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CRÍTICA: Novo “Bruxa de Blair” é um remake disfarçado de continuação

Em cartaz nos cinemas, o filme de Adam Wingard é o terceiro capítulo da franquia de terror nascida no fim dos anos 1990

Gustavo Bruning
Florianópolis
19/09/2016 às 10H06

Motivado pela repercussão do filme de terror independente “A Bruxa de Blair”, o novo capítulo da franquia, já nos cinemas, pode ser classificado como um remake disfarçado de continuação. Salvo por poucos desvios do original, lançado em 1999, a história de “Bruxa de Blair” segue a mesma linha do primeiro: um grupo de jovens vai explorar uma floresta e acaba se perdendo no local, até que passa a ser assombrando por uma entidade misteriosa. Escrito por Simon Barett e dirigido por Adam Wingard, dupla responsável pela criativa antologia de terror “V/H/S”, o terceiro filme é uma mistura de homenagens e recriações.

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O diretor Adam Wingard à esquerda dos atores James Allen McCune e Callie Hernandez: filme marcado pela falta de improvisos - ND/Divulgação


É inevitável comparar a versão contemporânea à original. Enquanto o longa-metragem de 1999 explorava a evolução dos personagens através de uma montanha-russa de emoções, o novo filme é mais raso nesse sentido. Até as cenas finais, os personagens parecem aceitar de forma mais branda que estão perdidos em uma floresta amaldiçoada. Aliás, as fracas motivações do grupo impedem que o espectador torça por eles. No entanto, é interessante observar as abordagens dos personagens durante a produção de um documentário amador, bastante diferentes de como era há quase duas décadas.

A notável discrepância na autenticidade das atuações em relação ao original também pode ser justificada. Enquanto as cenas da nova versão, que mantém o formato found footage, não foram de fato capturadas pelos atores, recorrem a truques de câmera e são convenientemente bem planejadas, o longa dos anos 1990 foi filmado de forma nada ortodoxa. Na época, os diretores e roteiristas Daniel Myrick e Eduardo Sánchez soltaram os protagonistas na floresta durante pouco mais de uma semana e passavam breves orientações individuais diariamente através de walkie talkies. Conclusão: a simplicidade e o suspense ditam o tom de “A Bruxa de Blair”, enquanto em “Bruxa de Blair” a falta de improvisos deixa a desejar. Em entrevista ao site Bloody Disgusting, Wingard aponta a diferença entre as duas produções. "Se o primeiro filme é sobre estar perdido na floresta, acho que o nosso filme é sobre ser perseguido na floresta”, afirma.

Grande parte do sucesso da franquia se deve à inteligente campanha de marketing realizada na década de 1990, que encontrou na internet, em seus primórdios, uma forma de criar burburinho e instigar as pessoas a pesquisarem sobre a lenda da bruxa. Respaldadas por documentários e notícias falsas, a campanha viral foi tão inovadora que muitos espectadores foram aos cinemas acreditando que iriam de fato assistir as últimas horas de vida dos jovens. Tentar ressuscitar a lenda da Bruxa de Blair e vendê-la como real é menosprezar a evolução pela qual a internet passou nos últimos 17 anos.

O filme cumpre a tarefa de assustar, mas faz isso por meio de trapaças clássicas – barulhos repentinos absurdamente altos e sons um tanto quanto inexplicáveis em cenas supostamente livres de uma edição aprimorada. Apesar de manter quase à risca a proposta do original – assustar sem exibir algo horripilante –, a liberdade criativa de Barett e Wingard faz com que “Bruxa de Blair” ganhe uma cara distinta. Vai do espectador decidir se vale a pena se perder nesta floresta simulada.

Curiosidades sobre a franquia

  • Apesar de não ser o primeiro filme de terror a incorporar o estilo found footage, “A Bruxa de Blair” foi responsável por revigorar o cinema de terror independente e inspirar franquias como “Atividade Paranormal” e “Rec”.
  • O orçamento do novo filme foi de US$ 5 milhões, enquanto o da versão original foi de US$ 60 mil – o que eventualmente rendeu US$248 milhões nas bilheterias mundialmente.
  • O segundo filme da franquia é bastante criticado por deixar de lado o formato found footage. De acordo com o diretor, Joe Berlinger, “A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras” não condiz com a ideia concebida originalmente por ele.
  • O novo “Bruxa de Blair” foi mantido em segredo durante os três anos de produção e recebeu o título fictício “The Woods” (A Floresta, em tradução livre). Foi apenas em julho de 2016, durante a Comic Com, que o projeto foi revelado.

Confira os horários das sessões de "Bruxa de Blair" nos cinemas da Grande Florianópolis.

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