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Coworking familiar abre espaço para mães e pais empreendedores em Florianópolis

Conexão Pandora, no Sul da Ilha, oferece local de trabalho para quem quer ficar perto dos filhos

Andréa da Luz
Florianópolis
08/09/2018 às 11H29

Há pouco mais de um ano, nascia em Florianópolis um coworking diferente, idealizado para pais e mães empreendedores que não querem abrir mão de estar perto dos filhos.
Comandado pelas sócias Camila Vione e Fernanda Steinbruch Araújo, ambas com 35 anos, o Conexão Pandora é pioneiro na cidade, e funciona em um ambiente arborizado e acolhedor no Sul da Ilha. Abriga duas casas, uma para os adultos e outra para crianças de seis meses até quatro anos de idade.

 Camila Vione (à esq.) e Fernanda Araújo, com o filho Davi, são as sócias do Conexão Pandora  - Flávio Tin/ND
Camila Vione (à esq.) e Fernanda Araújo, com o filho Davi, são as sócias do Conexão Pandora - Flávio Tin/ND



A área para pais e mães inclui três salas - de trabalho compartilhado, de reuniões e de atendimento; uma área de eventos onde são ministrados cursos, palestras, workshops externos e reuniões do Clube de Mães; e um espaço de convivência com cozinha para confraternização e interação.As crianças – no máximo dez por período – ficam com duas cuidadoras na casa ao lado, onde há duas salas para atividades e descanso, varanda e área externa com caixa de areia, brinquedos e casinha. Elas podem brincar livremente, mas também fazer pintura, desenhos, aprender a mexer na horta, respeitando a rotina de alimentação e sono.

O espaço é separado justamente para que os pais possam se concentrar no trabalho, fazer reuniões, atender algum cliente e conversar ao telefone, sem interrupções. "Mas ao contrário das escolas comuns onde a gente não pode olhar o que eles fazem, aqui isso é possível, além de poder atendê-los caso chorem ou precisem mamar", afirma Fernanda.

Atualmente, o coworking familiar abriga 15 pessoas e também abre espaço para eventos externos, desde que estejam alinhados com os temas da maternidade, do autoconhecimento e do empreendedorismo.

A empresa oferece planos mensais, trimestrais ou semestrais, sendo possível escolher a frequência de uso - entre duas a cinco vezes por semana. Também há opção de diárias, mas elas são indicadas para quem tem filhos acima de dois anos. "Ainda assim, recomendamos que se faça a adaptação, para que a criança vá se acostumando ao espaço e à rotina de trabalho dos pais".

Para quem tem crianças de até um ano e meio, o recomendável é optar por um plano de até três vezes na semana. "Tudo foi pensado para que haja um engajamento com os filhos, que podem ficar perto dos pais ao mesmo tempo em que eles estão trabalhando", explica Camila.

Camila e Fernanda, da Conexão Pandora, que idealizaram o espaço para mães e pais empreendedores - Flávio Tin/ND
Camila e Fernanda, da Conexão Pandora, que idealizaram o espaço para mães e pais empreendedores - Flávio Tin/ND




Como tudo começou

A ideia de negócio veio da Fernanda, phD em Design e Experiência do Usuário (campo que estuda como o usuário vivencia experiências de compra, especialmente na web). "Quando meu filho nasceu, eu estava terminando o pós doc, e oito meses depois eu estava dando aulas, mas aquilo não fazia mais sentido para mim", revela. "Então, tive a ideia de montar um clube de mães empreendedoras para compartilhar a arte de empreender na maternidade".

As reuniões aconteciam em um espaço bem pequeno, mas o negócio prosperou. Hoje, 45 mães participam do Clube, que oferece uma rede de apoio para que elas possam começar ou melhorar seus negócios. Nas reuniões semanais acontecem palestras e conversas que permitem compartilhar experiências, ampliar ou identificar novas oportunidades de negócio.

O caminho para o coworking só se revelou depois que Fernanda participou do Laboratório da Social Good Brasil - organização que utiliza o poder das tecnologias e inovação para promover mudanças sociais positivas. "Foi durante essa experiência que pude identificar novas demandas para o serviço que eu oferecia e começar a pensar no trabalho compartilhado para pais e mães que empreendem ou querem empreender", afirma.

Também foi através do clube que a Camila chegou. Formada em Direito, nunca exerceu a profissão. Em vez disso, foi para a Austrália onde se especializou em Marketing e Negócios. "Nos quatro anos que passei lá, me apaixonei por essa área de vendas e relacionamento com as pessoas", conta.

Na volta para o Brasil, foi trabalhar com vendas, mas quando o filho Pedro completou um ano e meio, caiu a ficha de que não poderia mais lidar com uma rotina de trabalho que a obrigava a deixar o pequeno o dia todo na escola. "Estava super insatisfeita no trabalho, então uma amiga sugeriu que eu fosse participar do clube de mães e eu pensei que aquilo não tinha nada a ver comigo, mas fui", relembra. "Quando conheci o trabalho da Fernanda, me apaixonei e pensei: eu vou vender essa ideia".

Assim, quando Fernanda procurou uma sócia, a própria Camila se prontificou. "Havia a demanda por um espaço maior, que atendesse a necessidade de pais ou mães com filhos pequenos, mas sem ter que cuidar dos filhos ao mesmo tempo, como acaba acontecendo em home office", diz Fernanda.

Por isso, as amigas começaram a procurar um espaço adequado, até encontrarem a atual sede da Pandora."Quando vimos esse espaço externo, pensamos logo que era o lugar ideal e o negócio foi se adequando ao ambiente", explica Fernanda.


Novos rumos

No último fim de semana, as sócias estiveram no Festival Social Good Brasil, que aconteceu em Florianópolis. O evento é um encontro anual do Social Good Brasil com sua comunidade, parceiros e pessoas que são referências no país ou no exterior nas áreas de tecnologia e impacto social. "É um evento onde há muita inspiração e troca de conhecimentos e lá começamos a identificar novas demandas para a Conexão Pandora", explica Fernanda.

As sócias já traçaram dois novos caminhos para o negócio. O primeiro é a expansão do projeto, por meio de parcerias que levem o modelo de negócio para outras localidades. "Não falamos em franquias porque não se trata apenas de vender um negócio pronto e sim encontrar parceiros que estejam alinhados com o propósito de fomentar as habilidades de mães/pais que desejam empreender", diz Fernanda.

O segundo caminho é a criação de programas de capacitação para as mães que já empreendem na Pandora e para empresas interessadas em identificar as habilidades adquiridas por essas mulheres após a maternidade.

Nutricionista e chef Ana Claudia alugou a cozinha para fazer bolos de festa e caseiros e hoje consegue interagir mais com o filho Dante - Flávio Tin/ND
Nutricionista e chef Ana Cláudia alugou a cozinha para fazer bolos de festa e caseiros e hoje consegue interagir mais com o filho Dante - Flávio Tin/ND



Mudança de trajetória

A nutricionista e chef de cozinha Ana Cláudia Felisberto de Oliveira, 30 anos, participou de um curso para jovens empreendedoras quando a Pandora ainda era apenas um clube de mães. “Meu filho tinha 10 meses de idade e eu queria empreender, então entrei para o clube de mães", afirma.

Quando a Conexão Pandora abriu em nova sede, em julho de 2017, Ana passou a fazer mais cursos e, eventualmente, levava o filho com ela. "Em julho de 2018, surgiu a oportunidade de montar a cozinha que eu queria aqui no espaço de convivência da Pandora, então tirei ele da escola e o dinheiro que gastávamos para deixá-lo lá, utilizo para o aluguel da cozinha”, explica.

“Foi ótimo porque eu não teria condições de arcar com um aluguel comercial e ainda os custos da escola. Voltei a ter mais interação com meu filho, almoçamos juntos todos os dias e não preciso mais ocupar espaço na minha casa com o trabalho", avalia.

Especializada em bolos de festa, Ana passou a desenvolver novos produtos com uma demanda que surgiu ali mesmo entre os coworkers. "Hoje vendo mais outros bolos, principalmente os caseiros, e tudo que preciso resolvo aqui mesmo, através de parcerias com outras mães: umas fizeram a logomarca, outras desenvolveram etiquetas para os produtos... é uma rede excelente", diz.

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