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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Em Florianópolis, Mauricio de Sousa fala sobre o alcance de seus personagens

Criador da turminha universal - personagens criados pelo pai da Mônica transpõem barreiras de países e de gerações

Carolina Moura
Florianópolis
Marco Santiago / ND
Mauricio de Souza esteve em Florianópolis onde foi homenageado na Mostra de Dança Infantil

 

O criador de Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão e tantos outros personagens que povoam a infância do brasileiro há décadas é um pai orgulhoso. Seus personagens acompanharam gerações, foram parar nas telas, nos palcos, nos computadores e rodam o mundo inteiro, sempre recebendo o carinho do público infantil. Mauricio de Sousa, hoje com 74 anos, não se imagina fazendo outra coisa que não seja dar vida a essa turminha, que se tornou um folclore do país, como ele mesmo diz, junto à equipe de seu estúdio que reúne mais de 200 artistas.

Atento às mudanças do mercado, o cartunista vê um futuro multimídia para os quadrinhos, mas vive na certeza de que essa forma de contar histórias nunca vai morrer. Seus quadrinhos circulam hoje em 126 países, traduzidos para 50 idiomas, carregando as mensagens que ele busca sempre atualizar, trazendo temas como a ecologia e a inclusão social. “Acho que criamos uma coisa que não é só brasileira, é universal”, diz ele, que falou ao Notícias do Dia em sua passagem por Florianópolis no último sábado, como homenageado da mostra de dança infantil A Noite é uma Criança.

Como é saber que os personagens que você criou fazem parte da vida de tantas gerações de leitores?

Vem se mantendo o carinho, a diversão da criançada e do público em geral. Como eu gosto muito disso, acho que vou viver mais uns 200 anos para ver a continuação desse carinho. Afinal os personagens são como meus filhos, e eu gosto muito que eles sejam acarinhados dessa maneira. Se a gente puder continuar passando essa mensagem de alegria, carinho, bom-humor e nas entrelinhas também algumas lições de comportamento, de ética, de esperança, junto com cultura e informação, acho que estaremos com a bandeja que a gente apresenta para a criançada cheinha de coisas boas. Isso me faz bem, me deixa animado, e acho que é o que eu gosto de fazer e espero continuar fazendo por muito tempo.

Como você avalia o mercado de quadrinhos hoje, com outras formas populares como histórias de super-heróis e mangás?

Eu não tenho que avaliar, tenho que ver o que está acontecendo, observar tendências e ao mesmo tempo saber que isso é necessário. Todos os tipos de quadrinhos servem para algum tipo de leitor. Então essa variedade faz com que a história em quadrinhos continue sendo uma coisa forte, como é cada vez mais. As pessoas falam que o quadrinho vai acabar com a internet - pelo contrário. Nós vamos enquadrar o quadrinho na internet, na telinha, no que vier. Então nós não temos medo, temos satisfação porque aumentaram as plataformas de comunicação para formatar os quadrinhos.

Uma forma de acompanhar as gerações foi a criação da Turma da Mônica Jovem. E você sempre busca tratar assuntos de formação em seus quadrinhos. Então quais são os temas que procura abordar com o público adolescente?

Eu penso que na série adulta, que eu pretendo fazer, nós temos melhores condições de tratar alguns assuntos que nem na jovem dá para tratar. Porque a criançadinha está lendo a Turma Jovem, então alguns efeitos ainda não são adequados. Quando eu criei a Mônica jovem, eu ia jogar no meio das histórias algumas coisas ligadas a sexo, drogas, mas percebi que teria que criar outra plataforma pra isso. Por isso vamos fazer talvez com a Tina, que é adulta, esse tipo de mensagem. Na Mônica jovem nós vamos mencionar namoro, talvez até gravidez antes do casamento. Mas de uma forma bem suave, como a gente conversa na família quando tem crianças perto. Com a criançada de hoje dá para falar tudo, mas precisa da forma adequada. É essa forma que estamos buscando.

O seu estúdio tem a preocupação de refletir nas histórias da Turma da Mônica a pluralidade do Brasil. Mas e no exterior, como você acha que é a identificação das crianças com esses personagens?

Como criança é igual no mundo inteiro, gosta das mesmas coisas, elas aceitam. Oitenta por cento da população do mundo vive em áreas urbanas, e a área urbana do mundo é igual. Tem os mesmos hábitos e costumes, consome as mesmas coisas. Então a nossa história sai no mundo inteiro do jeito que a gente escreve. No Japão, China, África, Europa... é a mesma história. Alguns lugares identificam a Turma da Mônica com o Brasil, e aí faz mais sucesso. Porque o Brasil é uma coisa meio mágica no Exterior. Há casos como na China, onde temos um projeto educacional, em que todas as crianças das escolas onde temos essa proposta de pré-alfabetização sabem que é um produto brasileiro e adoram isso. 


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