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Diretora e roteirista Laís Bodanzky fala sobre comunicação em massa por meio do cinema

A paulista é a homenageada da 11ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos, que ocorre de 22 a 28 de maio, em Florianópolis

Karin Barros
Florianópolis
12/05/2017 às 13H51
A paulista Laís Bodanzky, 47, está entre a pequena porcentagem de 15% de mulheres diretoras e roteiristas no Brasil. Desse número, menos de 1% são mulheres negras. Contudo, Laís está também entre os grandes destaques do cinema nacional, com filmes superpremiados, como o caso do “Bicho de sete cabeças”, de 2001, estrelado por Rodrigo Santoro, que recebeu mais de 46 prêmios nacionais e internacionais. 

Laís Bodanzky - Divulgação/ND
Laís Bodanzky lança em agosto o filme "Como nossos pais" - Divulgação/ND


Este ano, na 11ª edição da Mostra de Cinema e Direitos Humanos, Laís é a homenageada e terá cinco dos seus longas, curtas e documentários exibidos no país inteiro. “Sou uma admiradora da proposta da mostra, vejo que esta cada vez está mais sólida, com tanto conteúdo importante sendo espalhado pelo Brasil. Ficou aquela sensação de que eles me admiram e eu admiro eles, por isso teve um valor ainda maior. Fiquei muito contente de reconhecerem o meu trabalho, e de verem que meus temas dialogam com os temas que eles debatem. Cinema é diversão, mas o meu, mesmo na ficção, gosto de trazer temas agudos, tabus, para a gente se divertir, mas refletir com a possibilidade de contribuir com a visão de mundo de muita gente”, coloca a roteirista e diretora. 

O evento ocorre desde o dia 8 deste mês em 26 capitais do país. Em Florianópolis, a mostra será entre os dias 22 e 28 de maio, no Cinema do CIC (Centro Integrado de Cultura), com debates, três sessões, de terça a sexta-feira, e quatro no fim de semana. Toda a atividade é gratuita. Dos filmes de Laís, estarão em exibição “As Melhores Coisas do Mundo” (2010), “Cartão Vermelho” (1994), “Bicho de Sete Cabeças” (2001), “Chega de Saudade” (2008) e “Mulheres Olímpicas” (2013). 

O tema deste ano a ser discutido no evento é “gênero”, e apesar dos filmes de Laís terem datas bem distantes, todos eles se tornam discussões atuais para o momento. Em “Cartão vermelho”, Laís diz que não tinha noção da opressão da mulher na sociedade ainda ao dirigi-lo, mas que com o fomento do feminismo nos últimos anos, o trabalho reverberou no documentário “Mulheres Olímpicas”, que, por sua vez, serviu de approach para o filme que será lançado em agosto, “Como nossos pais”. “São três filmes com a mesma temática em momentos diferentes da minha vida. Fazer um filme como o ‘Cartão vermelho’ de forma inconsciente e o ‘Mulheres Olímpicas’ agora é mostrar como a relação da mulher na sociedade mudou. Vemos um novo movimento feminista, e consigo enxergar que as coisas estão acontecendo muito rápido”, afirma.

"Bicho de sete cabeças", de Laís Bodanzky, recebeu mais de 46 prêmios no Brasil e no exterior - Divulgação/ND


Para Laís, o tema da discussão de gênero, escolhido para a edição 2017 da Mostra, é muito rico. Segundo ela, o cinema é uma janela para discutir temas tabus e assuntos “em primeira mão”. “O mundo das artes tem muitos recursos, e isso traz muito respeito na hora da discussão. Dá espaço para muitas vozes e ao mesmo tempo assume que é um ponto de vista, o quê combina com a discussão de gênero”, pontua. 

A roteirista coloca também que o audiovisual é uma comunicação de massa e isso é um estímulo para temas importantes serem discutidos e amplificados para pessoas e regiões que o assunto foi colocado de forma caricata ou menos cuidadosa. “Tem muita responsabilidade no audiovisual sobre tocar nesses temas e por isso tem que ser feito com cuidado”, salienta Laís. 

Nesta edição, o circuito principal conta com 29 filmes entre curtas, médias e longas-metragens, divididos em três mostras: Panorama, Temática – que abordará questões de gênero, e Homenagem – com foco na obra da cineasta Laís Bodansky. Uma novidade este ano é a Mostrinha, voltada para o público infantojuvenil e que exibirá outros oito curtas-metragens.

Em cada Capital, a Mostra ficará em cartaz de cinco a seis dias e a expectativa é receber um público de mais de 30 mil pessoas em todo o país.

Serviço

O quê: 11ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos
Quando: de 22 a 28/5, de terça a sexta-feira, 9h, 14h e 19h30; sábado e domingo, 14h, 16h, 18h e 20h
Onde: Cinema do CIC, avenida Irineu Bornhausen, Agronômica, Fpolis
Quanto: gratuito
Programação completa em: mostracinemaedireitoshumanos.sdh.gov.br

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