem a necessidade de apontar falhas, pressionar e mudar os outros. O que podemos fazer é uma provocação positiva, utilizando as ferramentas corretas e sendo agradáveis e surpreendentes. Precisamos aprender a nos colocarmos no lugar do outro, a nos reinventarmos diante das crises.

ND – Sabendo que a frequência de leitura da população brasileira não é das mais altas, porque você acredita que livros como os seus desempenham um papel importante como apoio para que os leitores lidem com os problemas de suas vidas?

Augusto Cury  Eu não esperava ser o escritor brasileiro mais lido da última década. Não escrevo para ser famoso, e sim para contribuir com a humanidade. Eu abordo ferramentas que são eficazes, e aonde eu vou as pessoas dizem que vão comprar muitos livros para dar como presentes. Sou apenas um caminhante que anda em um traçado, em busca do mais importante endereço, dentro de mim mesmo, e sou alguém que estimula as pessoas a procurarem o endereço dentro delas. Caso contrário, somos forasteiros na nossa própria personalidade.

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