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Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Designer de moda catarinense Lui Iarocheski estreia em evento para jovens criadores em São Paulo

Após mostrar seu trabalho em Viena e Vancouver, ele traz uma nova coleção, resultante da experimentação com quadrados e retângulos de tecidos

Gustavo Bruning
Florianópolis
Rosane Lima/ND
O designer define o próprio trabalho como "espontâneo e nada acadêmico"

 

Enquanto a primeira coleção do designer catarinense Lui Iarocheski, elaborada durante a faculdade, teve inspiração nos Parangolés do artista plástico Hélio Oiticica, a nova coleção segue um rumo diferente. Intitulada “Ao Quadrado”, ele estreará com 20 looks na 37ª edição da Casa de Criadores, na próxima terça-feira, em São Paulo, evento conhecido por lançar jovens no cenário fashion nacional.

Foi durante o primeiro ano do curso de relações internacionais que Lui percebeu a vocação para o design de moda. Hoje, com 26 anos, conta que a experiência de trabalhar com pesquisa de tendências foi fundamental para que ele iniciasse uma carreira de sucesso. O designer de moda se formou na Udesc em 2014 e, no ano seguinte, já havia levado a primeira coleção de sua marca, a Iarocheski, para fora do país. Em 2015, venceu o concurso “Not Just a Label” em Viena, capital da Áustria, e viu seu trabalho brilhar nas passarelas na Semana de Moda de Vancouver, no Canadá.

“A gente precisa de inovação, de gente que pensa diferente e de novas expressões visuais”, afirma Lui. Ele define o próprio processo criativo como “espontâneo e nada acadêmico”. Além de antecipar tendências e propor novas estéticas, o designer revela que dispensa o uso de croquis (esboços de como as roupas ficarão no corpo) – ao menos antes da criação das peças – pois limitam a sua criação. “Ao permitir que o material diga a própria forma no corpo, a peça acaba virando algo que você não imaginava”, explica o designer, que tem seis integrantes na equipe. Ele acha fundamental, ao criar, não pensar em quem vai vestir – e sim na própria peça, sem limitação de gênero.

“Ao Quadrado” resultou da experimentação direta com quadrados e retângulos de tecidos. Com peças criadas a partir de formas geométricas, Lui define a coleção como “mais técnica e menos fantasiosa” do que a anterior. O que surgiu como um desafio criativo, iniciado em janeiro, resultou em um processo de desconstrução de peças já existentes, que fez com que o artista pensasse em maneiras inéditas de usá-las. Ele acredita que a moda masculina sempre foi rígida e tradicional, portanto aproveitou para brincar com a desproporção e provocar o status quo ao criar, por exemplo, vestidos e blazers a partir de camisetas.

VFW/Divulgação/ND
De Florianópolis, Lui Iarocheski já mostrou seu trabalho em Viena e Vancouver

 

Empreendedorismo criativo

Foi a experiência prática vivida por Lui durante o semestre em que estudou na Suécia que impulsionou um lado pouco desenvolvido nas aulas da faculdade. Ele explica que, no exterior, o curso de moda é mais voltado para a criação e design, o que abriu portas para que buscasse algo semelhante em Santa Catarina. Com seu primeiro sócio, Alexandre Novakiski, surgiu o conceito da Iarocheski, uma empresa de moda sustentável, que se preocupa com o ecossistema local e busca desenvolver pessoas. Desde então, a missão e a propósito do projeto seguem os mesmos: não fazer produção em massa e não terceirizar produtos e serviços, garantindo a qualidade das peças. Em abril, após o desfile, a Iarocheski começará a vender as peças pela internet. Além disso, diz ter planos de abrir espaço para parcerias com novos criadores.

Uma das grandes inspirações do designer é a fundadora da The Body Shop, Anita Roddick, que criou uma marca de cosméticos sustentável. Ele também confessa a paixão que cultiva pelo trabalho de designers japoneses da linha de vanguarda, que deixaram de pensar exclusivamente nas tendências do mercado para focar na forte expressão visual.

Lui explica que, enquanto os demais eventos têm propósitos comerciais, a Casa de Criadores busca dar visibilidade e mostrar a capacidade técnica e criativa de designers brasileiros. “É esse tipo de evento que coloca o Brasil como um polo difusor de moda criativa mundial”, garante. Ele acredita que o cenário da moda em Santa Catarina é pouco desenvolvido por conta da falta suporte para o perfil de inovação. “Todos – dos criadores às empresas – acabam sendo responsáveis pela falta de flexibilidade do mercado, que lá fora tem menos limitações, pois há parcerias entre criadores e empresas”, conclui.

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