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Sexta-Feira, 14 de Dezembro de 2018
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Designer e artista Duke Orleans quer consagrar o kilt, um tipo de saia, no guarda-roupas masculino

Adepto da peça há quatro anos, ele criou a marca Kilt is a kilt para disseminar a ideia

Carolina Moura
Florianópolis
Rosane Lima/ND
No mercado público, o look de Duke foi recebido com curiosidade e irreverência

 

Fernando de Andrade e José de Souza Neto tomavam um vinho em um dos bares do Mercado Público quando passou por eles um homem vestindo... uma saia. Foi isso que lhes chamou a atenção, enquanto observavam de canto de olho. Mas logo Duke Orleans estava em sua mesa tomando uma cerveja com eles, e explicou que a peça que vestia é um kilt: inspirada no vestuário tradicional escocês. A marca que Duke criou, Kilt is a kilt, tenta tirar o estranhamento da ideia do homem de saia e conquistar mais uma peça para o guarda-roupas masculino.

Jogador de rugby há 16 anos, o designer e artista já convivia com a influência da Grã-Bretanha. No esporte, existe o terceiro tempo — um momento de confraternização entre os times adversários após dois tempos de forte rivalidade. Alguns times de São Paulo já usam kilts como uniforme para o terceiro tempo, e Duke resolveu unir o conforto com a tradição e irreverência e fazer um kilt para usar nessas ocasiões. A inspiração da peça para o dia a dia veio do estilista Marc Jacobs, que adaptou a peça tradicional para o seu estilo.

“Não é uma saia afeminada, ela é muito masculina”, diz Duke, que confecciona e usa as peças há quatro anos. Ele diz que nunca foi hostilizado ou se sentiu ofendido pela reação das pessoas na rua. Geralmente elas agem com curiosidade, e muitas dizem gostar. “As mulheres gostam mais ainda, porque podem ver as pernas masculinas, que geralmente estão escondidas”, conta. Quando sai para dançar com sua namorada, a liberdade dos movimentos também chama a atenção, e eles são o centro das atenções.

Os kilts que produz por encomenda através de sua marca têm modelos diferentes, personalizados ao cliente, e custam entre R$ 180 e R$ 360. Quem procura a peça hoje ainda são pessoas que querem mostrar uma posição social, geralmente artistas e integrantes de algum movimento. Mas o objetivo de Duke é dar ao kilt o status irrevogável de peça masculina. “A ideia não é polemizar, é incorporar aos poucos.”

Para todas ocasiões

Para andar pelo centro da cidade em um dia de chuva, Duke escolheu usar um kilt cinza com camisa polo, blazer, meias grossas e botas. Mas ele diz que a peça se enquadra em qualquer ocasião, e que até foi a uma formatura usando um kilt. O traje original, escocês, também é usado em eventos de gala. Duke o combinou com meias compridas, sapato social, camisa, gravata e paletó. Para ele, se for usado de forma adequada, o kilt vai ser bem recebido em qualquer ambiente.

O próprio modelo do kilt varia bastante. Além da estampa xadrez, que remete aos tradicionais tartans que representavam as famílias na Escócia, Duke usa também tecidos de cor sólida e pensa em se unir a artistas gráficos e ilustradores para criar peças diferenciadas. A modelagem básica tem uma parte transpassada pela frente e pregas na parte de trás, mas também sofre variações, com a adição de bolsos, por exemplo. E o mais importante é a adaptação ao clima tropical, com materiais mais leves e uma identidade que se aproxima mais das nossas latitudes.

Kilt is a kilt

Facebook: www.facebook.com/KiltisaKilt

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