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Crítica: “Vingadores – Guerra Infinita” deve agradar os fãs da franquia, mas só

Terceiro filme com heróis da Marvel, em cartaz nos cinemas, peca pela pressa de querer oferecer aos fãs sequências memoráveis

Andrey Lehnemann
Especial para o Notícias do Dia
26/04/2018 às 15H40

Quando o agente Phil Coulson abordava pela primeira vez Tony Stark durante uma festa em “Homem de Ferro”, o universo Marvel no cinema era calculista ao dar seu primeiro passo em direção a algo maior. Dez anos depois, em “Vingadores – Guerra Infinita”, o estúdio finalmente expõe a grandiosidade de suas intenções, ao reunir pela primeira vez as suas franquias de sucesso. Um espetáculo que, sim, encontra ressonância em cenas como aquela em que Thor chega a Wakanda ou a que Tony Stark aparece caminhando numa Nova York sitiada, após uma breve conversa de apresentação com o Doutor Estranho. No entanto, diferente da novidade que o primeiro filme dos Vingadores proporcionava ou até mesmo dos gatilhos dramáticos eficientes que faziam os heróis comungarem em uma causa comum, “Vingadores – Guerra Infinita” peca por sua pressa, pelo anseio em oferecer o máximo de sequências antológicas para os fãs e sofre por uma montagem no mínimo discutível.

Separados desde
Separados desde "Guerra Civil", Os Vingadores se unem em "Guerra Infinita" - Divulgação/ND



Afinal, começando já no centro da batalha, com direito a mortes importantes e ação ininterrupta, o filme de Anthony Russo e Joe Russo abdica de propor a história de sacrifício que pretende narrar para aforismos vazios que pouco repercutem o aspecto moral por trás da proposta de Thanos. É óbvio, verdade, que os diretores tentam trazer mais para a mesa do que apenas uma figura vilanesca que quer controlar o universo, mas, ao se ancorar numa fórmula que foge de um debate mais social, alternando a tensão com piadinhas deslocadas (a pior delas é, provavelmente, “você é um péssimo irmão”), fica dificílimo correlacionar o clima tempestuoso almejado com os gracejos que aqui e ali provocam o entretenimento.

Por consequência, quando os diretores se dão conta de que precisam de recursos dramáticos para remover o nó da história, o filme se torna extremamente vulnerável em suas numerosas coincidências narrativas e relacionamentos pouco imaginativos. Perceba como a montagem jamais consegue nos mostrar um mesmo filme, mas várias sequências com diferentes heróis - sem que haja completa sintonia. Desta forma, as provações finais de personagens que deveriam sugerir a passagem da vingança para o sacrifício por um bem comum se tornam rasas.

Os atores Benedict Cumberbatch, Robert Downey Jr, Mark Ruffalo e Benedict Wong foram dirigidos pelos irmãos Joe e Anthony Russo - Divulgação/ND
Os atores Benedict Cumberbatch, Robert Downey Jr, Mark Ruffalo e Benedict Wong foram dirigidos pelos irmãos Joe e Anthony Russo - Divulgação/ND



“Vingadores – Guerra Infinita”, não se pode esquecer, procura denunciar um mundo de genocidas aleatórios. E líderes, lado a lado, buscando um bem comum nos fazem sentir melhor. Ainda assim, é uma pena observar que a expectativa e a esperança que o mesmo Phil Coulson possuía no primeiro filme mudou bruscamente nas intenções do projeto Marvel. Diferente de filmes como “A Ira de Khan”, de “Star Trek”, o novo “Vingadores” é mais similar a pretensão de “Batman vs Superman” do que a sensibilidade da nave comandada por Capitão Kirk. Sugere ser apenas mais um obstáculo para aventuras maiores, que acabam somente cumprindo os anseios de fãs mais fervorosos.

 

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