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Dia das Mães diferente muda a rotina de executivas em Florianópolis

Profissionais liberais que dividem espaço no escritório com os filhos se reúnem para trocar experiências

Andréa da Luz
Florianópolis
11/05/2018 às 18H59

Ser mãe é enfrentar muitos obstáculos e, não poucas vezes, todos ao mesmo tempo. Amamentar, cuidar de si, cuidar da família, dar atenção ao marido, continuar a investir na carreira, zelar pela saúde e educação do ser que acabou de colocar no mundo. Isso sem falar nos altos e baixos emocionais que a maternidade provoca. 

Da esq. para dir., Antônia e Marina; Cristina com Beatriz,Andreza e Laura; Diana e Helena;Juliana e Bernardo; Luana e Lucca - Marco Santiago/ND
Da esq. para dir., Antônia e Marina; Cristina com Beatriz,Andreza e Laura; Diana e Helena;Juliana e Bernardo; Luana e Lucca - Marco Santiago/ND



“É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança”, diz um antigo provérbio africano. Ou seja, para criar um filho não basta uma mãe, um pai. É necessária uma rede de suporte que, traduzida para os tempos modernos, pode incluir parantes, funcionários, escolas e creches, e até mesmo legislações mais modernas que garantam o crescimento saudável e o bem-estar das crianças desde seu nascimento. E que permitam aos pais terem esse cuidado, com jornadas de trabalho alternativas e licenças parentais igualitárias e mais adequadas à realidade. 

Já que a maioria das mães precisa trabalhar para ajudar no sustento da casa, jornadas de trabalho reduzidas também poderiam garantir, além da ajuda financeira, maior tempo dedicado aos bebês. E, quem sabe, até mesmo maior sucesso nas tentativas de amamentação exclusiva até os seis meses de idade e extensiva até os dois anos ou mais, como recomenda a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Com ou sem legislação de apoio, as mães não abandonam o barco. E procuram apoio em diferentes frentes. Às vezes, o suporte vem de novos relacionamentos e amizades que permitem compartilhar dores, descobertas e expectativas. E também pode vir de novas formas de equacionar o trabalho com a função de mãe (ou pai).

Trabalhar com os filhos aparece como boa opção

Na busca por alternativas que comportem as necessidades das mães trabalhadoras, muitas empresas tem criado programas que incentivam as funcionárias a levarem os filhos para o trabalho. Opção que também tem se mostrado a melhor alternativa para muitas profissionais liberais e executivas.

É o caso da empresária Andreza Michelon, 41, que leva a pequena Laura de três meses para o trabalho na franquia de móveis personalizados de alto padrão que gerencia, no centro de Florianópolis. “É uma forma de estar de olho nela e também atender as necessidades do trabalho, que exige que eu não passe muito tempo afastada”, comenta a executiva.

Empresária Andreza Michelon organizou espaço no escritório para abrigar um berço para Laura,  de 3 meses - Marco Santiago/ND
Empresária Andreza Michelon organizou espaço no escritório para abrigar um berço para Laura, de 3 meses - Marco Santiago/ND



Essa experiência motivou Andreza a celebrar o Dia das Mães de uma forma diferente. Ela organizou um chá da tarde em sua loja para receber outras mães que levam seus bebês de até um ano para o trabalho. O encontro aconteceu na quinta-feira, 3 de maio.

Além de trocarem experiências, as mamães ganharam brindes e puderam fazer uma sessão de shiatsu, para compensar a intensa rotina. “Nossa loja já teve a iniciativa de ter um fraldário confortável, pensando em facilitar a vida das mães e eu achei super válido convidar amigas e conhecidas que também são super profissionais para um momento agradável de celebração do dia das mães. São boas histórias de vida reunidas”, afirma Andreza.

A arquiteta Diana Maccari, 39, foi uma das convidadas. Ela também divide seu tempo entre o trabalho no escritório e os cuidados com sua bebê Helena, de 4 meses. "Priorizo ficar com minha bebê, mas eventualmente preciso ir ao escritório e a levo junto", explica. Mas na maior parte do tempo, os trabalhos são feitos de casa e as visitas em obras ficam a cargo de outra arquiteta que trabalha com ela. "Essa é uma fase em que o trabalho fica um pouco em segundo plano, pois o filho vem em primeiro lugar. Meu marido ajuda em tudo, troca fraldas e as tarefas de casa também são bem
divididas", revela.

Reajuste necessário

Não tem jeito, a chegada dos filhos pede um reajuste em toda a rotina doméstica e também foi assim para a nutricionista Luana Zapelini, 34. Workaholic confessa, 40 dias após o nascimento do Luca, agora com 3 meses, Luana já estava voltando a trabalhar, porém em outro ritmo: apenas por meio período e duas vezes na semana. "Faço atendimento uma ou duas vezes por mês em uma clínica no Centro que fica ao lado da minha casa, aí minha mãe fica com o Luca nesse período", revela.

Nutricionista Luana Zapelini voltou cedo ao trabalho, mas organizou a rotina para ficar com Luca - Marco Santiago/ND
Nutricionista Luana Zapelini voltou cedo ao trabalho, mas organizou a rotina para ficar com Luca - Marco Santiago/ND



"A gente tenta dar conta de tudo sozinha, mas não dá", avalia. Em casa, o marido ajuda mais nos serviços domésticos, enquanto ela se dedica quase exclusivamente ao bebê. A ajuda dos pais também é crucial para manter o funcionamento de sua clínica, localizada no bairro Estreito, na mesma casa onde os pais moram. Assim, Luana pode se permitir intervalos de meia hora para amamentar o pequeno, entre uma consulta e outra. "Me sinto segura sabendo que ele está sendo bem cuidado pela minha mãe e até montei um quarto para ele na casa da avó", diz a nutricionista.

"Fico pensando nas mães que não tem essa ajuda, ou que não podem amamentar e não tem dinheiro para comprar leite artificial. Como faz? O sistema público deveria garantir o sustento das mães nesse período para que elas pudessem ficar em casa com seus bebês, a exemplo do que acontece em países desenvolvidos", diz. 

Organização é essencial

Para Antônia Adami, 37, outra arquiteta que curte a chegada da primeira filha, o mais difícil é lidar com o tempo, que passa rápido demais. "O primeiro mês é um período de adaptação, eu só queria dormir", relembra rindo. "Deveríamos ter um tempo maior de licença maternidade e paternidade porque tudo passa muito rápido", avalia.

Arquiteta Antônia Adami já fazia reuniões de trabalho quando Marina tinha dois meses - Marco Santiago/ND
Arquiteta Antônia Adami já fazia reuniões de trabalho quando Marina tinha dois meses - Marco Santiago/ND



Embora a prioridade seja a Marina, Antônia adora trabalhar e não abre mão de continuar investindo no lado profissional. "É bom sair de casa, eu já fazia reuniões quando a Marina tinha dois meses, mas sou meio viciada em trabalho", conta. Uma vez por semana, Antônia leva a bebê de 5 meses e meio para o escritório, mas quando precisa visitar obras conta com a ajuda de uma funcionária doméstica. "Ela faz mais os serviços da casa, mas se eu saio para trabalhar ela cuida da bebê", explica. "Como a Marina é muito sossegada, é bem tranquilo levá-la para o trabalho".

A coisa complica um pouco quando se adiciona... mais uma criança. Andreza, que recepcionou as amigas para o chá da tarde, conta que nem pensava mais em ter outro filho quando se descobriu grávida da Laura. "É uma loucura - o trabalho, a casa, a escola, o lanche do mais velho, a cabeça nunca para", revela a empresária.

Mãe do Rafael, de 7 anos, ela organizou espaço no escritório para abrigar um berço onde a bebê pode ficar enquanto ela trabalha. "Dá para conciliar maternidade, vida pessoal e trabalho, o que muda é o planejamento e a organização. Tem que ter rotina, não dá para fazer as coisas de improviso", analisa. "A gente aprende a valorizar mais o tempo, que vira um fator precioso tanto no trabalho quanto no momento em que estamos com os filhos".

SAIBA MAIS:

* O Brasil é referência mundial em amamentação: 41% das mães amamentam exclusivamente até os seis meses. É o dobro da taxa registrada nos EUA, Reino Unido e China, por exemplo.

* De acordo com a WABA (World Alliance Breastfeeding Action), instituição que promove a Semana Mundial do Aleitamento Materno e estimula o desenvolvimento de ações que favoreçam o aumento nas taxas de amamentação, os índices brasileiros podem melhorar. Um levantamento da WABA realizado em 2009 mostrou que menos de 70% das crianças brasileiras mamaram na primeira hora de vida. A duração mediana do aleitamento materno exclusivo é de 54,1 dias e do aleitamento materno (exclusivo + alimentação complementar), 341,6 dias.

* A  OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que os bebês recebam leite materno exclusivo até 6º mês de vida e, associado à alimentação complementar saudável, até os dois anos ou mais. Isso porque o leite materno transmite anticorpos e nutrientes essenciais para os bebês, podendo reduzir à metade os casos de diarreia e um terço das infecções respiratórias em crianças, segundo informações divulgadas pelo Portal Brasil.

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