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Duo O Tropicalista investe em pesquisas, produção restrita e venda artesanal

Marco D. Julio e Marcelo Fialho chegaram em Florianópolis em 2011 e tem como meta desafiar

Karin Barros
Florianópolis
02/06/2018 às 14H00

Marco D. Julio e Marcelo Fialho, um paulista e outro gaúcho, vieram de Fortaleza (CE) para Florianópolis em 2011. No ano seguinte criaram O Tropicalista, o que chamam de plataforma de transdisciplinaridade. Por meio dela, os artistas, um formado em publicidade e propaganda e o outro em medicina psiquiátrica, visam a possibilitar pesquisas em diversos campos do conhecimento. 

Os artistas investem em trabalhos  autorais e na plena criatividade - Daniel Queiroz/ND
Os artistas investem em trabalhos autorais e na plena criatividade - Daniel Queiroz/ND


Para a estrutura, eles trouxeram a experiência do mercado da confecção, iniciada por meio de uma marca de roupas, estamparia e acessórios em Fortaleza, partindo desta vez para ações que incluem porcelana, cerâmica, lenços e até instalações. A casa deles parece um laboratório, e criar esta sensação foi proposital. Tudo o que eles fazem tem a intenção de provocar o expectador.

Com O Tropicalista, os artistas buscaram se aprofundar principalmente na arte e na arquitetura. Exemplo disso é o trabalho que fica exposto até o dia 22 de julho no Masc (Museu de Arte de Santa Catarina), em Florianópolis. O duo faz parte da exposição “Desterro, desaterro”, que marca os 70 anos do museu, com a instalação “Floresta inventada”.

Para ser reconhecida no novo ambiente de atuação e testar os próprios processos, a dupla começou a participar de salões do segmento, como o extinto Salão Internacional de Design de Santa Maria (RS), onde foi premiada três vezes e ganhou uma menção honrosa. “Ficamos felizes com o reconhecimento e isso foi para a gente um deslanche, uma visibilidade boa naquele momento”, lembra Marcelo, 47.

Em Florianópolis, um dos locais que os colocaram na cena foi O Sítio, na Lagoa da Conceição. Por lá, Marco e Marcelo começaram a participar dos projetos discutidos pelo núcleo a fim de entender o que de fato é praticado na Capital. “Dali foram desencadeados outros processos. Montamos um grupo de estudos em processos curatoriais em 2016 e fizemos o projeto de Oficina Pública de Perguntas, que passou pela trienal de Sorocaba (SP)”, explica Marcelo, afirmando que foi um desafio importante chegar em Florianópolis.

Outro projeto relevante que O Tropicalista vem desenvolvendo é o “Encontros em tropicais”, com Mônica Hoff, onde eles elegem uma palavra tema de acordo com as pesquisas que estão fazendo e discutem com um pequeno grupo de convidados. No segundo semestre o estudo vai virar livro.


A venda sem loja fixa

Paralelamente aos estudos, a dupla põe em prática e materializa as abordagens em materiais que são vendáveis de maneira bem artesanal, sem loja fixa ou e-commerce. “Sempre trabalhamos na produção com uma questão mais afinada com a qualidade, de produção pequena, produtos não descartáveis e matéria-prima mais sustentável”, explica Marcelo. 

Duo aposta no sustentável - Daniel Queiroz/ND
Duo aposta no sustentável - Daniel Queiroz/ND


O foco na questão da sustentabilidade é tanto entre os dois que eles afirmam ter desenhos e estampas que são trabalhadas há 20 anos. “Ela não esgota em seis meses como vemos muitas vezes no fast fashion. Ela tem vida e durabilidade”, coloca Marco. “É como um trabalho de alfaiataria, um a um, personalizado”, diz Marcelo.

Os artistas têm consciência de que o fast fashion ainda é uma realidade bem forte no mundo, mas não se veem mais tão sozinhos na cena. Ponto que facilitou essa produção especializada para eles foi com a chegada da impressão digital em 2005. “Essa expansão da tecnologia se alia à nossa proposta, que é voltada a um volume de consumo pequeno, restrito. Não precisamos mais mandar fazer um rolo de tecido de 300 metros, por exemplo”, diz Marcelo.


Criatividade e transpiração

É impossível olhar para os produtos do Tropicalista e não enxergar um trabalho criativo intenso e com características sólidas e completamente autorais. Eles afirmam que têm condições de propor soluções para a grande indústria, porém fazem ressalva sobre os briefings.

“Criatividade para mim é trabalho, transpiração. É você se dedicar horas, pesquisar, e as coisas vão acontecendo. É um exercício cotidiano do olhar, da percepção. Nós não temos carro, e as caminhadas pela cidade são muito importantes nesse sentido, pelo comportamento e beleza natural, e isso tudo é fonte de inspiração para o nosso trabalho”, finaliza Marcelo.

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