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Daniel Leipnitz conta como a Acate entrou na sua trajetória empresarial

O administrador de empresas está à frente da associação que comanda o segundo maior ecossistema de inovação do país

Janine Alves, especial para a Inspira
Florianópolis
17/08/2018 às 21H42


Daniel Leipnitz entrou na Acate (Associação de Empresas de Tecnologia) para colaborar, sem pretensões a cargos ou destaque. Na época, o ex-presidente da Acate, Guilherme Bernard (in memoriam), a quem Daniel expressa sempre gratidão, o chamou para uma conversa e tratou de ajustar as percepções: ele seria então o próximo indicado a presidência da associação e comandaria o segundo maior ecossistema de inovação do país.

Daniel Leipnitz reforça a importância do engajamento de pessoas e empresas  para o setor crescer - Daniel Queiroz/ND
Daniel Leipnitz reforça a importância do engajamento de pessoas e empresas para o setor crescer - Daniel Queiroz/ND



Cabe aqui uma pausa para uma explicação: para muita gente o termo “ecossistema de inovação”, ainda soa estranho. No entanto, ele indica que existe muito mais do que um setor onde as empresas nascem, crescem e se desenvolvem. No ecossistema de inovação existe a preocupação latente com o ambiente e a formação dos novos empreendedores. Um ambiente propício ao compartilhamento de conhecimento, experiências e infraestrutura, os que chegaram primeiro se tornam os anjos daqueles que estão chegando agora.

Não por acaso os produtos desse ecossistema são exportados para os cinco continentes e para mais de 150 países do mundo. Os empresários desse “setor” estão ocupados fazendo as suas empresas crescerem, mas em sua maioria, também estão engajados em programas de responsabilidade social, preocupados com o ambiente macroeconômico e politico. Existe identidade entre os membros e essência no propósito. Talvez por isso, a indicação do Daniel ao comando desse ecossistema, pois ele não desejava ser o primeiro na linha de sucessão, mas apenas colaborar para que o trabalho fosse bem-sucedido. Quem dera que os presidenciáveis tivessem esse mesmo perfil.

Daniel, que é também diretor Corporativo e de Relações Humanas na Visto Sistemas, conta que em vários momentos o que parecia ser a segunda opção, por força das circunstâncias se transformou na opção mais adequada. Isso se repete em sua vida: ele queria fazer o curso de computação da UFSC, não foi aprovado, mas fez vestibular para o curso de administração na Esag/Udesc e passou. Começou a cursar e se apaixonou pela administração. Assim como também não imaginava ser um sucessor do presidente da Acate, mas foi convencido e hoje segue no seu segundo mandato até 2020. Confira a entrevista:

Como a tecnologia e Florianópolis entraram na sua vida?
A tecnologia sempre esteve em minha vida. Meu pai entrou para área com 21 anos, quando foi fundada a Procergs no Rio Grande do Sul – o que equivale a Ciasc aqui. Meu pai foi um dos precursores do setor no início dos anos 1970. Na época a Procergs era uma das melhores empresas do país. Eles estimulavam os funcionários a estudar fora, a buscar o que tinha de novidade. Mas quando começou a politizar - no final da década de 1980 início de 1990 - decidiu que aquele trabalho não era mais para ele. Nesse período várias pessoas saíram da empresa. A maioria foi para São Paulo, mas meu pai não queria ir para lá. Como tinha estudando engenharia de informação em Boston nos Estados Unidos, ele começou a dar palestra pelo Brasil e um dia veio para Florianópolis para fazer uma palestra na Eletrosul e disse que era aqui que queria morar. Eu prestei vestibular para computação com 17 anos e não passei, mas passei para administração na Esag, comecei a fazer o curso e me apaixonei. Foi paixão à primeira vista. Meu pai me colocava nas áreas aonde dava consultoria para eu ensinar as pessoas a usarem um processador de texto, a usar uma planilha eletrônica. E assim as coisas foram se somando.

Você recebeu incentivo para ser empreendedor na época da faculdade?
Eu entrei na Esag em 1997 e não me lembro de nenhum programa específico. Mas dessa geração formou caras sensacionais. Acredito que ainda faltam estrutura e apoio institucional para incentivar as pessoas a fazerem seus próprios negócios.

Como você começou a sua empresa?
Quando eu estudava na Esag a empresa já tinha começado. Nesse período era pauleira. Trabalhava muito durante o dia e tinha que estudar à noite. A nossa empresa já tem 20 anos. Hoje nós trabalhamos no Brasil inteiro. São 60 pessoas trabalhando em Florianópolis, mais 40 em São Paulo e times espalhados pelo Brasil.

Vocês sentiram os reflexos da crise?
Ano passado, mesmo com a crise, o nosso faturamento cresceu 29%. A empresa cresceu muito, mas é uma coisa meio caótica. Não é fácil, não é natural é uma luta diária para melhorar, para construir as soluções de forma conjunta e para clientes com diferentes níveis de maturidade. Nós passamos por uma fusão há dois anos e esse foi um momento bem interessante. Nós acreditamos que os mercados têm que se consolidar e que sozinho a gente não consegue se desenvolver.

Como foi a transição para a Acate?
Eu entrei na Acate por acaso, a convite do Alexandre Cunha, ex-presidente. Quando percebeu que a Acate era muito mais do que um condomínio ele começou a chamar pessoas conhecidas que pudessem ajudar. Nessa época a sede da Acate ficava na Lauro Linhares, na Trindade. Ele chamou os amigos de acordo com as especialidades. Tinha um que era mais do setor de telecom, outro do setor energia, e ele me perguntou o que eu poderia fazer: eu sugeri que fosse algo voltado para o social, ajudar uma escola por exemplo. Mas ele entendeu errado, pensou que era para fazer algo para movimentar, uma festa, por exemplo. E assim nós criamos uma festa linda de final de ano, que acontece até hoje. Logo depois a pessoa que cuidava do departamento financeiro da Acate saiu, o Alexandre tentou algumas pessoas, eles não aceitaram, mas eu acabei aceitando. Eu não era a primeira opção. Fiquei na associação até o final de gestão do Alexandre, depois participei da gestão do Rui Gonçalves e toda a gestão do Guilherme.


Existe um trabalho de preparação dos novos presidentes?
Esse é um trabalho muito legal, uma coisa que transcende a técnica no sentido de definir quem vai ser o próximo presidente. Existe uma sequência mais ou menos lógica, porém nem sempre isso acontece. Eu nunca fui à primeira opção tanto para diretor financeiro, quanto para presidente. Eu não tinha essa expectativa de chegar à presidência. E a preparação foi muito bacana, foi um processo quase espiritual, envolveu a escolha. Fui convidado pelo Guilherme e pelo Everton Gubert um ano antes do término do mandato deles. A grande importância desse processo de preparação tem a ver com a cultura, a pessoa tem que ter a cultura da associação, por isso a gente tem uma meritocracia muito forte, ninguém entra de paraquedas.


Quais as perspectivas para o futuro?
Estamos abrindo um centro de inovação no Centro de Florianópolis, queremos abrir outro no Sapiens Park no Norte da Ilha até o final do ano, queremos ter outro em Itaguaçu e outro em São José. Na primeira gestão nós trabalhamos na criação de produtos que atendiam aos empreendedores e que contribuíssem para a sustentabilidade do próprio ecossistema. Esses modelos foram validados e agora estamos replicando para outras regiões do Estado. O foco agora é replicar o que funciona para que mais pessoas, mais empresas, mais ecossistemas tenham o mesmo resultado dos locais que contam com esses programas. Nós também estamos ampliando a nossa rede de relacionamento com os gestores públicos para que eles entendam a nossas necessidades. Existem diferenças nas leis de inovação entre os municípios de Florianópolis e de Palhoça, por exemplo, mas nós estamos trabalhando para que a evolução dessa lei de inovação possa ser replicada para todas as prefeituras, para que seja possível compartilhar toda a inteligência. Nós estamos trabalhando em conjunto com outros atores para mostrar a atratividade do ecossistema e isso tem feito muita diferença. Nós nos reunimos muito, as novas iniciativas são discutidas e compartilhadas, inclusive em temas fora do setor. Todos nós estamos mais engajados com o objetivo da ajudar nossas empresas a crescer, mas também pensando na cidade, no Estado, no todo.

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