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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Curta pensado no Neti, da UFSC, fala sobre adoção, deficiência e amor

Mônica Siedler fez seu primeiro roteiro baseado na história real que vive com a filha de 28 anos

Karin Barros
Florianópolis

A socióloga do Neti (Núcleo de Estudos da Terceira Idade), da UFSC, e coordenadora do projeto Cinedebate em Gerontologia, Mônica Joesting Siedler, 60, está colocando em prática o primeiro roteiro de cinema da sua vida, e para ela em particular, ele tem um peso especial. 

Daniel Queiroz/ND
Natalia e Mônica também participam do curta


O curta-metragem “Ana e Gerth”, previsto para ser lançado até outubro, contará a história de duas amigas que se reencontraram depois de muitos anos. A própria roteirista e a amiga Maslova Maragno interpretam as personagens. A história tem muito em comum com a própria história de vida de Mônica e sua filha Natalia Siedler, 28, diagnosticada como autista. No filme, uma delas conta que deu a filha para a adoção, enquanto a outra diz ter adotado uma menina autista.  Ambas nasceram no mesmo dia, e nesse momento existe a dúvida e a possibilidade de serem mães adotiva e biológica da mesma jovem. 

Na vida real, Natalia é filha biológica de Mônica, porém, no filme, ela vive o dilema entre as mães. “Me preocupo muito em discutir a deficiência de uma maneira mais normal, incluída, que fosse parte do dia a dia. Acho que a deficiência tem que ser colocada pelos pais, como coisa do cotidiano. Eu optei por falar da adoção, porque é uma escolha, e a deficiência também é algo que eu escolho tratar bem, é algo que acontece na vida das pessoas”, afirma a idealizadora do projeto.

A história tem supervisão e apoio do cineasta Zeca Nunes Pires, direção de Irene Baldacin, e realização do Neti e TV UFSC. As gravações aconteceram em duas partes: uma ao final de julho, no Mercado Sehat, no Campeche, e a outra no dia 11 deste mês, na Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) de Florianópolis. Natalia, que participa de duas cenas, recebe atendimento na Apae há 15 anos, e para a instituição o curta é interessante para abrir os olhos da população. “Muitas pessoas não tem entendimento de qual é o trabalho da Apae, do que atende, e mais que isso, sobre o que é deficiência, e o entendimento de que antes da deficiência vem uma pessoa”, explica Rafael Bischoff, coordenador pedagógico.

A associação lida especificamente com deficiências intelectuais, porém, grande parte delas vem acompanhada de uma síndrome, ou do TEA (Transtorno Espectro Autista). No local, eles trabalham a educação profissional e a estimulação essencial, que inclui a motora e a cognitiva, porém, entre esses alunos, ainda tem os que ficarão por anos na associação, por estarem em um grau mais avançado da deficiência.

Participações voluntárias

Nas gravações, cerca de 60 alunos, entre crianças e adultos do centro de convivência, participaram do curta-metragem. “A ideia não é mostrar a deficiência só como a síndrome de Down, tem outras, mas tem que ser mais falado e mais discutido para ser melhor inserido na sociedade”, diz Mônica. Zeca já havia trabalhado com a Apae, com o documentário “Aplausos”, em 2011. “Estou fazendo esse trabalho espontaneamente, como colaborador, para que ganhe cara de filme mesmo, com cortes. Esse exercício de estar dentro da Apae é muito interessante. É a universidade fazendo o seu papel com a comunidade. Eu faço de coração porque gosto muito do trabalho deles”, afirmou o cineasta.

Os últimos takes contaram com a participação do contador de histórias e ex-aluno do Neti, Nestor José Rech, 63, como um contador mesmo. Ele já havia feito participações em propagandas, mas nada com o clima de cinema. Para ele, foi uma experiência diferente. “Não me preocupei com as câmeras, mas acho que é diferente estar contando uma história para os deficientes, pois eles reagem, às vezes dão gritos, e eu não posso perder a linha de pensamento, além disso, preciso sentir o que está chamando mais atenção deles na brincadeira”, afirma Nestor.

Irene Baldacin estava fora da área do cinema há dez anos, mas diz que o projeto é um recomeço para ela. “Não tinha trabalhado ainda com público especial, mas participei da construção do roteiro, fiz a produção, e o apoio do Zeca é fundamental, da uma segurança muito grande”, afirma a diretora, que entrará agora na fase de edição e garante que há imagens suficientes para uma boa edição.

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