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Décimo Múltipla Dança tem programação gratuita e faz reflexão dos caminhos da dança

O festival internacional de dança, que tem programação gratuita, segue até o dia 27, em Florianópolis

Karin Barros
Florianópolis
22/05/2017 às 11H27

A arte brasileira tem passado por um período de resistência. Em Santa Catarina, não é diferente. Diversos grupos de teatro, música e dança têm trabalhado com poucos recursos para sobreviverem na ativa com seus espetáculos. Um dos exemplos de destaque é o Cena 11 Cia de Dança, que abre o 10º Múltipla Dança - Festival Internacional de Dança Contemporânea neste sábado, no Teatro Pedro Ivo, em Florianópolis, com um espetáculo que precisou de financiamento coletivo via internet para estrear em sua cidade natal.

Múltipla Dança - Bruno Ropelato/Divulgação/ND
Daniela Alvs e Karina Collaço na 9ª ediçaõ do Múltipla Dança - Bruno Ropelato/Divulgação/ND

Marta Cesar, diretora e uma das curadoras do Múltipla desde sua criação, diz que a programação precisou ser feita com aquilo que tem, “e aquilo que tem é muito potente”. “A palavra ‘resistência’ está em evidência nessa edição. O Cena 11 estava sem manutenção há alguns anos. O momento é desafiador para todos, e eles estão empenhados nessa estratégia de sobreviver”, afirma a diretora.

“Protocolo Elefante” é um espetáculo que investiga na ação de afastamento e isolamento do elefante na iminência de sua morte, uma metáfora da separação e exílio. O espetáculo do Cena 11 estreou no ano passado no Sesc São Paulo.

O festival de dança segue até o dia 27 com 20 convidados, 11 trabalhos em cena, quatro oficinas, uma mostra de fotografia, cinco diálogos, dois lançamentos - um livro e uma videoarte, uma homenagem e a mostra de videodança, com a apresentação de 19 trabalhos.

Além do volume de atividades, o evento tem uma pegada política, uma das características da produção de dança contemporânea de Santa Catarina que se insere na cidade, no urbano, no fluxo – no encontro e no desencontro das existências. Ocupa parque e ruas, busca a paisagem e a arquitetura.

A décima edição envolve profissionais e pesquisadores de três Estados brasileiros: Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Entre os convidados estão Inês Bogéa, diretora da São Paulo Companhia de Dança, que atuou como crítica do jornal “Folha de S. Paulo” e dirigiu mais de 40 documentários sobre dança. Ela fará a videopalestra “Dança em Construção” no dia 25, às 20h, no Teatro Sesc Prainha. O seu vasto currículo inclui doutorado em artes, além das atividades como bailarina, documentarista, escritora e professora na Universidade de São Paulo.

Do Paraná, vem Marila Velloso, artista da dança, doutora, professora do colegiado de dança do Campus Curitiba II da Unespar. Formada em dança contemporânea e práticas orientais de movimento, ela criou, dirige e integra o núcleo Key Zetta e Cia. que ajuda o Múltipla Dança a cumprir o compromisso de formação de plateia com o espetáculo “Para Todos os Seguintes”, voltado para o público infantil.

O festival tem também encontros para aprendizagem, com oficinas gratuitas, inclusive as ações chamadas “Em Cena”. A mostra de videodança em parceria com o Dança em Foco – Festival Internacional de Vídeo & Dança e a Fundação Cultural Badesc, ocorre nos dias 22 e 23, às 19h. A iniciativa divulga 19 trabalhos, divididos em três etapas: coreoedições, experimentos e curtas internacionais.

Tradutora da dança

Escritora, educadora, dançarina, diretora, pesquisadora, Ida Mara Freire será a homenageada da 10ª edição. Segundo a organização do evento, Ida, como crítica de dança, provocadora, escreve de modo simples e claro, como se estivesse em busca de um leitor que têm pouco acesso ao mundo da dança. Ida Mara receberá o troféu criado pela artista Raquel da Silva. “É uma feliz homenagem a Ida, ela presta um serviço a dança, não só ao festival que ela acompanha desde o início, mas a dança em geral”, coloca a diretora e curadora Marta.

Junto à resistência, tão mencionada por Marta, vem o tema do Múltipla: economia solidária. Cada um dos artistas fez a sua parte para assegurar a realização do projeto. “Junto ao Cena 11, outros catarinenses compõem o programa: Egon Seidler, Daniela Alves, Karina Collaço, Anderson do Carmo, Cristiano Prim, projeto Corpo, Tempo e Movimento e Entropia - Experiências Artísticas. É pelo esforço cooperativo destes convidados que o Múltipla Dança 2017 ganha vida”, finaliza Marta.

Serviço
O quê: 10º Múltipla Dança
Quando: de 20 a 27/5
Onde: Teatro Pedro Ivo, Kirinus Escola de Dança, Jardim Botânico do Itacorubi, Fundação Badesc, Casarão Praça dos Bombeiros, Floripa Shopping e Jurerê Sports Center
Quanto: gratuito
Confira a programação completa em www.multipladanca.art.br

O
 quê: "Protocolo elefante", do Cena 11
Quando: 20/5, 20h
Onde: Teatro Pedro Ivo, rod. SC-401, Saco Grande, Fpolis
Quant: gratuito

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