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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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CRÍTICA: Em novo clipe, Madonna defende que idade não é fator limitador na vida de ninguém

No vídeo “Bitch I’m Madonna”, cantora diz que ainda está na pista, pode usar a roupa que quiser, ir para a balada e se divertir

Redação ND
Florianópolis
Divulgação/ND
Madonna lembra que idade não é barreira para a autenticidade

 

Cristiane Fontinha Miranda*

 

Bitch I’m not Madonna, mas a rainha do Pop me levou a refletir sobre a idade, e se ela pode ser considerada um fator limitador para o comportamento. Aos 20 anos eu achava que sim. Que mulheres maduras não poderiam nem deveriam se comportar de determinada forma ou vestir certas roupas, porque não “pegava bem” para a idade. A moral nos leva a pensar que, à medida que os anos passam, devemos abaixar a bainha de nossas saias e agir de forma mais sóbria.  Hoje, com quase 45 anos, penso de forma bem diferente. Em seu novo álbum “Rebel Heart, a cantora - que completará 57 anos em agosto - atesta que não há um comportamento padrão para uma idade, pelo menos não no caso de Madonna.

Em seu recente vídeo, Bitch I’m Madonna, “ela samba na cara das invejosas” e da sociedade, que esperava ver uma postura bem diferente da quase jovem senhora. No vídeo, dirigido pelo sueco Jonas Åkerlund, a cantora aparece de vestido curto com estampa animal extremamente colorida, declarando que ela é Madonna e pode tudo, tudo o que quiser. Ao lado de cantoras mais jovens e celebridades, como Nicki Minaj, que participa da faixa, Madonna declara que continuará sendo uma “vadia má” e que ainda está na pista. Ela pode sair para a balada, beijar quem desejar, enlouquecer e se divertir. No vídeo ainda figuram Katy Perry, Beyoncé, Miley Cyrus, Rita Ora e tem a participação de Chris Rock, do DJ e produtor musical Diplo, Kanye West e do filho Rocco.

Ao que parece, a idade não vai deter Madonna, que no final da década de 80 já chocou ao insinuar cenas de sexo com um pretenso santo negro e utilizando objetos que simbolizam o catolicismo, no vídeo da música “Like a Prayer. Na época, os fiéis da igreja católica foram incentivados a boicotar os shows da cantora. Outra performance que chocou os mais puritanos foi a atuação da cantora na apresentação da música “Like a Virgin, na premiação da MTV (Music Television), em 1986, quando simulou estar se masturbando ao vivo. Madonna, que sempre foi uma força da natureza mesmo antes de se tornar famosa, se mantém fiel aos seus princípios de liberdade de expressão artística.

A idade de forma alguma deve representar um fator limitador na vida de qualquer pessoa, especialmente das mulheres, que sempre sofreram e ainda sofrem com a repressão moral imposta há muito pela sociedade. A estadunidense Iris Apfel, designer e ícone fashionista de estilo, é outro exemplo de que a idade não impõe limites a qualquer forma de expressão. Aos 93 anos, ela ainda se mantém produtiva, quebrando tabus e serve de inspiração para muitos jovens profissionais. Considerada excêntrica por muitos, Iris é protagonista de um documentário biográfico, lançado em abril deste ano, de autoria do cineasta Albert Maysles, morto em março último.

Tanto Madonna como Isis são a prova viva de que a idade não representa uma barreira para a autenticidade. Claro que existem outros exemplos na história, mas é nas artes onde se tornam mais visíveis. Contudo, se comparados ao universo feminino, ainda são raros. Oxalá nós tivéssemos no mundo mais Madonnas, mais Iris e Fridas Kahlo, amadas por muitos e incompreendidas por outros tantos. Aos 25, 35, 45 ou 55 quero ter garantido o meu direito de fazer novas tatuagens, usar a saia mais curta e viver uma paixão arrebatadora. Esses e outros tantos privilégios não devem estar restritos apenas aos mais jovens.

*Jornalista, fotógrafa e doutoranda pela UFSC.

Vídeo Bitch I’m Madonna:

Trailer do documentário Iris:

 

 

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