Publicidade
Domingo, 17 de Dezembro de 2017
Descrição do tempo
  • 30º C
  • 22º C

Desenho animado inspirado no boi-de-mamão estreia na Nickelodeon nesta segunda-feira

"Papaya Bull" foi criado em Florianópolis e conta a história do menino Cacupé, que é filho de um "hermano" e tem um boi chamado Sócrates

Karin Barros
Florianópolis
30/09/2017 às 14H22

Cacupé, Joaquina, Daniela, Peri, Jurerê e Mole, passarão a ser conhecidos em todo o país pela criançada. É que esses nomes de praias de Florianópolis se tornaram nomes de personagens de desenho animado pela 52 Animation Studio, da Capital.

Papaya Bull - Divulgação/ND
Cacupé e Sócrates à frente. Animação, inspirada na história do boi de mamão, traz outras referências da Ilha - Divulgação/ND


O projeto começou em 2012, com o engenheiro mecânico Ricardo Peres e o design gráfico Rodrigo Eller e o protótipo do desenho de animação “Papaya Bull”, o primeiro da empresa que eles criaram juntos. Porém, foi há pouco mais de dois anos que outras empresas foram sendo agregadas ao trabalho e ele finalmente ganhou força e reconhecimento. Hoje, mais de cem pessoas estão envolvidas. Prova disso é que “Papaya Bull” estreia no canal americano Nickelodeon, nesta segunda-feira (2), às 11h.

Com 26 episódios, a história destinada a crianças de sete a dez anos leva um pouco da cultura ilhoa para o país, mas dando ênfase principal a lenda do boi de mamão. No roteiro, as crianças daquela ilha quando nascem ganham um boi, que é gerado por um mamoeiro, e que as acompanha até os 13 anos de idade como um mentor de vida.

O protagonista Cacupé, filho de um “hermano”, chega já grande ao local e fica com o boi que sobrou, o Sócrates. Os dois têm personalidades completamente diferentes, por isso, a aventura acontece. “Queríamos universalizar a relação da cultura de Florianópolis, que não fosse algo apenas regional. Por isso temos na essência o boi de mamão, que qualquer criança consegue entender”, coloca Peres.

Confira a chamada

Outras coisas relacionadas à Florianópolis são usadas no desenho, como a renda de bilro, e palavras clássicas do vocabulário manezinho, como “istepô”, “tax tolo” e “se tu dix”. Toda a criação de arte de “Papaya Bull” foi feita na cidade, e contou com a autoria de outras pessoas também, como Tiago Melo, Andrea Midori e JH Crema. A técnica utiliza, explicou Eller, foi a cut out, uma animação diferente da tradicional. “A gente cria os personagens em 360º e depois cria um esqueleto para eles para poder animar. Com isso, cada um tem pelo menos 81 bocas e mais de 20 mãozinhas”, contou. A produção geral é da Boutique Filmes, de São Paulo.

Apesar dos episódios terem 11 minutos, eles demoram pelo menos três meses cada para ficarem prontos. “Porque tem processo de roteiro, storyboard, animatic, produção de arte e animação. São várias equipes trabalhando paralelamente em vários episódios para conseguir fazer tudo nesse tempo de produção”, explica Eller.

Os desenhos são feitos com voz original em português, algo raro no país, já que estamos acostumados a consumir produções americanas, japonesas ou francesas, por exemplo. Em “Papaya Bull”, os personagens terão os movimentos da boca em português, tudo dirigido por Melissa Garcia e produzido pela Submarino. A Birdo, empresa que fez a animação dos mascotes olímpicos, foi a responsável pela animação.

Ricardo Peres e Rodrigo Eller, da 52 Animation Studio, criadores do
Ricardo Peres e Rodrigo Eller, da 52 Animation Studio, criadores do "Papaya Bull" - Flavio Tin/ND


Santa Catarina é destaque na animação

Para Eller, o país está passando pelo mesmo momento que os Estados Unidos passaram na década de 1970 e 1980 com a imposição das cotas nos canais, onde se estimula a produção nacional. “Tem gente que é avessa a isso, mas só consumimos coisa boa de fora porque justamente eles foram obrigados a produzir. Agora já deu para ver que a qualidade dos produtos audiovisuais brasileiros aumentou muito com a lei”, coloca ele.

Peres afirma que Santa Catarina está se tornando um expoente na animação. “Já conversei com gente de fora que disse que está enxergando a nossa indústria como referência, porque as coisas estão saindo diferentes e com qualidade. Com essa indústria se estabelecendo, esses bons profissionais locais podem ficar em Florianópolis. Temos universidades formando pessoas para trabalhar, mas existe uma evasão muito grande pela falta de mercado de trabalho”, levanta o empresário.

Serviço

O quê: “Papaya Bull”
Quando: estreia 2/10, 11h
Onde: Nickelodeon (TV fechada)

Publicidade

1 Comentário

Publicidade
Publicidade