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Documentário sobre a Academia Catarinense de Letras será lançado hoje, em Florianópolis

“Letras Catarinas – A trajetória de uma Academia” conta a história da entidade, que completou 97 anos

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis
10/12/2017 às 22H03

Mesclando dados de pesquisas, depoimentos, cenas de dramaturgia e recitais com os atuais acadêmicos, o documentário “Letras Catarinas – A trajetória de uma Academia” será lançado nesta segunda-feira, às 19h, na sede da Academia Catarinense de Letras, em Florianópolis. O filme conta a história da entidade de forma didática e descontraída, incluindo aspectos pouco divulgados sobre a casa que congregou e congrega os nomes mais significativos da literatura feita em Santa Catarina. Além disso, ajuda a tirar do limbo uma instituição que costuma se abrir pouco para a sociedade e que, por isso, não é conhecida pela maioria das pessoas. O evento comemora os 97 anos da ACL, completados em 30 de outubro.

Filme é costurado com trechos de ficção, para resgatar autores já falecidos, como o fundador José Boiteux - Divulgação/ND
Filme é costurado com trechos de ficção, para resgatar autores já falecidos, como o fundador José Boiteux, vivido pelo ator Carlos Zoega - Divulgação/ND

Com duração de 25 minutos, o documentário traz personagens como José Arthur Boiteux, fundador da Academia, Maura de Senna Pereira, primeira mulher a figurar numa academia de letras no país, Othon Gama D’Eça e Delminda Silveira vividos por atores e atrizes de Florianópolis. Eles fazem parte do lado ficcional do filme, uma das três linhas narrativas adotadas pela equipe de roteiro e direção, composta por Kátia Klock, Laine Milan e Maria Thereza Cordeiro. Os esquetes mostram a atriz Raquel Stüpp nos papéis das escritoras Delminda e Maura – esta, autora do consagrado romance “O guarda-roupa alemão”. O ator Carlos Zoega interpreta José Boiteux, que criou em 1920 a Sociedade Catarinense de Letras, que deu origem à ACL.

“Todos curtiram muito fazer o filme, porque ele contrapõe presente e passado e faz um cruzamento entre cultura e política”, diz Kátia Klock, uma das diretoras de “Letras Catarinas”. Ela ressalta a dinâmica alcançada a partir da mescla de memória, documentação e o uso do acervo da biblioteca da Academia, além da visão dos “imortais” do momento – a linha narrativa com um pé na contemporaneidade. Numa espécie de sarau, escritores de hoje leem trechos de livros que escreveram. O presidente da Academia, Salomão Ribas Júnior, colocou a instituição à disposição dos realizadores do projeto e acredita que com o documentário ela será mais conhecida e terá “o seu papel melhor compreendido pelos catarinenses”.

Maura de Senna Pereira também é relembrada na história da academia, pela atriz Raquel Stüpp - Divulgação/ND
Maura de Senna Pereira também é relembrada na história da academia, pela atriz Raquel Stüpp - Divulgação/ND

Outro recurso usado foi o dos depoimentos, que contemplou membros da Academia como Silveira de Souza, Urda Alice Krueger, Lélia Pereira Nunes, Jali Meirinho e Celestino Sachet. Este último, aliás, é um dos maiores conhecedores da literatura catarinense, foi professor do curso de Letras da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e tem vários livros publicados sobre o tema. É por meio dele, também, que o documentário volta no tempo, abordando questões da vida política desde a década de 1930, passando pela ditadura militar e pelo legado do Grupo Sul, que introduziu o Modernismo no Estado no final dos anos 40. Os embates entre os integrantes do movimento e o jornalista Altino Flores, pelas páginas do jornal “O Estado”, também são citados no filme..

Salomão Ribas Júnior acredita que com o documentário a ACL será mais conhecida - Divulgação/ND
Salomão Ribas Júnior acredita que com o documentário a ACL será mais conhecida - Divulgação/ND



Entrega dos prêmios ACL 2017

O filme aborda, ainda que de forma marginal, os relatos de portas batendo e outros fenômenos de “assombração” que aconteceriam na Casa José Boiteux, sede da Academia. O prédio, de quase um século, passou por muitas reformas, a última delas em 2010, quando foi completamente restaurado. “Esse clima de mistério contaminou a equipe”, revela Kátia Klock, que também responde pela montagem do documentário, junto com Nara Hailer. O filme é uma coprodução da Contraponto e da TVi.

O documentário “Letras Catarinas – a trajetória de uma Academia” foi viabilizado com incentivos da Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, e com patrocínio da Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina). Com versões de acessibilidade e com audiodescrição, Libras e LSE (legenda para surdos e ensurdecidos), parte das mil cópias será distribuída gratuitamente em DVD para escolas e bibliotecas.

A programação de hoje prevê também a entrega dos prêmios ACL 2017 e a solenidade de encerramento do ano acadêmico. Os autores destacados este ano são Salim Miguel, in memoriam (conjunto da obra; Dirce Waltrick do Amarante (contos); Lauro Junkes, in memoriam (crítica literária);  Dante Mendonça (crônicas); Mitsi Westphal Taylor (ensaio); Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (prêmio de história); Maria Tereza Queiroz Piacentini (língua portuguesa); Méroli Habitzreuter (poesia); Godofredo de Oliveira Neto (romance); Giovanni Ricciardi (divulgação de autores brasileiros no exterior).

 

O quê: Lançamento do documentário “Letras Catarinas – A trajetória de uma Academia”

Onde: Casa José Boiteux, avenida Hercílio Luz, 523, Centro, Florianópolis

Quando: 11/12, 19h

Quanto: Gratuito

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