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Duas bandas de rock deram origem à bem-sucedida Involves, que cresceu 900% em quatro anos

CEO André Krummenauer, cofundador da Involves, conta a trajetória da empresa e também do seu projeto de repassar experiência a novos empreendedores

Janine Alves, especial para a Inspira
Florianópolis
09/03/2018 às 17H47
Despojado, André Krummenauer, CEO da Involves, compartilha a experiência pessoal e da empresa com trajetória ascendente  - Daniel QueirozND
Despojado, André Krummenauer, CEO da Involves, compartilha a experiência pessoal e da empresa com trajetória ascendente - Daniel QueirozND



Assim como na música, para chegar ao acorde perfeito no mundo dos negócios é necessário muita dedicação. Neste caso, o acorde é o negócio certo para alavancar a empresa. Foram necessários dois anos de pesquisa, de tentativa e erro, sem ter um único produto próprio nas mãos, até que um projeto, rejeitado pelo cliente, transformou-se na cereja do bolo dos seis estudantes universitários da UFSC e da Udesc, que além de tocar em duas bandas de rock, decidiram tocar uma empresa de tecnologia. Durante dois anos, embora não tivesse o produto próprio, a Involves, que tem como cofundador e CEO André Krummenauer, seguia firme perseguindo o seu modelo de negócio, enquanto produzia tecnologia sob a demanda do mercado.

André conta que não foi fácil abrir e manter a empresa, enquanto via seus amigos, também já formados, ostentarem cargos em grandes empresas e multinacionais. Foram cinco anos de muito trabalho para alavancar os negócios, mas sem saber que muito próximo deles, aqui mesmo em Florianópolis, havia a Acate (Associação de Empresas de Tecnologia) dando suporte a novos negócios por intermédio do compartilhamento de conhecimento e de experiências. O empreendedor afirma que não se arrepende do “tempo perdido” sem o suporte da Acate, mas hoje se propõe a ajudar a alavancar novos negócios, mostrando não apenas a sua experiência no setor, mas principalmente este importante atalho que a associação oferece para os novos empreendedores .

A inspiração de André continua sendo a música e a busca pelo sucesso que ele enxerga através dos propósitos e valores da empresa, em cada acorde dos colaboradores, aos quais ele chama Involvidos.

Em 2008 a Involves nasceu, em 2010 o faturamento duplicou e assim ocorre desde então: em 2014 a empresa cresceu 152%, em 2015 o salto foi de 158%, em 2016 o crescimento foi de 110%, em 2017, de 60%. Só nos últimos quatro anos o faturamento aumentou mais de 900%, passando de R$ 2 milhões para R$ 18 milhões.

André Krummenauer, da Involves, empresa que nasceu ainda no ambiente universitário e com amigos que tinham uma banda de rock. Hoje, ele compartilha seus conhecimentos. - Daniel Queiroz/ND
André Krummenauer, da Involves, empresa que nasceu ainda no ambiente universitário e com amigos que tinham uma banda de rock. Hoje, ele compartilha seus conhecimentos. - Daniel Queiroz/ND



Entrevista

Como surgiu a Involves?

A Involves nasceu antes da banda. Ela vem de uma amizade de colégio. Dos seis fundadores, quatro estudaram no mesmo local. Depois eu fui fazer administração na Udesc e outros três foram cursar sistemas na universidade federal, onde nasceu à amizade com os outros dois. As duas bandas nasceram entre o terceirão e o início da faculdade. A gente chegou a dividir palco em shows na universidade. O componente de valor e de cultura que existe até hoje é a amizade que nasceu lá atrás. A Involves é um lugar para se fazer bons resultados, mas também para fazer bons amigos. A gente acredita muito nisso. A Involves surgiu em 2008 e a gente ficou nove meses num quartinho cedido pelo pai de um dos fundadores, mas existem três datas de aniversário para a fundação na empresa. Uma, que é agosto de 2008, e a gente não sabe exatamente o dia. Outra que é 25 de maio de 2009, que começamos a trabalhar fora da casa de um dos fundadores, mas a gente considera a fundação da empresa, e o dia 1º de junho, quando os seis começaram a trabalhar juntos.

E como chegaram ao negócio e ao produto?

A finalidade nossa era ser um negócio baseado em receita recorrente, que é a modalidade comum para software como serviço. Você licencia o software e cobra uma mensalidade dos seus clientes, como uma assinatura mensal. A gente sabia que queria ter esse modelo de receita, esse modelo de negócio, mas não tinha uma ideia do que fazer. De 2008 há 2010 nós tentamos dez diferentes produtos. Tentamos e erramos. Nesse período a gente atuava como software house, que desenvolve software sob demanda para os clientes. E a 11º ideia surgiu em 2010 com uma demanda para uma agência de Criciúma, que queria que os promotores de campo coletassem preços nos supermercados e a empresa pudesse consumir esses dados num relatório web. Ela trouxe essa demanda, nos orçamos o projeto como software house e o cliente não aceitou. Então fomos mais a fundo e descobrimos que aquilo ali poderia ser o nosso produto. Voltamos ao cliente com a proposta que poderia ser um produto da Involves licenciado para a empresa e que ele nos ajudasse a vender para os clientes dele também. Em 2011 a gente entregou a primeira versão do produto e de lá para cá a gente encerrou todos os outros serviços. Nos últimos oitos anos, 100% na empresa é focada no nosso produto que é o Agile Promoter.

Foi uma trajetória passo a passo...

Foi de sofrimento e não é entre aspas não. No meu caso, por exemplo, eu estava me formando em administração pela Udesc e a gente fundou a empresa quando eu estava na oitava fase - o curso tinha nove fases. Os meus colegas que se formaram comigo foram trabalhar em grandes empresas ou como trainee de multinacionais em São Paulo, já ganhando R$ 4, 5 ou 6 mil e eu na pindaíba mesmo. É o custo de oportunidade, a gente deixa de ter uma carreira de assalariado e começa a arriscar; ganhando R$ 300, 400 por mês, um salário menor do que um estagiário nos primeiros dois anos da empresa, então é sofrimento na pele mesmo. Até para a família. E a família é uma mistura de pressão com torcida.

Você recebeu há cerca de duas semanas o título de Embaixador de Startups da Acate. Como surgiu essa proposta?

Formou-se um ecossistema de inovação muito forte, muito sólido, reconhecido nacionalmente e até internacionalmente. E, sem dúvida, a base sólida desse ecossistema é essa experiência de troca de conhecimento entre os empreendedores. Você recebe muita coisa do ecossistema, aprende muito, recebe muita mentoria e depois que você tem uma trajetória, que você consegue rodar o seu negócio, você tem o dever de devolver de graça, sem fins financeiros, para desenvolver outros empreendedores. Esse círculo virtuoso que faz e fortalece o ecossistema. Pensando nisso, a Acate enxerga que a startup é o futuro da própria associação, então ela precisa gerar valor para esse novo público de empreendedores. E numa conversa com eles eu assumi o papel de ‘embaixador’ junto a outros dois empreendedores, com o objetivo de entregar valor, conhecimento sobre coisas que a gente já passou e eles ainda não passaram. A gente teve um evento e em breve vamos ter oficinas temáticas. No meu caso, eu sou muito apaixonado por gestão de pessoas e gestão financeira e eu vou tocar esses dois temas. Nós contamos o lado B da nossa história, a parte mais difícil, as dificuldades lá do início e que eles estão passando agora. Uma lição de persistência para eles.

Qual o papel dos fundadores da empresa nesse processo?

O principal papel dos fundadores da empresa tem muita relação com inspirar, desenvolver pessoas, mas também o papel não se limita ao ambiente interno da empresa. A empresa também tem a responsabilidade de inspirar a sociedade ao seu redor com ações sociais. E isso também como um elemento de cultura acreditar que somos um agente ativo de mudança ao nosso redor, dentro das nossas possibilidades e isso vai além de pagar impostos. O mundo está cheio de pessoas sonhadoras, que tem milhares de ideias, mas isso eu ouvi de um mentor: uma ideia revolucionária que não é executada é a mesma coisa de que não ter nenhuma ideia.  A distância entre a realidade  e o sonho é a execução.  E executar é arregaçar as mangas...

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