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Influencers criticam a onda de comprar seguidores para fazer as redes sociais bombarem

Conversamos com um empresário do meio de Florianópolis, e ele explica algumas estratégias orgânicas

Karin Barros
Florianópolis
08/12/2017 às 10H00

Se há dez anos alguém afirmasse que no futuro as pessoas teriam como seu fiel companheiro um celular, muitos diriam que é besteira, mas sim, ele se tornou acessório indispensável para grande parte da população. Razão disso é as redes sociais, como Facebook e Instagram, que dominaram as relações humanas e são muitas vezes mais presentes que as físicas com os chamados “seguidores”.

Empresário Natael Majer diz  que seguidor falso não gera resultado - Daniel Queiroz/ND
Empresário Natael Majer diz que seguidor falso não gera resultado - Daniel Queiroz/ND


As empresas, celebridades e pessoas em geral viram nas ferramentas sociais uma maneira rápida, fácil e barata de atingir seu público alvo e fãs. Por ali é possível criar relações mais reais e, porque não dizer íntimas, com quem está do outro lado. Porém, muita gente se apropria de atalhos para atingir a fama que sonhara de maneira mais rápida. Estamos falando das pessoas que usam aplicativos de compra de seguidores e curtidas para o Facebook e o Instagram.

Não é difícil encontrar, muito menos instalar um deles no celular. Basta um clique para o seu Instagram bombar de seguidores de todo o mundo. Além de seguir, alguns aplicativos também garantem curtidas nas fotos. Em sites de compra e venda de objetos, como o Mercado Livre, também é possível comprar um número exato de seguidores para o Instagram, por exemplo. Nós não testamos, mas na descrição de alguns deles, por R$ 10 eles incluem 1.000 seguidores em sua rede, sendo 97% brasileiros, e ainda dão garantia de 90 dias para a reposição de eventuais saídas.

Orgânicos e honestos

Parece mentira, mas essas opções de compra vindas de Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraíba, existem e parecem que são mais utilizadas do que o “manual de etiqueta na internet” permite. A jornalista de moda Liseane Crippa, atuante em Florianópolis, tem mais de 11 mil seguidores, que segundo ela, conquistados de forma orgânica – quando o número cresce naturalmente com o perfil.

Jornalista de moda Liseane Crippa levantou num post a farsa dos seguidores: “é enganação, é brega” - Divulgação/ND
Jornalista de moda Liseane Crippa levantou num post a farsa dos seguidores: “é enganação, é brega” - Divulgação/ND


Há uma semana, ela fez uma postagem em suas redes sociais comentando casos de pessoas que compram seguidores, e ressaltando o quanto isso é brega. “Tem várias pessoas que compram e acho muito desonesto. Eu não me considero uma influencer e nem dependo disso para meu trabalho, mas algumas pessoas focaram o trabalho nisso e não acho legal com quem conquistou estes números honestamente. Infelizmente neste mundo virtual quem tem seguidores é rei”, comenta ela, ironicamente.

Paula Georg Wagner, digital influencer, tem quase 35 mil seguidores no Eat Floripa, seu insta-blog especializado em gastronomia. Ela garante que todos os seguidores foram adquiridos de forma orgânica durante o um ano e quatro meses de trabalho. “Esse é um assunto muito delicado, e em questão de blog é um absurdo a compra, porque a pessoa é uma influenciadora digital, e as pessoas te procuram para divulgar a marca dela, e a partir do momento que você compra seguidores, você não está divulgando para ninguém, então é uma mentira”, explica ela, que busca sempre mostrar aos parceiros as estatísticas de seu perfil, que dão garantia de retorno ao parceiro.

Paula Georg Wagner mostra estatísticas do seu perfil para mostrar  engajamento e influência - Divulgação/ND
Paula Georg Wagner mostra estatísticas do seu perfil para mostrar engajamento e influência - Divulgação/ND


A blogueira salienta que possível verificar quem compra ou não seguidores analisando o perfil e as ações que eles têm, como as curtidas e comentários de sorteios. Além disso, Paula diz que as pessoas que compram seguidores não tem continuidade de postagem de empresas, porque logo o cliente nota que não obteve retorno com a parceria. Para ela, quem busca seguidores por meio da compra, está visando apenas a autopromoção, pois a qualidade dos seguidores acaba deixando a desejar.

Uma mídia profissional 

O empresário Natael Majer, 34, do grupo Todo Mundo, uma das primeiras empresas focadas em mídias sociais de Santa Catarina, explica que não é possível criar uma plataforma com seguidores comprados do mundo inteiro e ter resultado para um cliente de Florianópolis, por exemplo. “Você precisa ver quem são as pessoas ao seu redor, que publicam coisas relacionadas ao seu assunto, e curtir algo dela. Essa pessoa vai entrar no seu perfil para ver quem é e ver sua galeria. Ela precisa se identificar com a sua galeria, que precisa ser bem feita e bem elaborada, porque se não ela entra e não converte”, diz.

Hoje, por causa dos anúncios pagos no Facebook, tudo que é orgânico ficou mais trabalhoso nas redes sociais. Antes, todos os seguidores recebiam o conteúdo, agora é preciso pagar para criar um engajamento. O Instagram tem ido para o mesmo caminho, e mais recentemente tem investido em patrocínio dos Stories. “Nós percebemos que no caso de empresas no Instagram é preciso entregar um conteúdo atraente na galeria e deixar a publicidade no Stories, com gifs e flyers, por exemplo”, explica
Natael, comparando a ação com o que é feito na televisão, aliando conteúdo ao comercial.

Natael alerta que a empresa que não estiver nas redes sociais está fora do mercado, pois mesmo as mídias sociais oscilando, sempre virá uma nova, e é preciso estar atualizado. “Assim como o Orkut acabou, as pessoas vão enjoar do Facebook [que já tem um público de pessoas com mais de 35 anos], e vão para o Instagram. Logo vem uma rede nova, e vamos sempre estar conectados ao celular”, diz.

O empresário que há seis anos precisava convencer os clientes que o Facebook é o futuro, não imagina o que está por vir, mas já aposta em como seguirá o mercado. “A próxima rede também deve ser comprada por Zuckerberg, que é o maior investidor de mídias do mundo, tanto para aniquilar quando para aliar”, arrisca ele.

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