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Demétrio Panarotto lança "Tratamento da Imagem", conto ficcional mas com diálogo crítico

É a décima quarta obra do autor de Chapecó, radicado na Capital

Dariene Pasternak
Florianópolis
17/08/2018 às 14H10
Texto do autor tem bem-humoradas e criticas - Débora Klempous/Arquivo/ND
Texto do autor tem bem-humoradas e criticas - Débora Klempous/Arquivo/ND



Demétrio Panarotto lança seu décimo quarto livro na Capital nesta sexta-feira, “Tratamento da imagem”. O autor, que foi professor na UFSC, Unochapecó, e atualmente é professor de roteiro no curso de cinema da Unisul, também assina "Mas é isso, um acontecimento" (Editora da Casa, 2008), "Qual Sertão, Euclides da Cunha e Tom Zé", "Ares-condicionados" (Editora Nave, 2015), "18 Versos para o Funeral de Demétrio Panaroto" (Papel do Mato, 2018), entre outros. O prefácio é de Artur de Vargas Giorgi, publicado pela  Editora Caseira, com 111 exemplares feitos à mão. O projeto gráfico e as ilustrações são de Pati Peccin. 

A obra é um conto que o autor teve ideia quando estava em em La Plata, Argentina, em 2016, só que a escrita só tomou forma em janeiro deste ano. A imagem, tão inserida nas relações sociais atuais, serve de partida para o autor. Confira curta entrevista com Panarotto:

Você faz um questionamento acerca das imagens. Em que sentido isso ocorre?

A reflexão é sobre o excesso de imagens idealizadas e sobre como nos tornamos (com mais ou menos intensidade) dependentes delas. Ou seja, como em algum momento nos tornamos reféns de imagens espetacularizadas e, consequentemente, da nossa própria imagem como uma espécie de mercadoria. De como damos importância a uma fala social, na maioria das vezes moralista e repressora, a ponto de nos colocarmos diante dos outros com receio daquilo que as pessoas podem vir a pensar sobre a nossa imagem, e de como, muitas vezes sem percebermos (e isso não passa de um condicionamento social), procedemos do mesmo modo em relação ao outro. Deste modo, a imagem nos dias de hoje, a partir de uma construção social, parece ser mais importante que todas as demais situações que constroem a vida de cada um. Por outro lado, contraditoriamente, não há troca nem sujeito sem as imagens, o que torna a discussão toda muito mais complexa e interessante.

 

Como você descreve esta nova obra?

No que diz respeito ao texto, uma ficção em um constante diálogo crítico com a sociedade contemporânea. O texto é marcado por doses bem-humoradas que lidam com certa anestesia do mundo hoje. E, naturalmente, mantém características que o aproximam dos demais livros que lancei. No que diz respeito ao objeto livro, uma conversa (do mesmo modo que as que mantive com os editores e editoras dos livros anteriores) na busca por um material que fuja das características comumente atribuídas ao livro.

 

Por que você se interessou uma edição mais enxuta e artesanal? Tem algo a ver com a própria história ou com “a imagem”

Parece-me a cara daquilo que vivemos. A partir do momento em que se fecha o cerco e que há cada vez menos espaço nas editoras (e por extensão nas livrarias), por assim dizer, renomadas, criam-se outros espaços para que o trabalho circule. As editoras artesanais e/ou independentes e as pequenas feiras, como é o caso do Parque Gráfico [que ocorre na Capital] se colocam como alternativa pra circulação e divulgação do trabalho dos novos autores e mesmo de autores com uma certa rodagem. Não obstante, se o conto é uma crítica ao excesso, nada mais interessante que o diálogo com as pequenas editoras, com as quais se pode vir a fazer um trabalho de qualidade e ao mesmo tempo explorar novas possibilidades de construção do livro.

 

Publicação tem tiragem de 111 livros feitos à mão, impressa pela Editora Caseira, com ilustrações de Pati Peccin - Divulgação/ND
Publicação tem tiragem de 111 livros feitos à mão, impressa pela Editora Caseira, com ilustrações de Pati Peccin - Divulgação/ND



Serviço:

O quê: Lançamento de  “Tratamento da Imagem”, de Demétrio Panarotto

Quando: 17/8, 19h

Onde: Desterrados - fotografia, literatura e arte, rua Tiradentes, 204, Centro, Florianópolis

Quanto: Gratuito (R$ 35, livro)

 

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