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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Diego Rayck explora o ambiente marginal do sótão em exposição que abre nesta quinta-feira (4)

Espaço retratado em seus desenhos é o do sótão da própria Fundação Cultural Badesc, onde o trabalho está exposto

Carolina Moura
Florianópolis
Elton Damásio/ND
Além da exposição, Rayck promove outras atividades, como oficinas e a montagem aberta ao público

 

A sala de exposições da Fundação Cultural Badesc abre seu espaço para mostrar outro cômodo menos conhecido da casa, o sótão. Os desenhos de Diego Rayck, em mostra que abre hoje às 19h, revelam esse local escondido e que ao mesmo tempo abriga estruturais vitais para o funcionamento do prédio, como o fornecimento de água e o sistema de ar condicionado.

A exposição “Sótão” tem um diálogo direto com o espaço onde é exposta, o que para Rayck é necessário. “Tu não pode mais pensar a obra fora do espaço, a não ser através de mediações como a moldura e o pedestal”, diz o artista. Nessa relação, ele decidiu trabalhar com o oculto nesse local. “O sótão é um espaço marginal, de uso essencial, mas que não aparece”, comenta. “A maioria das pessoas não conhece o sótão e desenhá-lo não vai fazer com que elas mudem essa relação”, diz ele, “mas o desenho é uma forma de pensar sobre esse espaço”.

Os desenhos foram construídos a partir de estudos preparatórios, desenhos de observação do local, anotações e fotografias de referência que o artista fez. Em sua pesquisa, ele considera o desenho como uma forma de pensar e organizar o espaço — o que começa no projeto, na planta. “Se eu penso algo através do desenho, no papel, então quando eu realizo esse projeto de certa forma desenho no espaço”, diz ele. “O que eu faço no meu trabalho é só colocar mais uma camada de representação”.

A exposição faz parte do projeto “Desenho e espaço: correspondências e desvios”, contemplado no edital do Fundo Municipal de Cultura. “A exposição é pensada como um núcleo e ao redor dela são feitas várias atividades”, explica o artista, que promoveu oficinas de desenho e representação antes da exposição e realizou toda a montagem aberta ao público, além de lançar um catálogo com os desenhos e textos de outros artistas sobre essa prática. “Geralmente se associa a atividade do artista somente à produção. Esse projeto proporciona outro tipo de acesso à obra”, explica Rayck.

Construção do desenho, desenho da construção

Mestre em artes visuais pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), Diego Rayck iniciou sua pesquisa sobre a relação entre o desenho e os espaços em sua dissertação, “Locus suspectus — O desenho no espaço e os espaços do desenho”. Em outras exposições como “Linha do Buraco”, criada para o espaço expositivo portátil Inverso, uma espécie de móvel, ele usa essa mesma prerrogativa de refletir o local que abriga as obras.

Além de refletir a construção a partir do desenho, Rayck pesquisa a construção dessa arte em si. Nas oficinas de desenho que ministrou antes de abrir a exposição, ele trabalhou e discutiu os conceitos de representação com seus modelos e soluções prontas, que ele chama de “carimbos” ou “clichês”. O objetivo desse trabalho é desmistificar uma falsa ideia de originalidade. “É como uma linguagem, você vai usar algo que já é dado”, explica Rayck. Através do domínio dessas ferramentas o artista pode se apropriar delas para criar um trabalho próprio.

Serviço

O quê: Abertura da exposição “Sótão”

Quando: Hoje, 19h. Visitação até 1/11, de segunda a sexta, das 12h às 19h

Onde: Fundação Cultural Badesc, rua Visconde de Ouro Preto, Centro, Florianópolis, tel. 3224-8846

Quanto: Gratuito

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