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Terça-Feira, 11 de Dezembro de 2018
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Entrevista: comunicador PC Siqueira fala sobre seu sucesso na internet

Produtor tem mais de 1,3 milhão de seguidores no Twitter e cerca de 250 mil visualizações em cada um de seus vídeos compartilhados na web

Marciano Diogo
Florianópolis
Marco Santiago/ND
PC Siqueira recusou o convite para ser integrante da equipe do programa televisivo CQC (Custe O Que Custar) para dar prioridade à seus trabalhos na web


Paulo Cézar Siqueira, 28 anos, paulista, natural da cidade de Guarulhos. Quem vê e não conhece os trabalhos do jovem tatuado de estatura baixa, com um estrabismo contundente, não imagina que PC Siqueira é um verdadeiro fenômeno do mundo virtual. Com um 1,3 milhão de seguidores no twitter e cerca de 250 mil visualizações em cada um de seus vídeos compartilhados na internet, PC construiu uma admirável trajetória profissional como comunicador. Em passagem por Florianópolis, o apresentador concedeu uma entrevista para o Notícias do Dia e falou sobre suas experiências com televisão com o canal MTV Brasil e seus canais de conteúdo na web.

Você sempre gostou de conversar com as pessoas? O que te levou a compartilhar seus vídeos?
Muito pelo contrário, nunca gostei muito de conversar com as pessoas [risos]. Por isso fiz vídeos, na minha cabeça eu falava com a câmera. Quando fiz meus primeiros, tinha levado um pé na bunda de uma namorada e estava deprimido, trabalhava com quadrinhos e estava em intervalos de trabalho. Na época, ninguém publicava vídeos com periodicidade. Acho que estava no lugar certo e na hora certa, porque na época aconteceu o boom da cultura nerd, com um debate maior sobre games e séries como “ The Big Bang Theory”.

O que faz você ser um fenômeno na web?
Acho que a razão do sucesso é porque fui pioneiro. Na época em que comecei, havia menos canais na internet. Se começasse hoje, não teria tanta popularidade.

TV ou internet?
São duas grandes diferenças: on-line você tem uma independência maior, na TV existe equipe, então muitas pessoas dependem da produção do conteúdo. Muitas pessoas me perguntam hoje: “E aí ? Você saiu da TV e está fazendo o que agora?”. Acho engraçado, tem gente que só assiste TV e não sabe que na internet tem pessoas que seguem profissão. Na TV a faixa etária é maior, de classe social mais baixa. Na internet é um público mais jovem, com maior poder aquisitivo. Interessante é que aprendi isso na marra; quando fui para a TV achei que o meu público seria o mesmo e não foi. Encontrava caminhoneiros que me diziam que gostavam do meu programa.

Como seus canais se tornam sustentáveis?
Produzo em média três vídeos por semana, e com o número de acessos nos vídeos no YouTube já conseguimos sustentar os canais com o adicional pago pelo veículo. Nos vídeos faço merchandising através do “product placement”, que é dar espaço para marcas na produção do conteúdo. A cada três ou quatro meses fecho contrato com uma nova marca e ainda ganho com campanhas publicitárias.

O humor negro é a ferramenta essencial para seu trabalho. Como lidar com o mau humor no trabalho?
Sou  constantemente mal-humorado. Acho que todo comediante e humorista, pelo menos os que eu conheço, são meio deprimidos, tristes e nervosos. Mas a forma que lidamos com isso é o diferencial, fazemos piadas sobre esses sentimentos. Posso ficar reclamando e estragar o clima ou fazer piada sobre as coisas. Fazer piada é a melhor maneira de lidar com as dificuldades.

Quais são seus planos para 2015?
Recebi um convite para ser novo integrante da equipe do “CQC [Custe O Que Custar]”, mas declinei. Minha prioridade é a internet, porque ela me dá uma grande autonomia. Acho que a TV vai virar web, exemplo disso é o Netflix, e quero estar lá para viver essa transformação, já estou. Também estreio um novo programa de TV e web em abril, pela Play TV.

Acha que o vlog é um formato antiquado?
Na web é tudo modismo, e esses formatos cansam. Esquetes como o “Porta dos Fundos” comprovam isso: tiveram o ápice e esse ano já caiu o número de acessos. Temos que aproveitar essa segmentação para nos movimentar, misturar formatos.

Você enfrentou dificuldades por causa de sua condição ocular?
Eu sofria com bullying quando era criança e recebi toda a minha educação em casa. Quando você cresce, você muda. Percebi que o preconceito era muito mais da minha parte, era meu problema.

 

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