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Em sua 25ª obra, poeta Alcides Buss usa a prosa para falar de livros, pessoas e lugares

O livro "Em nome da poesia" será lançado nesta quarta-feira, em Florianópolis, e é definido pelo autor como a reconstrução de um itinerário que pode ser lido até como romance

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis
22/05/2018 às 22H37

Nos 24 livros que escreveu, Alcides Buss fez da poesia uma profissão de fé. Agora, viu o momento de dar vez à prosa, na forma de um volume no qual, sem ser autobiográfico, recapitula a trajetória de professor, escritor, editor e brasileiro que testemunhou quase seis décadas nada sossegadas da vida nacional. Da morte de Getúlio Vargas, em 1954, ao ano de 2008, quando se aposentou na Universidade Fe­deral de Santa Catarina, ele revisita mo­mentos de sua formação, a trajetória como animador cultural, impressões de viagem e eventos na província e na metrópole que tiveram relação com a literatura, a arte e a política. “Em nome da poesia” (Caminho de Dentro Edições, 352 páginas) será lançado nesta quarta-feira (23), a partir das 18h, no centro cultural Nau Catarineta, em Santo Antônio da Lisboa, Florianópolis.

Alcides Buss fala de andanças, pessoas e das idas e vindas do Brasil no livro escrito de 2014 para cá - Daniel Queiroz/ND
Alcides Buss fala de andanças, pessoas e das idas e vindas do Brasil no livro escrito de 2014 para cá - Daniel Queiroz/ND


Com textos escritos de 2014 para cá, o livro é definido pelo autor como a recons­trução de um itinerário que pode ser lido até como romance, se assim desejar o lei­tor. Narrado em segunda pessoa, percorre os lugares onde o poeta morou – Trombu­do Central, Medianeira (PR), Joinville, Flo­rianópolis – e empilha impressões sobre pessoas, pares como Paulo Leminski, Fer­reira Gullar e Mario Quintana e as alegrias e provações de ser artista. Os capítulos vão alternando datas e lugares, sem ordem cronológica e espacial, e revelam um gran­de apreço pelos anos pretéritos da infância e adolescência, nas dificuldades de adap­tação a locais inóspitos e nas conquistas obtidas a duras penas, superando desafios impostos pelo cenário e pelo ambiente.

País feito por imigrantes, o Brasil po­voou a região Sul a partir da entrada de corajosos desbravadores território aden­tro, num processo que se estendeu até a segunda metade do século 20. Foi assim com a família Buss, que deixou o Alto Vale do Itajaí, onde mantinha uma marcenaria, para tentar a fortuna no Oeste do Paraná. O fracasso da primeira safra de café na região da Tríplice Fronteira e a falta de es­colas e estradas (a BR-277 ainda estava em construção nos anos de 1950) foram situa­ções extremas com que os migrantes tive­ram que lidar. “As terras eram baratas e o otimismo dos anos de Juscelino Kubitche­ck fizeram aquela área crescer, mas meus pais tinham o plano de me encaminhar aos estudos”, conta Alcides, que se trans­feriu para Joinville e ali, aos poucos, cons­truiu sua carreira acadêmica e literária.

Anos e anos de engajamento e luta

Ressaltando que seu destino coin­cidiu com o de muita gente neste país onde tudo estava por fazer, Alcides Buss almejou, com seu 25º livro, “revi­ver e compartilhar uma trajetória de vitórias e derrotas”. No primeiro caso está a luta em defesa do livro e da lei­tura, que encetou nas experiências de Joinville, como um dos braços direitos do então prefeito Pedro Ivo Campos, e com o Varal Literário, iniciativa que se espraiou pelo Estado e pelo país nos anos 70 e 80, levando a literatura para as ruas e praças. “Os poetas se engaja­ram nas lutas pela liberdade, conceito que varia de uma época para outra e de acordo com as condições e a estru­tura da sociedade”, afirma ele. A resis­tência e as questões sociais alimenta­vam a poesia nos anos de chumbo, e esse protagonismo Alcides pode dizer que ajudou a consolidar.

No livro também aparecem refe­rências a cidades como Lisboa, Hava­na e São Petersburgo, a lugares que Alcides visitou difundindo o livro pelo interior catarinense, a pontos turísti­cos como Bonito (MS) e Foz do Iguaçu. E lembranças da efervescência cultu­ral que guindou Joinville à condição de capital cultural de Santa Catarina nos anos 70, aos recantos do litoral onde se estabeleceu, em diferentes momentos, e às muitas trocas com escritores, pinto­res e agentes culturais, nas andanças pelo Estado e pelo país. No post scrip­tum, o encontro com “Navegação de cabotagem”, de Jorge Amado, e a sub­sequente surpresa de ver a “mala” que o escritor baiano deixou no Uruguai e que veio parar na UFSC contendo origi­nais de um romance inacabado.

No balanço de tudo, emerge o oti­mismo de quem vê a vida como sinôni­mo de alegria, apesar dos percalços da cultura e das dificuldades de editar e distribuir livros no Brasil. “Os desafios são permanentes, mas os escritores estão encontrando jeitos de mostrar o trabalho que realizam”, conclui Alcides.

Serviço

O quê: lançamento do livro “Em nome da poesia”, de Alcides Buss

Onde: espaço cultural Nau Catarineta (junto à Casa Açoriana), em Santo Antônio de Lisboa

Quando: quarta-feira (23), a partir das 18h

Quanto: R$ 49,90

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