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Encontros, lazer e muita criatividade: os conceitos do Passeio Primavera, em Florianópolis

No caminho para o Norte da Ilha, o espaço reúne segmentos que vão de floricultura a centro de inovação

Karin Barros
Florianópolis
11/03/2017 às 09H45

Há 20 anos, foi lançado um empreendimento na rodovia SC-401, em Florianópolis, caminho que leva para o Norte da Ilha, que visava atender o público em todas as suas vertentes, mas principalmente reconhecido pela grande floricultura e sua diversidade em utensílios. Aos poucos, lojas de diversos nichos foram sendo anexadas ao espaço e, desde o ano passado, o Primavera Garden Center virou o Passeio Primavera, mais um negócio da família Gomes, a mesma do Passeio Pedra Branca. O local é uma evolução do conceito criado no projeto em Palhoça, que une o que alguém precisa para viver com conforto em um lugar, sem ter que percorrer longas distâncias. Fator importante, já que a mobilidade para quem trabalha ou mora às margens da rodovia estadual da Capital é difícil.

Passeio Primavera - Flavio Tin/ND

Projeto bem cuidado, o Passeio Primavera atrai um público que quer novidades - Flavio Tin/ND

O teste foi feito em Palhoça e deu certo. Por lá, a família Gomes criou em dezembro de 2013 o Passeio, um local que engloba supermercado de alto padrão, lojas e restaurantes, além de uma área de lazer e eventos quase mensais. Durante a noite e ao longo do final de semana, centenas de pessoas procuram o espaço no bairro de Palhoça para conviver com a família e se divertir. “Agora estamos chegando com a marca em Florianópolis, voltada à economia criativa em uma cidade em que as pessoas trabalham de maneira diferenciada, em que o encontro se torna algo essencial”, afirma o diretor do Passeio Primavera, o empresário Marcelo Gomes.

A marca Passeio nasceu para não ser um comércio fechado como um shopping, porém ter uma variedade similar a ele. Da Pedra Branca para o Primavera, vêm os mesmos elementos arquitetônicos, calçadas bem formatadas, mobiliário de alto padrão e um estacionamento grande e seguro. “O Passeio se torna parte da vida das pessoas, porque todas querem curtir um espaço público de qualidade”, afirma Marcelo.

Ao longo dos anos, diversos segmentos foram sendo agregados ao Primavera, como academia, restaurante, sushi, hamburgueria, barbearia, salão de beleza, centro de inovação e em breve uma farmácia. A loja de bicicletas, que antes ficava localizada dentro do Primavera, desde o ano passado ganhou um espaço maior em uma das lojas agregadas à estrutura da Acate. A Pedra Bike atende o público AA, mas também presta manutenção a qualquer tipo de bicicleta. Segundo o vendedor Raul Gabriel, a loja tem tudo a ver com o Passeio Primavera, pois ali circulam dezenas de pessoas com interesses semelhantes e atentas às novidades. “O local é para quem busca um endereço que permita um encontro e diversidade de oferta. Por lá tem o DNA de toda essa turma”, diz o diretor do Passeio.

Entre os setores que mais se destacam atualmente no complexo inteligente que se transformou o Passeio Primavera, está a sede da Acate (Associação Catarinense de Tecnologia), que desde 2015 está instalada no mesmo terreno e faz circular diariamente dentro do pavilhão moderno quase 700 pessoas. “A Acate está dentro de uma ideia de escritórios mais modernos, áreas privativas e de compartilhamento de banheiro, copa e auditório, novamente gerando grandes encontros”, pontua Marcelo.

Encontros pela gastronomia

Mercadoteca - Divulgação/ND
Mapa da Mercadoteca - Divulgação/ND


Até o final do ano, mais uma novidade será agregada ao empreendimento da família Gomes na SC-401. Será a aguardada Mercadoteca. Negócio que iniciou em Curitiba, no Paraná, há um ano e meio e chega a Florianópolis no final de 2017 com a intenção de valorizar a gastronomia local. O novo ambiente também acompanha a tendência gastronômica e de sustentabilidade que tem tomado as rodas de conversas. “Todo mundo hoje diz que sabe um pouco de gastronomia, de cuidar da natureza, o que é natural. Todos gostam de provar coisas novas”, afirma o empresário Marcelo.

As obras e as negociações já estão a todo vapor, tendo mais de 70% dos boxes locados. O espaço será montado dentro do Primavera e terá 20 boxes, entre restaurantes e lojas de utensílios domésticos e decoração. O empresário já antecipou que entre as instalações estarão negócios relacionados a vinho, comida tailandesa, russa, árabe, pizza e carne, por exemplo. “Em Curitiba, quando criada, a ideia era reunir o que a cidade tinha de melhor no mesmo lugar. Por aqui também é isso, buscamos os melhores operadores da região”, diz.

Na apresentação da Mercadoteca pela internet, a empresa afirma ser “um espaço único para alimentar o corpo e a alma. Um local para a vizinhança curtir experiências através de produtos de qualidade, conforto, constante inovação e com uma visão de renovação permanente”. Na capital paranaense, segundo dados da marca, mais de 40 mil pessoas circulam no espaço por mês. Marcelo afirma que por lá os restaurantes são locais despojados e voltados às famílias e crianças.

Respirando inovação e tecnologia

Silvio Kotujansky, da Acate,  - Flavio Tin/ND
Silvio Kotujansky, da Acate, estrutura de compartilhar, favorece os encontros - Flavio Tin/ND


Ao oficializar a sede da Acate em Santa Catarina no Passeio Primavera no ano de 2015, as expectativas, segundo o vice-presidente da associação, Silvio Kotujansky, já eram boas, porém, foi muito além do que os empresários imaginavam.

A Acate tem 31 anos com mais de mil empresas associadas, 11 polos e muitos projetos. Só no ano passado, 48 mil pessoas participaram de 104 eventos e reuniões no espaço. Para abril deste ano, vários projetos devem ser concluídos, como o Link Lab, um área de 640m², no Passeio Primavera, para fazer uma aproximação entre as grandes empresas que buscam inovação e as startups consolidadas no mercado, respirando o mesmo ritmo acelerado; uma filial da Acate também será inaugurada no Sapiens Parque, em Canasvieiras, e outra em São Paulo, para os clientes dos arredores.

Quando surgiu, na década de 1980, o setor de tecnologia mal existia no Estado, e os polos se tornaram Joinville, Blumenau e a Capital. Silvio afirma que Florianópolis já tinha uma pegada que voltava o setor para instituições públicas, enquanto as outras cidades apostavam mais no setor da indústria privada. Para a Acate, ficou claro que o ambiente inovador, unindo as ações da empresa, fazia todo o sentido. “A ideia da Acate é atrair empresa de base tecnológica aqui para dentro, e alguns atores foram importantes para isso, como a Impact Hub e as aceleradoras Darwin e Sênior, e assim começou a se criar um mundo em volta disso”, pontua o vice-presidente.

Mateus Xavier, diretor de operações da Darwin, explica que a ideia da empresa é acelerar o processo de empresas emergentes, fazendo em seis meses o que elas levariam, sozinhas, dois anos. “Elas têm pouco dinheiro e premissas muito frágeis, então unimos mercado, recursos econômicos e expertise da nossa rede de relacionamento para que elas encontrem o caminho do sucesso”, diz.

Aceleradora Darwin - Flavio Tin/ND
Mateus Xavier, da Darwin: estar na Acate é uma vitrine - Flavio Tin/ND


Para ele, estar na Acate é como uma vitrine. “Muitos investidores ou representantes de grandes corporações vêm aqui quase que diariamente. Nosso trabalho é investir capital privado em empresas, então estamos em constante captação de recursos. Por aqui atraímos olhares e atingimos nossos objetivos”, coloca Xavier.   

Tudo que o diretor de operações da Darwin colocou está diretamente ligado à infraestrutura montada pela Acate no Passeio Primavera, que segundo o vice-presidente Silvio, facilita encontros. “O prédio é praticamente horizontal, tem dois andares, mas são grandes e com muitas áreas para encontros, reuniões informais, eventos, e serviços em volta, e esses encontros geram ideias, que viram projetos, que viram produtos e, por fim, empresas”, salienta.

Não tem como não falar de tecnologia e não lembrar do Vale do Silício, na Califórnia, onde está situado um conjunto de empresas de inovação. “O mundo inteiro se inspira neles, mas não dá para pegar um modelo de um país que tem uma cultura, uma economia, e pegar aquilo exatamente e colocar aqui que não vai funcionar. Nossa realidade é diferente. Agora que Florianópolis está aceitando que uma startup inicie dentro de casa, antes não podia. Se o Steve Jobs tivesse começado aqui, a Apple não ia existir”, brinca Silvio.

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