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Dia de Santa Catarina é comemorado neste 25 de novembro

Mesmo sem feriado, a santa padroeira que dá nome ao Estado é lembrada

Redação ND
Florianópolis
Janaína Salles/Divulgação/ND
"Velada pelas águias", da artista catarinense Vera Sabino

 

Micheline Barros*, especial para o Notícias do Dia

25 de novembro foi o dia da morte de Catarina, no final do século 3 d.C. na cida­de de Alexandria no Egito. Mas como uma mulher egípcia pode ser homenageada aqui no Brasil? Como arte-educadora pelo Estado de nossa Catarina de Alexandria, muitas pessoas com quem conversei não sabiam quem foi essa jovem egípcia, que foi lembrada ao batizarem a maior ilha brasileira do Atlântico Sul.

Segundo o professor da UFSC (Uni­versidade Federal de Santa Catarina) João Eduardo Lupi, no dia 25 de novembro de 1526, o navegador italiano Sebastião Ca­boto chegou numa ilha da costa brasileira, no sul do país, denominada de Meiembipe pelos índios Carijós, e batizou a terra com nome da santa festejada do dia: Santa Ca­tarina de Alexandria. A mulher do navega­dor se chamava Catarina Medrano, e era devota da santa homônima.

Essa história é ensinada nos livros es­colares, porém a biografia de Catarina de Alexandria é pouco conhecida. É preciso mostrar a importância de uma mulher estudiosa, corajosa e firme em sua fé, que viveu num período hostil da história da humanidade, em que as mulheres não ti­nham direitos e acesso à escolarização. Mas Catarina obteve sua sorte, pois nas­ceu princesa em 287 d. C. em Alexandria. Filha do rei Costos da ilha de Chipre, na Ásia Menor (hoje Turquia), volta para seu reino após seu nascimento, e por ventu­ra da morte do pai, Catarina e sua mãe retornam a Alexandria já convertidas ao cristianismo. Alexandria era o centro de estudos mais célebre da época, os faraós Ptolomeus criaram duas instituições: a Biblioteca de Alexandria, a mais famosa de todos os tempos, e um edifício onde se reuniam os estudiosos, chamado ‘Mu­seu’ ou a casa das Musas – as divindades protetoras das artes e das ciências. Deste modo Alexandria atraía cientistas de todo o Império Romano. Segundo o professor Lupi, foi em Alexandria que se realizou a primeira tradução da Bíblia para o idioma grego. Muitos judeus tornaram-se cristãos e, junto com outras comunidades, criaram uma escola de altos estudos, aberta tam­bém às mulheres. Em Alexandria, era co­mum as mulheres estudarem e foi na esco­la cristã – chamada de Didascalion – que Catarina provavelmente frequentou.

No império romano do Oriente go­vernava Maxêncio, que residiu seu impé­rio temporariamente em Alexandria. O principal imperador romano Diocleciano perseguiu os cristãos por pensarem que o cristianismo enfraqueceria o Império. Eles eram forçados a abandonar sua fé, porém essa situação causou uma grande como­ção em todo o império. A jovem e bela Catarina ouviu esses clamores e decidiu interceder pelos cristãos falando ao impe­rador Maxêncio, que ficou entusiasmado por sua beleza e inteligência ao argumen­tar em defesa do cristianismo. Baseado na argumentação de Catarina, propôs a moça que tivesse uma conversa com os sábios da sua cidade, fala-se em número de 50, e Catarina apresentou a fé cristã e cativou a todos eles convertendo-os ao cristianis­mo. O imperador incrédulo e combativo mandou matá-los e queimá-los em uma fogueira. Após esse evento, o imperador começou a cortejar Catarina, propondo-lhe casamento, mesmo já sendo casado, e foi negligenciado pela moça que dizia já ter um relacionamento com o Cristo.

Assim, segundo os hagiógrafos, Cata­rina teve uma boda mística com o Cristo e não poderia mais se casar com Maxêncio. Ofendido, ele mandou açoitá-la e prendê-la. Por mais uma vez, Catarina foi chama­da a recusar sua fé diante de Maxêncio, e novamente foi submetida ao suplício. Ela foi amarrada a uma máquina com rodas de carroça com pontas de ferro no lugar das borrachas, que giravam em direção a seu corpo. A máquina antes de tocar seu corpo quebrou-se em pedaços, atingindo os que por perto estavam.

Ao perceber que Catarina ainda vivia, Maxêncio mandou degolá-la com uma adaga de prata e no lugar do sangue jor­rou leite do corpo da mártir. O corpo de Catarina foi levado para o Monte Sinai e encontrado pelos camponeses muito tempo depois. Aos pés do monte Sinai foi construída uma capela para abrigar seu corpo e um grande mosteiro dirigido pelos monges cristãos ortodoxos.

No ano de 2000, o Mosteiro de Santa Catarina de Alexandria foi visitado pelo governador em Espiridião Amim e uma comitiva, onde destaca-se a presença do Monsenhor Ângelo Kontaxis e do jorna­lista Moacir Pereira, que escreveu o livro “Santa Catarina: A padroeira”. A comitiva recebeu como presente para o Estado a re­líquia óssea do corpo de Santa Catarina e uma imagem bizantina emoldurada, que foi trazida para Florianópolis, e em 2001 foi inaugurada uma capela ecumênica em frente ao Tribunal de Justiça de Santa Ca­tarina, em frente à praça Tancredo Neves, onde estão as relíquias e a imagem bizan­tina de Santa Catarina de Alexandria. A capela possui um guardião das relíquias e pode ser visitada diariamente no período das 10h às 16h.

A única artista catarinense a ilustrar o martírio de Santa Catarina em telas foi Vera Sabino, que produziu oito telas para ilustrar sua vida virtuosa e de mártir. Há também Rodrigo de Haro que já produziu telas sobre a santa e mosaicos que estão respectivamente na praça Tancredo Neves e no hall da reitoria da UFSC. Santa Cata­rina foi retratada pelos italianos Giuseppe Arcimboldo, Rafael Sanzio, Carlo Crivelli, e Caravaggio, pelos espanhóis Bartolomeu Estaban Murillo, Fernando Yanez e Vicen­te Carducho, além de muitos anônimos.

A santa é sempre retratada com um livro, uma roda de carroça quebrada e uma pena de escritora, ou um ramo ver­de. No brasão da UFSC aparecem a roda quebrada e a pena, símbolos da padroeira da universidade. Santa Catarina também é padroeira da Universidade de Paris. A Catedral de Florianópolis até o ano de 2012 tinha como padroeira apenas Nossa Senhora do Desterro, e desde o início de 2013 passou a dividir seu patronato com Santa Catarina de Alexandria.

À padroeira é atribuída proteção aos filósofos, estudantes, decapitados, mães que amamentam e os carroceiros. Entre os dias 29 de outubro e 14 de novembro a série do martírio de Santa Catarina de Alexandria pintada por Vera Sabino, es­teve exposta no Museu Histórico de Santa Catarina, Palácio Cruz e Sousa, recebeu a visita de 1225 pessoas.

* Mestre em educação e cultura na Udesc e professora de arte da rede municipal de Florianópolis

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