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Conheça o trabalho do violinista Fernando Bresolin no teatro

Artista radicado em Florianópolis, ele trabalha a música clássica na dramaturgia teatral

Marciano Diogo
Florianópolis
21/10/2016 às 19H42

O violinista Fernando Bresolin, 32, acredita na potência da música clássica como geradora da dramaturgia teatral. Gaúcho natural de São Pedro do Sul, radicado em Florianópolis desde 2007, o artista atua no teatro com a música instrumental. “É possível usar a música como discurso poético e transformar um espetáculo”, afirma o músico, que também é ator..

Fernando Bresolin já integrou o corpo de músicos da Camerata Florianópolis e da Orquestra Filarmonia Santa Catarina e atualmente trabalha com teatro - Daniel Queiroz/ND
Fernando Bresolin já integrou o corpo de músicos da Camerata Florianópolis e da Orquestra Filarmonia Santa Catarina e atualmente trabalha com teatro - Daniel Queiroz/ND


Bresolin começou a tocar violino aos seis anos de idade em aulas de música e desde então não largou mais. Bacharel em violino pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), o artista se mudou para a Capital para integrar a Camerata Florianópolis, na qual permaneceu até 2011. “Segui me dedicando às cordas, com um ritmo intenso de concertos e turnês. Para ser violinista profissional, é necessário no mínimo quatro horas por dia de treino prático, além do estudo teórico”, conta ele, que também é mestre em violino pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) e atualmente é graduando em teatro pela mesma universidade.

Após sair da Camerata, Bresolin atuou durante dois anos na Orquestra Filarmonia Santa Catarina e durante o período trabalhou também na administração do grupo. “Era uma luta diária para profissionalizar o trabalho do músico clássico”, lembra. Mas foi em 2013 que o violinista tornou-se ator ao integrar o elenco do espetáculo de dança contemporânea e teatro “Assemblage”, peça em que também exerceu o cargo de diretor musical. “Era um trabalho mais físico e não um personagem bem estruturado. Mas foi bem interessante. Eu já estava acostumado a encarar o palco acompanhado do violino, então não foi tão assustador”, brinca.

A convite da atriz Barbara Biscaro, Bresolin estreou em 2014 junto à artista o espetáculo “Récita”, montagem experimental que trabalha com a desconstrução da música clássica. Na peça, a dupla encarna personagens grotescos e propõe uma crítica ao discurso tradicional da música lírica.

“A música clássica tem um ranço por ser considerada música da elite por muitos. Esse ranço foi construído no século 19 com a imagem dos fraques e teatros luxuosos, porém essa cultura não se perpetua e há um choque de discurso. ‘Récita’ faz uma crítica a esse discurso através da sátira ao universo apolíneo da música”, reflete o violinista, que circulou com o espetáculo pelo Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Cochabamba, na Bolívia. “Fizemos uma versão com músicas em espanhol para apresentação lá”.

Em dezembro de 2016, o violinista estreia sua primeira direção no teatro, o espetáculo “Masmorra”. “Sigo na minha pesquisa de como trabalhar a música com atores não músicos. Nesse espetáculo trabalho com música medieval”, adianta ele, que atualmente também produz uma nova montagem em parceria com Barbara Biscaro e faz a direção musical da peça “Aquele Que Diz Sim, Aquele Que Diz Não”, de Vicente Concilio. “Nesse trabalho eu estarei tocando no palco. Toda a composição musical será original do grupo, vai ser interessante”, conclui.

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