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Christiane Torloni interpreta famosa soprano em curta temporada em Florianópolis

Em entrevista, a atriz conta como foi a preparação para subir aos palcos como Maria Callas

Redação
Florianópolis
02/03/2018 às 11H38

Maria Callas foi uma cantora lírica norte-americana de ascendência grega, considerada a mais renomada e influente cantora de ópera do século 20 e a maior soprano de todos os tempos. Sua história será contada em Florianópolis nesta sexta, sábado e domingo pela atriz Christiane Torloni, no Teatro Pedro Ivo. 

Espetáculo
Espetáculo "Master class" se baseia nas lendárias aulas que a soprano ministrou nos anos 1970 - Marcos Mesquita/Divulgação/ND


Apesar de também muito famosa pela sua conturbada vida pessoal, principalmente devido ao seu relacionamento com o bilionário grego Aristóteles Onassis, o legado de Maria deve-se ao impulso a um novo estilo de atuação nas produções operísticas, à raridade de seu tipo de voz e ao resgate de óperas estreladas por ela. 

“Master Class” é um clássico da Broadway de Terrence McNally lançado em 1995, com temporadas de sucesso em São Paulo, em 2015, e no Rio de Janeiro, em 2016. O enredo baseia-se nas lendárias aulas magnas proferidas pela grande soprano no início dos anos 1970, na Julliard School of Music, de Nova York. 

Na peça, Maria repreende os alunos da mesma maneira enérgica com que os encoraja, confrontando os desapontamentos e dissabores de sua própria vida e de seu relacionamento.  “Master Class” é um dos poucos espetáculos produzidos na Broadway a alcançar enorme sucesso internacional, conquistando, dentre outros, o prêmio Desk Drama Award de Melhor Espetáculo da Broadway, além de três prêmios Tony Award, o Oscar do teatro americano.  

O espetáculo conta com a direção do encenador José Possi Neto, sob a direção musical do maestro Fábio G. Oliveira, ambos à frente de um elenco formado pelas sopranos/atrizes Julianne Daud e Paula Capovilla; o tenor/ator Fred Silveira, o ator e pianista Thiago Rodrigues, além dos cantores e atores Jessé Scarpellini e Raquel Paulin.

Confira a entrevista feita por e-mail com Christiane Torloni

ND - Como é para você, artista, representar uma mulher que há tanto tempo atrás marcou a arte?

Christiane - Viver Maria Callas é um desafio. Interpretar uma personalidade é sempre um risco maior, porque as pessoas podem ir lá conferir (risos). Quando se faz um personagem que vem da sua imaginação – a própria Joana D’Arc, por exemplo, que, apesar de ser um personagem da Idade Média, com muito registro da passagem dela – para o bem ou para o mal, é um personagem que te desafia. Mas o texto de Callas é tão atual, ela foi uma mulher tão à frente de seu tempo em alguns aspectos, que precisei de 40 anos de carreira para vivê-la.

ND - Qual legado você acredita que Maria Callas deixou?

Christiane - A maneira como a Callas entendeu as personagens dela, o olhar era como o de um pintor, que te faz  olhar o mundo de outra maneira. Principalmente no que diz respeito às heroínas, ela é um guru, uma mestra, uma inspiração. Ela fala isso no texto: “Essa é a minha interpretação. Não é a de Shakespeare. Não é a de Verdi. É a de Callas”. Ela não era só uma intérprete. Era uma grande música, tocava piano muito bem. Ela entendia tanto de música quanto os maestros que a regiam. E por isso ela pôde desfrutar deles e eles dela como ninguém. Ela não era só uma cantora interessada em cantar notas. E tinha uma questão, talvez seja o que mais me inspire, é que ela não tinha uma relação com alguém que a desafiasse. Era Callas que desafiava Callas. Isso é uma outra maneira de ver tudo. A maioria das pessoas tem o desafio de fora para dentro. Ela não, vinha de dentro dela. Acho que ela coloca a serviço da música, da arte, da beleza toda a experiência que ela tece na vida, incluindo a pessoal. O subtítulo da peça poderia ser “Ensina-me a Viver”, é de uma profundidade e de uma humanidade. Apesar de toda a técnica, ela não acredita só em técnica. Só acredita naquilo que vem do coração e vai forçando isso nos alunos. É uma aula de humanidade.

ND - Como foi a sua preparação para interpretar Maria Callas? Já conhecia a história? Quais os principais desafios para este personagem tão forte e emblemático?

Christiane - Sou conectada com a arte da Callas há tempos. Tenho uma coleção de vinis que recuperei. E a ópera é uma arte que está se reinventando. Hoje você tem montagens inacreditavelmente modernas com a música atravessando o tempo e novas concepções. 'Master Class' é um trabalho que exige uma precisão danada, que vai além da dança. Tenho uma preparadora física, assim como os outros cantores. Me preparo com muito rigor e concentração. Também fiz aula de canto. Mesmo que você nunca cante em um musical, é importante para formação. Inclusive para entender o universo das orientações que ela traz aos cantores. Com meu professor no Rio de Janeiro comecei a estudar pela ária de Amina – personagem de Callas na ópera “La Sonnambula” – para poder entender em mim mesma o que ela faz, o quão difícil é o que ela faz. Você se apropria. Você vai fazer um pianista, você tem que entender o universo, mesmo que não vá tocar. Entender mentalmente, entender emocionalmente, porque isso muda a atitude física completamente.

ND - Desde que o espetáculo está em cartaz, como tem sido a reação da plateia? Você costuma dizer que o espetáculo faz muita gente refletir. É isso mesmo?

Christiane - A peça tem um texto lindo e sempre digo que esse espetáculo é uma sessão de auto-ajuda disfarçado (risos). Ele fala muito em superação e as pessoas saem muito motivadas a se apaixonar, acreditar nos seus sonhos. Ele também tem um humor muito refinado que provoca as pessoas na plateia. 

Serviço

O quê:  “Master Class”, com Christiane Torloni
Quando: 2 e 3/3, às 21h/4/3, às 19h 
Onde: Teatro Pedro Ivo, rodovia SC-401, km 15, 4.600, Saco Grande, Florianópolis. Tel.: (48) 3665-1630
Quanto: R$ 100

 

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