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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Dois documentários com lançamento neste sábado refletem sobre a educação indígena e o povo guarani

Produções serão exibidas no MIS, no Centro Integrado de Cultura de Florianópolis

Carol Macário
Florianópolis
Divulgação
“Mbyá Reko Pyguá, A Luz Das Palavras”, de Kátia Klock e Cinthia Creatini da Rocha, foi gravado em Biguaçu

 

A sensibilidade do povo guarani em educar suas crianças permanece viva apesar das influências urbanas. Dois documentários com estreia amanhã, em Florianópolis, abordam a educação indígena dos guaranis que vivem na região de Biguaçu. “Mbyá Reko Pyguá, A Luz Das Palavras”, de Kátia Klock e Cinthia Creatini da Rocha, e “Guarani, Povo da Mata e da Universidade”, de Marcia Paraíso, serão exibidos no MIS (Museu da Imagem e Som), no Centro Integrado de Cultura, a partir das 15h.

Produzido pela Contraponto, “M’byá Reko Pyguá, A Luz Das Palavras” (18min) é dirigido por Kátia Klock e Cinthia Creatini da Rocha, antropóloga e autora do projeto. O documentário acompanha o cotidiano e o processo da educação na aldeia Yynn Moroti Wherá. Revela que os esforços dos professores indígenas são marcados por dilemas, buscas, encontros e desencontros. O registro comprova: espiritualidade, simplicidade e verdade traduzem a luz do povo guarani no seu processo de ensino. “Nossa forma de ensinar soma a sabedoria espiritual e a educação indígena no dia a dia, e hoje ainda tem a escola formal", diz Wanderley Karaí Yvydju Moreira, professor e também personagem do vídeo.

Gravado na língua guarani, com legendas em português, o documentário mescla narrativas de observação do cotidiano e interação com os personagens. Para aproximar o contato e exercitar o olhar dos indígenas, uma câmera foi compartilhada com alunos e professores da Escola Indígena de Educação Básica Wherá Tupã Poty Djá, da aldeia Yynn Moroti Wherá, em Biguaçu. “Nossa proposta com o documentário é valorizar e respeitar o idioma guarani e as especificidades socioculturais dos Mbyá Guarani, tão primordiais para a educação desse povo”, afirma Cinthia Creatini da Rocha, doutoranda em Antropologia Social. O projeto foi contemplado em 2011 com o Edital Prêmio Catarinense de Cinema.

Transformação na rotina acadêmica

Dirigido por Marcia Paraíso e realizado pela Plural Filmes para o Canal Futura, “Guarani, Povo da Mata e da Universidade” (15min) acompanha o dia de Karay Tataendy. Ele é cacique na aldeia Mymba Roká e aluno do curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Karay Tataendy  é um dos 100 indígenas dos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo que participam da iniciativa. O curso se propõe a formar professores indígenas capacitados a compreender questões relacionadas à territorialidade e ao bioma mata atlântica, sem minimizar a importância da manutenção das tradições e da língua indígena.

“Na universidade eles aprendem que podem fazer valer seus direitos”, afirma Marcia Paraíso. No vídeo, ela mostra tanto o que os indígenas estão aprendendo na universidade quanto o que meio universitário tem aprendido com eles. “Tem algo que é perceptível. As mulheres índias levam seus filhos para as aulas, por exemplo, e isso movimentou e deu novo significado ao meio acadêmico”, observa. Nesse sentido, o documentário apresenta o desafio de manter a tradição e capacitar o indígena a levar para a aldeia ferramentas e conhecimentos do mundo não indígena.

 Serviço

O quê: Lançamento dos documentários “M’byá Reko Pyguá, a luz das palavras”, de Kátia Klock e Cinthia Creatini da Rocha, e “Guarani, povo da mata e da universidade”, de Marcia Paraíso
Quando: 15/9, 15h
Onde: Museu da Imagem e do Som, no CIC, av. Governador Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis, tel.3953-2300
Quanto: Gratuito



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