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Entrevista: Arnaldo Antunes fala sobre poesia, música e show que apresenta no FLIC

Formado em letras, o ex-integrante da banda Titãs é autor de mais de 20 livros e acumula 16 álbuns solos na discografia, sendo o último deles lançado em 2015, “Já É”

Marciano Diogo
Florianópolis
12/10/2016 às 11H15

Neste mês Palhoça sedia o que promete ser um dos maiores eventos culturais de Santa Catarina em 2016, o FLIC (Festival Literário Internacional Catarinense). Além de trazer para Grande Florianópolis escritores estrangeiros, o festival promove debates, lançamentos de livros e shows, entre eles do multiartista Arnaldo Antunes, 56, que se apresenta hoje [quarta-feira, 12]. Músico, poeta, compositor e artista visual, o paulistano Arnaldo Antunes começou a desenhar e escrever seus primeiros poemas aos 13 anos. Formado em letras, o performer ex-integrante da banda Titãs é autor de mais de 20 livros e acumula 16 álbuns solos na discografia, sendo o último deles lançado em 2015, “Já É”.

Arnaldo Antunes se apresenta no Festival Literário Internacional Catarinense - Divulgação/Facebook
Arnaldo Antunes se apresenta no Festival Literário Internacional Catarinense - Divulgação/Facebook


No FLIC, Arnaldo Antunes apresenta um show intimista que valoriza as letras e traz a liberdade de uma nova sonoridade com combinações entre violões, guitarras, teclados e sanfona. O repertório passa por suas músicas mais conhecidas como “A Casa É Sua”, “Não Vou Me Adaptar” e “Muito Muito Pouco”. Além do show, Arnaldo também participa do festival com uma sessão de autógrafos de seus livros mais recentes, como “N D A” e “Agora Aqui Ninguém Precisa de Si”. Em entrevista para o Plural, o artista fala sobre sua trajetória, ideologia política, artes visuais e poesia.

Sobre seu processo criativo, como você sabe se o que está para escrever é poema ou canção?

Isso se misturou para mim com o decorrer do tempo, antigamente eu sabia com mais clareza se a coisa é pra ser cantada ou lida no papel, ou se terá elemento visual. Essas fronteiras foram sendo borradas no decorrer dos anos. Tem poemas que musicalizo, músicas que tiro uma resolução gráfica. Essas questões foram se tornando maiores e hoje o rascunho demora para saber que destino terá, podendo ser mais que um. Os suportes também se multiplicaram com a internet, o cruzamento de linguagens é maior. Os processos de fazer são vários. No meu caso, muitas vezes ‘saí’ junto, a letra já musicada. Varia. O que tem em comum é o exercício de ir tentando dizer as coisas, às vezes surgem ideias mais interessantes durante o processo que o objetivo em si, é um corpo a corpo com a linguagem. Tudo que escrevo, vou tratando, tirando pontos, acrescentando frases, comparando e depurando.

O cruzamento entre as artes sempre foi pertinente no teu trabalho. Acredita na divisão delas? Afinal, arte é segmentável?

Essa separação está se tornando cada vez mais precária. Há um período de crise da linguagem, com a tecnologia e a vida moderna, os movimentos artísticos de vanguarda, tudo isso foi contribuindo para que as fronteiras fossem corrompidas. Hoje as artes visuais, por exemplo, pode abranger o áudio e o tato, é uma criação livre. Em todas as áreas você sente isso, que cada vez mais os caminhos da arte pedem que os sentidos estejam interligados.

Teu livro mais recente, o “Agora Aqui Ninguém Precisa de Si”, sobre o que trata? E o disco “Já É”, que lançasses em 2015, fala sobre o que?

É um livro de poemas, um livro de poemas não tem como definir sobre o que se trata, trata da vida. Mas ele aborda essa coisa do vazio, a importância da atenção ao instante. O livro dialoga com o álbum. “Já É” dá atenção ao vazio, ao instante presente, são questões presentes em ambos os trabalhos. O disco traz letras que falam, por exemplo, ‘põe fé que já é’, ‘vou agir naturalmente’, ‘alegria e gratidão’. São mensagens que se posicionam diante da vida. É um disco também inspirado em mantras, eu o compus em uma viagem de férias a alguns países, inclusive à Índia, a viagem deu certo tom para o disco. A visão de mundo filosófica oriental é muito rica e sempre prezei muito.

Sobre regionalismo, você conhece e indica algum cantor ou poeta de Santa Catarina? E o show que apresenta no FLIC, como vai ser?

Não sou super atualizado, sou curioso, mas não sou pesquisador. Acho redutor falar em regionalismo, cada artista é um, falar produção de uma região é genérico, vivemos uma época de muita diversidade. É redutivo pensar dessa maneira, dentro de cada região há uma diversidade imensa. Na FLIC, vou estar atento as coisas que apareceram. O show que apresento no evento traz um repertório mais livre, com formação reduzida de músicos, canto músicas de várias fases e faço um panorama pela carreira.

Atualmente o Brasil vive um intenso momento de transformação política. É possível fazer arte sem política?

Tudo é política. O jeito como você trata as pessoas nas ruas, como conversa com familiares e namorada. Política não é só que se passa na Câmara e Senado, é macro e micro. Cada vez eu acredito menos na política institucionalizada. A arte faz política a seu modo, sem ser reduzida a uma ideologia. Ela transforma a consciência, a sensibilidade e a formação política.

O quê: Show Arnaldo Antunes – Festival Literário Internacional Catarinense 2016
Quando:
12/10, 20h
Onde:
Cidade Criativa Pedra Branca, praça central e auditório do Atrium Offices, rua Jair Hamms, 38, Palhoça, tel. 48 39529000
Quanto:
Gratuito

O quê: Sessão de autógrafo Arnaldo Antunes – Festival Literário Internacional Catarinense 2016
Quando:
12/10, 21h
Onde:
Cidade Criativa Pedra Branca, praça central e auditório do Atrium Offices, rua Jair Hamms, 38, Palhoça, tel. 48 39529000
Quanto:
Gratuito

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