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Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
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CRÍTICA: 9º Festival Múltipla Dança movimenta Florianópolis com espetáculos para todos os públicos

Evento que segue até domingo (29) traz espetáculos e intervenções urbanas

Redação ND
Florianópolis
Clara Meirelles/Divulgação/ND
Festival promove diversos espetáculos e intervenções na Capital


Por Ida Mara Freire

O Festival Múltipla Dança  apresentou no feriado  de quinta-feira 26 de maio, intervenções e espetáculos livre para todos  os públicos, demonstrando também seu compromisso  de  ir ao encontro do espectador. Pela manhã o sol aquece o corpo e traz vivacidade à paisagem outonal  do Parque de Coqueiros.  As dançarinas Margô Assis, Thembi Rosa, Karina Collaço e Dorothé Depeauw  da Dança Multiplex ora são seguidas por uma plateia ora o espectador  compõe  a cena da dança  oriunda de um trabalho cuidadoso com o corpo, com o lugar e com os objetos – bambu, tecidos  e outras delicadezas, retiradas da aba de um chapéu ou escondidas  dentro da meia – que  conduzem os participantes à leveza, à delicadeza e ao lirismo interno e externo.  Em conversa com a dançarina belga Dorothé Depeauw  acerca da intervenção, ela  comenta  que a experiência de  dançar num parque se distingue de um teatro,  principalmente pela  proximidade entre  o dançarino e o público,  sem a  elevação de um palco percebem com nitidez  a humanidade  de cada comum.     

No período da tarde na praia do Campeche,  em frente ao rancho da canoa, os movimentos da dança  breaking  do grupo  Atitude Cia. de Dança de Garopaba, prendem a atenção da plateia de aproximadamente 180 pessoas.  O conhecido pescador  sr. Getúlio,  assegura que  todo artista deve ir aonde o povo está. Trazer para a comunidade  o que não está visível na comunidade.  As crianças atentam-se para o figurino cujas cores preta e terracota  mesclam com a areia  umedecida  que  exige dos dançarinos destreza  e resistência para controlar  o gesto dançante,  ritmado pela a  composição musical  de Davide “Nelson D” Merra e  o som das ondas do mar.  Outro morador da região, sr. Osmar  João da Cunha, surpreende-se com os movimentos de  defesa e a escalada de um dançarino nas costas de um outro, para saltar mais alto. Mas, alto está a plateia  dos prédios ao redor do pátio do TAC que testemunha de longe,  o tempo que o corpo de  Elías Aguirre  leva  para desfigurar-se  em movimentos,  manifestando em essência e  em aparência um conflito  interno de alguém que aprende a viver  envenenado.

A noite chega,  em um clima  de contação de história, Rui Moreira habita o espaço entre  o desejo de partir sem saber  ao certo que destino seguir,  interage com o público  indagando  sobre a juventude aos muitos jovens que assim se apresentam,  e também às crianças  de colo, que durante o espetáculo  seus  choros, balbucios,  por alguns  momentos  chamam a atenção  da plateia.   Para Rui,  nada atrapalha, pelo contrário,  a ação cênica  criada  numa atmosfera ritualística  em meio  de mulheres anciãs  de um vilarejo em Senegal,  as crianças  estão presentes.  Coerente com seu trabalho intitulado Co Ês (com  eles),  elas:  as pessoas comuns,  as mulheres,  as crianças, não  ficam  do lado de fora.  E assim, o Múltipla convida: vamos todos parquear  e notar o que acontece no corpo  ao equilibrar um bambu no topo da própria cabeça?   As crianças respondem:  concentração!  Os adultos constatam: contemplação.  Perceber que quando não fazemos nada, o silêncio faz tudo dentro de nós.  Essa é uma dança livre para todos os públicos.

Confira a programação completa do 9º Múltipla Dança – Festival Internacional de Dança Contemporânea de Florianópolis através do site www.multipladanca.art.br.

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